domingo, 12 de junho de 2016

6 BÊNÇÃOS DO PAI NOSSO

Quantas vezes rezamos a oração do Pai nosso sem meditarmos em uma só palavra do que estamos dizendo?

A oração do Pai Nosso é a mais completa oração que pode haver. Mas para entendermos isso é necessário refletirmos sobre seu significado. Assim, passaremos abaixo algumas características dessa oração, das quais não se pode deixar passar sem que lhes seja dada a devida atenção.

Atentemos a, pelo menos, 6 bênçãos pedidas através da oração que Jesus ensinou:

1- Venha a nós o vosso reino. Segundo o Apóstolo São Paulo, o reino de Deus é alegria, paz e Justiça. Mas não pense em justiça como vingança, pense que justiça é ajuste, no sentido de dar equilíbrio à vida e por em ordem nossos caminhos.

2- Seja feita a vossa vontade. A vontade de Deus, segundo o autor do livro aos Hebreus, é a santificação, o que podemos chamar de aperfeiçoamento, de todas as pessoas. Afinal, essa é a razão pela qual nos esforçamos tanto nos estudos, no trabalho e no aprimoramento pessoal diante das funções que exercemos e, principalmente, diante da missão de sermos mais humanos.

3- O pão nosso de cada dia nos dai hoje. E não apenas o pão material, aqui figurando toda a sorte de provisões de que precisamos para vivermos com dignidade e saúde, mas também o pão espiritual que nos encoraja a viver, lutar, persistir e acreditar que o amanhã pode ser e será melhor.

4- Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Ninguém consegue manter um relacionamento, seja qual for e com quem for, se não houver uma pré-disposição em perdoar. O perdão deve começar por si mesmo, pois quem se perdoa, assim o faz porque, em primeiro lugar, admitiu sua própria culpa, e havendo encontrado forças para não se deixar abater pelo remorso, vê-se capaz de se levantar com disposição para recomeçar. Quem pode viver essa experiência, também saberá dar essa mesma chance e estímulo a quem lhe ofendeu.

5- Não nos deixes cair em tentações. Nossas maiores e mais frequentes tentações estão relacionadas ao egocentrismo. Buscamos a satisfação nas periferias de nosso ser, sem nos darmos conta das coisas que realmente são importantes. Portanto, vencer as tentações não é uma luta que se trava com proibições de coisas que porventura sejam más, mas com o avanço e a liberdade de se auferir gozo naquilo que é de fato bom, honesto e verdadeiro.

6. Livrai-nos do mal. Algumas circunstâncias fogem ao controle de qualquer pessoa. Por isso, por mais que sejamos precavidos e organizados, é sempre benvinda toda proteção e força superior. Eis um grande benefício que nos traz a oração. Por ela somos capazes de equilibrar nossas forças e contatarmos as energias divinas que envolvem todo o universo.

Não importa qual seja sua crença, costume ou religião; se reza decorado ou espontâneo, ou mesmo que não reze. Mais do que uma oração a ser recitada, o Pai Nosso é uma oração a ser vivida. Pois há quem reze com os lábios e há quem reze com ações.

Você já rezou hoje?

sábado, 5 de setembro de 2015

POR QUE DEUS MUDA?

Por Julio Zamparetti

O artigo ‘O Eterno Deus Mutável’ me rendeu o silêncio por parte de muitos, o desprezo por parte de tantos, muitas críticas e uma queda de mais de 30% no número de acessos ao meu blog. Acho que desassosseguei alguns! Isso é ótimo! E “pra não dizer que não falei das flores”, houve uns dois comentários favoráveis que me fizeram crer que não estou sozinho em meus devaneios.

Para mim a melhor parte foi fazer com que eu mesmo pensasse mais sobre o assunto. E confesso que descobri um conforto imenso ao pensar num Deus capaz de mudar, pois só isso justificaria o seu amor por mim, mesmos diante da minha incapacidade de mudar certas coisas.

A Bíblia descreve um Deus que ama, que sofre, que se arrepende, que se compadece e se compraz. Um Deus que não suportou a dor de ver seu próprio filho pregado na cruz, de tal forma que o abandonou, ainda que por alguns instantes. Fraqueza de Deus? Por que não? Só os mortos não sentem nada. A fraqueza e todos os demais sentimentos são faces da vida. Por que seria diferente aquele que é a própria vida?

Um Deus que tem sentimentos é um Deus mutável, porque é para isso que serve os sentidos. A gente muda por amor, a gente age em meio a dor, a gente para ou segue em função de um sentimento. Sentimentos não são leis, não são duros, não são estáticos, não são imutáveis, pelo contrário, são transformáveis e transformadores. Como seria diferente aquele que é o próprio amor?

Disseram-me que estou errado em querer compreender Deus a partir do homem. Ora, já dizia o autor sagrado que tudo o que se pode conhecer de Deus está manifesto na criação. Portanto, a criação é a manifestação mais confiável de quem é Deus. Acho que errados estão aqueles que querem encontra-lo nas nuvens. E acho que os anjos continuam perguntando: por que vocês ficam olhando para cima?

Quando eu quero conhecer Deus, olho para a terra, para os campos, para o alecrim, para quem sofre, para quem é feliz, para quem está vivo. Não posso ver o criador, mas o entendo na sua criação; não posso ver o pai, mas o reconheço no filho. Assim entendo porque Ele é PAI NOSSO.

Segundo a Bíblia nosso corpo veio da terra, mas nosso espírito veio de Deus. Portanto, nosso espírito é parte, ou partícula dEle. Ele nos gerou a partir de sí, do que Ele próprio é, segundo sua imagem e semelhança. Somos filhos dEle, anjos encarnados. Não é de se espantar que nos compreenda tão bem! Não é de se estranhar que nos ame tanto e que mude por nós, em nós e conosco, assim como nós mudamos por Cristo, em Cristo e com Cristo. Não é de se admirar que só nele nossa alma se aquieta e encontra a paz.

Alguns, em nome de Deus e da fé, estabelecem leis rígidas e justificam sua rigidez moral e seu preconceito com fundamento naquilo que chamam de decretos irrevogáveis de Deus. Pobres coitados! Precisam nascer de novo, nascer do Espírito, nascer de Deus, tornarem-se filhos dEle, mais semelhantes a Ele, MUTÁVEIS.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O ETERNO DEUS MUTÁVEL

Por Julio Zamparetti

Falar sobre Deus é difícil. Se eu pudesse fazê-lo, Deus não seria Deus, uma vez que Deus para ser Deus tem que estar acima de tudo. Se Ele é quem está acima, nada pode ser falado sobre Ele. A única coisa que posso dizer de Deus, di-lo-ei sob Ele, porque estando bem abaixo posso apenas contar o que minha visão espiritual nublada, abaixo, distante e limitada pode ver a respeito dEle, se é que o pode ver.

Muita gente fala sobre Deus. No entanto, se fala sobre Ele, não é dEle que se fala, mas sim de um deus pequeno abaixo. O que se pode falar  de Deus é o que sob Ele se pode entender dEle. Isso, acreditem-me, já é muita coisa. Só os iluminados ou malucos podem estar sob Ele de maneira a entender alguma coisa dEle. Se você não é iluminado ou maluco, parabéns, você deve ser são! Pena que os sãos não precisam de Deus e nem foi para esses que Deus se manifestou na pessoa de Jesus.

Acho que todos somos meio malucos, meio iluminados, oscilante entre os dois, ou, talvez, maluco e iluminado seja a mesma coisa. O fato é que somos mutantes, estamos sempre mudando, e isso acontece pelo simples fato de estarmos vivos. A mutação é a principal característica de um ser vivo.

E Deus é vivo? Obviamente sim. Mas há quem diga o contrário, e não estou falando de Nietzsche, me refiro a todos que afirmam que Deus é imutável. Afinal, o que não muda não tem vida, e por mais beleza que possa ter, é como flor de plástico.

O Deus sob o qual eu tento vislumbrá-lo muda todos os dias porque em nenhum dia eu sou o mesmo. Ele que é o mesmo ontem hoje e eternamente continua revogando seus “decretos irrevogáveis” por amor de um pecador arrependido; continua voltando atrás com relação ao castigo que anunciou, para atender o clamor sincero de um povo devoto; continua mudando a direção do mover de seu Espírito sem qualquer prescrição, tal como afirmou o Cristo.

Quem não muda mesmo é a igreja morta, que mortificou seus ensinamentos com dogmas e leis as quais jugou infalíveis e inquestionáveis. Como poderiam essas leis e dogmas serem “verdades imutáveis” se procedessem de um Deus mutável? E como a igreja dominaria o povo se não detivesse as “verdades imutáveis”?  Assim, para dominar o mundo, a igreja matou seu deus.

Depois de matar o seu deus, a igreja condenou aqueles que, segundo ela, eram maus. E mandou para a fogueira vários dos que eram semelhantes a Deus e, por serem semelhantes a Deus, pensavam livremente e eram capazes de mudar o pensamento, a si próprio, o mundo e a história. Hoje, apagaram-se as tochas, mas continuam sendo acesas as fogueiras moralistas dos pregadores que arbitram contra os homossexuais, as religiões africanas ou orientais, as benzedeiras, os sensitivos e qualquer pessoa que mesmo sendo do bem não esteja sob o domínio eclesiástico.

Lembro-me de um texto bíblico em que o profeta advertiu o povo de Israel de que Deus mudaria sua escolha a respeito de quem seria para sempre o seu povo. Dizem que Deus cumpriu a mudança há dois mil anos... Eu penso que Deus mudou muito mais vezes! Porque Ele vive.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

QUEM É O CRISTO

 Por Julio Zamparetti

Quando Pedro disse que Jesus era o Cristo, deu a Jesus a sua dimensão cósmica. Enquanto todos o comparavam a profetas e líderes, Pedro o reconheceu como o Cristo, o Filho de Deus. Essa dimensão crística de Jesus está muito além da dimensão existencial do Jesus histórico, pois o Cristo é pré-existente. Ao afirmar que Jesus era o Cristo, estava dizendo que ele era muito maior que sua breve história terrena; que não era mera matéria, mas se tratava de um ser divino.

O Cristo já estava na criação de todas as coisas, no verbo, vento, sobre as águas; estava presente nos profetas, em Moisés, Maomé, Buda, Gandhi e outros; está presente em nós, no amor que partilhamos, na caridade que praticamos.

Pensar em Cristo somente no âmbito do Jesus histórico é tolher da fé o que de melhor a fé pode alcançar; é querer limitar a abrangência do Reino de Deus aos limiares da religião cristã. Doutra sorte, confessar que Jesus é o Cristo significa dizer que Cristo não cabe dentro do cristianismo. Na verdade o que temos, hoje, por cristianismo deveria se chamar jesuismo, porque se baseia unicamente no Jesus histórico - sua carne e sangue - e não no Cristo cósmico ou univérsico - seu Espírito e Verdade. O cristianismo quando baseado no Espírito e Verdade se desprende de suas teias dogmáticas e passa a considerar todo aprendizado, amor e caridade vividos por todas as pessoas de bem, sejam elas professantes ou não de qualquer religião. O cristão que vive nessa perspectiva não se ocupa com acusações, apologias ou condenações às religiões ou pessoas que creem de outro modo. Pelo contrário, procura aprender, amar e conviver em harmonia com o diferente.

Eu não acredito que Deus pudesse entregar toda revelação de si a apenas uma religião. Não. Ele não seria tão pequeno. Definitivamente, ele revelou um pouco, apenas um pouquinho, de si em cada religião, cultura, povo, tribo e pessoa, para que possamos conhece-lo mais, quando soubermos aprender uns com os outros.

A resposta de Pedro lhe rendeu dois bônus: a edificação da igreja e as chaves do Reino dos céus. Igreja vem do termo ‘eklesius’ que significa ‘chamados para fora’, bem diferente do que temos por igreja nos dias de hoje que, ao contrário, nos ‘chama para dentro’ de seu sistema e nos fecha para o mundo. Reconhecer o Cristo é receber sobre si a edificação do ser chamado para fora, libertar-se dos sistemas, ser livre, ser eterno, ser muito mais que este corpo mortal. Para esses mesmos, também lhes são dadas as chaves do Reino que lhes permitem promover a justiça onde só há injustiça, o amor onde só há guerra, a alegria onde só há tristeza, possibilidades onde só há limitações e a paz de espírito onde só há conflito.

Quem reconhece o Cristo cósmico e nele crê torna-se semelhante a ele. Já não está mais limitado ao corpo, à condição física, ao mundo material; ele é maior que isso tudo; é capaz de se superar diante de qualquer dificuldade, não desiste jamais de seus sonhos, não para a beira do caminho; tudo pode, tudo crê, tudo espera; descobriu Deus e a força de seu amor.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

OS IMORTAIS

Por Julio Zamparetti

O Céu é um lugar real que fica localizado, mais ou menos, à altura do peito. Nele não habitam os mortos. Nele habitam os imortais imortalizados pelo amor e no amor.

Os imortais são aqueles que descobrem o caminho da felicidade acircunstancial. O seu espírito é capaz de se elevar mesmo quando sua carne definha; sua alma amadurece, mesmo quando o corpo adoece; seu coração é consolado enquanto seus membros são afligidos.

Os imortais caminham por onde não há trilha, não há setas, não há luz. Eles se guiam por aquilo que os olhos não veem, os ouvidos não ouvem, as narinas não cheiram, o paladar não sente, o tato não toca, o mortal não entende. Por isso os imortais são incompreendidos. E a despeito de toda ferida que esse mundo lhe cause, as aflições da matéria não lhe são como castigo, porque também sua consolação não é material.

Mas não quero que pensem que a consolação só é encontrada após a morte. Não! A consolação é encontrada sempre no Céu. Sim, esse Céu que se encontra dentro do peito; esse Céu que pulsa vida; esse Céu do qual o autor sagrado dizia: “vós já tendes chegado”.

É bem verdade que eu posso encontrar esse Céu... esse Deus... nas estrelas, nos astros, na imensidão. Mas de que me vale encontra-lo onde não posso alcança-lo? Todavia, posso alcança-lo, em meus irmãos que sofrem, que padecem e carecem de ajuda.


Habite o Céu dentro de mim para que eu o possa transmiti-lo. Seja o meu coração a vértice onde Céu e terra se convirjam permitindo-me vislumbrar de onde vim, quem sou, porque estou aqui, e pra onde vou. Seja eu livre do poder das circunstâncias e descubra a verdadeira felicidade, a paz e a consolação. E se não for pedir demais, um pouco de saúde pra esse corpo mortal. Amém.

terça-feira, 21 de abril de 2015

DAQUI NADA SE LEVA... SERÁ?

Por Julio Zamparetti

Hoje estou tendendo fortemente a acreditar que somos a soma de tudo que amamos, sejam experiências, coisas, pessoas, ou ideologias. Em cada um desses itens há o que amar e há também o que relevar. A propósito, há coisas que nos tornam escravos da liberdade, como os livros (e meu violão. rsrs). É muito bom que amemos e até nos escravizemos a essas coisas. É bom que sintamos crise de abstinência ao passar o dia longe delas.

É por isso que eu contesto aquele ditado que diz que daqui nada se leva. Na verdade, acredito que levarei tudo que houver deixado. Porque só se pode deixar o que se tem, e só se pode ter o que foi herdado por amor. Não levaremos coisa alguma que tenhamos adquirido por dinheiro, ou violência, mas, tenho certeza de que levaremos tudo que estiver ligado ao coração.

É bem verdade que há muitos que ataram seu coração ao que compraram. Pobres coitados! Quão diminuta será sua herança! Eu, ao contrário, me desapego de tudo que seja meu, e amo tudo o que é de Deus. Por isso levarei a Terra, o Sol, A Lua, o mar, as estrelas. Levarei também meus livros, meus discos, meu violão, uns bolinhos de chuva e até meus bichos de estimação. Principalmente, levarei meus amigos, meus filhos e todos os meus amados, ainda que permaneçam por aqui durante muitos anos depois.


Acontece que eu não acredito em fantasmas, períspirito, ou qualquer forma corporal da alma. Estou convicto de que se há vida eterna, ela se dará na forma do amor. Acho que o amor é a verdadeira forma do corpo ressurreto e eterno. Talvez isso explique porque se conectam as pessoas que amam. Se você, que me lê, ama, sabe muito bem do que estou falando. Quando amamos nos conectamos aos que amaram, aos que amam e até aos que haverão de amar um dia.