Também diz que Jesus se transfigurou (vd.Lc.9:28-36), ou seja, transportou-se da figura física para a figura visionária, integrando-se a visão que seus discípulos tiveram de Moisés e Elias, que figuravam a Lei e os profetas que, segundo o próprio Cristo, testificavam dEle.
Não se tratava de contato entre vivos e mortos, como interpretam erroneamente alguns, mas sim da manifestação da glória de Deus testificando, aos discípulos, que Cristo era aquele de quem falava a Lei (figurada em Moisés) e os profetas (figurados em Elias). Portanto, a visão denotava o relacionamento íntimo de Cristo com a Palavra Profética. Em meio a esse relacionamento, suas veste resplandeciam.
Assim como a experiência de Moisés não se repetiu jamais a outros, muito menos a transfiguração será repetida. Todavia, a realidade da comunicação com o altíssimo e o resplandecer da luz divina sobre todos aqueles que interiorizam a Palavra Profética, é o ensinamento que essas passagens bíblicas nos fornecem.
O exercício da oração e o contato com a voz de Deus, que se dá através das Santas Escrituras, da consciência e da razão, nos iluminam e nos fazem resplandecer, não da mesma forma relatada a respeito de Cristo e Moisés, mas da forma como o Espírito de Deus opera em nós, iluminando nosso âmago e resplandecendo na caridade em nós.
De fato, no exercício da comunhão com Deus somos transportados dos limites da figura humana, para a ilimitada ação da essência divina. Não obstante, somos transformados à medida que nos aprofundamos no conhecimento de Deus e nos entregamos integralmente ao núcleo de Seu amor.
O fruto da verdadeira comunhão com Deus não se dá em experiências de êxtase emocional, gritarias ou fanatismo religioso. Embora a comunhão com Deus nunca deixe de ser emocionante, seu fruto se dá no serviço a que somos impulsionados, pelo Espírito de Deus, a oferecer ao próprio Deus, na pessoa do próximo, promovendo assim um mundo melhor, mais justo e menos desigual, sem jamais desfalecermos da esperança.
“Assim temos mais confiança ainda na mensagem anunciada pelos profetas. Vocês fazem bem em prestar atenção nessa mensagem. Pois ela é como uma luz que brilha em lugar escuro, até que o dia amanheça e a luz da estrela da manhã brilhe no coração de vocês” (II Pd.1:19).
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