quarta-feira, 31 de julho de 2013

INTOLERÂNCIA INTOLERÁVEL

Por Julio Zamparetti


Sim, é paradoxal, mas não tolero mais a intolerância! Cansei de tanto ódio em nome do amor! Não suporto mais tanto julgamento em nome daquele que disse que a ninguém veio julgar!

Em dias de liberdade religiosa, simplesmente, nos esquecemos de ser livres. Deixamos que nos escravizem, e porque deixamos, melhor seria dizer que nos auto-escravizamos nos preconceitos, superstições e dogmas.  

Esquecemos de que a revelação divina se dá numa pessoa, não num livro; que o próprio Cristo afirmou que seria encontrado nos pequeninos sofredores, não nas paredes frias; nos humildes, não nos poderosos; no espírito, não nas letras; na acolhida, não na lei; nos braços abertos, não no dedo apontado.

“O verbo virou gente”. Virou gente por tratar-se de um, apenas um, verbo singular: ‘AMAR’. Só o amor vira gente. Gente como a gente, diversamente, é. Só o amor humaniza as palavras e diviniza o ser humano. E faz tudo isso sem oprimir, sem reprimir, sem condenar, sem cobrar coisa alguma, sem mentir, sem julgar, sem ofender, sem ameaçar infernos, sem prometer céus.

Talvez seja por isso que temos errado tanto... Talvez seja por isso que nossas religiões não tenham nos religado, pelo contrário, só nos separam... Talvez tenhamos conjugado o verbo errado. 

Diz a liturgia: “O amor de Cristo nos uniu”.

Quem sabe um dia!

Por que não agora?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

UM PAPO FRANCO SOBRE HOMOSSEXUALIDADE, PESQUISAS E PRECONCEITO

Por Julio Zamparetti

Amigos - falo com aqueles que, como eu, têm convicção de sua condição heterossexual - façamos, cada um para si, uma simples pergunta e a respondamos com honestidade: a homossexualidade é uma opção para mim? Se a resposta for ‘não’, há que se pensar que exatamente porque a homossexualidade não é uma opção pra mim que sou hétero, não posso acreditar que a heterossexualidade possa ser uma opção para o homossexual. Por outro lado, se para você a homossexualidade é uma opção, hétero você não é.

Quanto ao argumento desses religiosos que defendem que ninguém nasce gay por conta de não existir um cromossoma gay, digo que é lamentável ver quem fala em nome da Igreja defendendo a concepção de que as características humanas sejam definidas tão somente pelo código genético, esquecendo-se de que não somos meramente somáticos, mas principalmente espirituais. Nosso DNA não determina nada além da condição física. Defender a definição da condição humana tão somente pelos atributos genéticos é no mínimo muito estranho para quem prega os valores e o poder da espiritualidade. Mais estranho ainda é ver a religião usar da Bíblia para negar a própria antropologia bíblica, seja ela interpretada de forma dicotomista (corpo e espírito) ou tricotomista (corpo, alma e espírito). Afinal, tudo o que não se espera dos religiosos é que defendam a concepção de que somos apenas matéria.

Aos religiosos que se apegam ao argumento de que “somente se pode defender o conceito de que uma pessoa nasça homossexual, se tal comportamento estiver definido na genética”, vale a seguinte pergunta: pelo que se pauta a igreja: a antropologia bíblica, ou crê que não passamos de matéria? Como cristão, considero o que diz as Escrituras e elas dizem que somos corpo e espírito, não apenas corpo, não apenas DNA. A verdade é que ninguém pode negar o fato de que crianças, em tenra idade, demonstram as tendências de sua orientação sexual, mesmo sem terem a menor noção do que seja sexo. Se isso não está codificado no DNA, certamente o está no espírito que Deus o deu. Assim, não se pode discriminar alguém por conta da forma como Deus o fez.

Preciso, também, dizer que não existe cura gay, pois para haver cura primeiro tem haver doença, o que não é o caso. A psicologia pode até ser muito eficaz no que chamam de “redirecionamento sexual” que promete transformar um gay em hétero. A programação neurolinguística, por exemplo, poderia ter muito êxito nisso. O problema é que a mesma técnica e eficácia pode ser usada no sentido inverso, fazendo um hétero virar gay (aiaiai!!! Rsrs). Logo, isso não é redirecionamento, mas apenas direcionamento, uma manipulação psíquica. Isso é tão antiético e assustador quanto uma manipulação genética de um ser humano.

Sendo assim, não esqueça que sexualidade não é um caso de opção, preconceito é; sexualidade não é doença, preconceito é.

terça-feira, 18 de junho de 2013

VINTE CENTAVOS DE REAIS OU TRINTA MOEDAS DE PRATA?

Por Edmar Pimentel


Ao ver os protestos nas noticias dos jornais de hoje, fiquei pensando qual seria a atitude de JESUS diante de tudo isso. 

Pensei um monte de situações onde JESUS seria contra uns e a favor de outros ou a favor dos primeiros e contra os últimos. Lembrei-me do texto onde Ele destrói a feira do templo dizendo que a casa de seu Pai é casa de oração (Mc 11,17).

Pensei um pouco mais e lembrei-me daquela ocasião em que os discípulos preocupados com a multidão pediram ao Mestre que despedisse em paz o povo para que chegassem a tempo nos povoados e encontrassem restaurantes e lanchonetes abertas e JESUS respondeu: daí-lhes vós de comer (Lc 9,13).

Pensei na viúva que estava caminhando para sepultar o único filho (Lc 7,12-14), na samaritana à margem do poço (Jo 4), no paralítico esperando ajuda para mergulhar no tanque porque não tinha quem o ajudasse (Jo 5), e no próprio JESUS às portas de Jerusalém quando emocionado expressou: Jerusalém quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas... E tu não quiseste! (Mt 23,37). 

Achei o texto do Bom Samaritano (Lc 10,27 ss) e percebi a preocupação de JESUS com o Reino e que este Reino é formado pelos pobres deste mundo e que o texto do Bom Samaritano começa com um teste sobre seus significados para os dias atuais quando Jesus questiona a aplicação da lei para seus dias perguntando sobre quem é o meu próximo? Ele conta a história... Mas de certa forma nenhum desses textos traduz o que sinto. Por outro lado chama à atenção a atitude de JESUS diante dos menos favorecidos, a quem sempre olhou e estendeu a mão e sempre buscou interceder e até se por no lugar, afinal por quem JESUS morreu mesmo? – É a pergunta que não quer calar. E assim também não devo me calar, não posso fazê-lo, as “pedras” estão clamando! (Lc 19,40).

Jesus de forma pacífica “revolucionou o mundo inteiro” cantava o “profeta” Raul. Vamos procurar ler o que dizem esses sinais de movimentação popular. Vamos ver e quem sabe nos unir aos pobres do Reino, se de fato os temos entre nós.

domingo, 19 de maio de 2013

GOTAS DE ESPERANÇA


Autor: Édson Francisco dos Santos

Eu já não choro mais
Quando vejo os homens decidindo pela guerra
Ameaçando a paz, sepultando a própria terra
Eu já não choro mais
O fogo cruzado matou minhas lágrimas
Embora restam ainda vivas
Gotas de esperança no meu coração

Eu já não choro mais
Quando vejo a poluição destruindo a natureza
Maldade humana matando tanta beleza
Eu já não choro mais
Extinguiram minhas lágrimas
Embora ainda sobrevivam ameaçadas
Gotas de esperança no meu coração

Eu já não choro mais
Quando a técnica faz a máquina virar homem
E o homem virar máquina, ser sem nome
Eu já não choro mais
O computador mapeou as minhas lágrimas
Embora ainda se escondam inexploradas
Gotas de esperança no meu coração

Eu já não choro mais
Quando vejo o sertanejo comendo palma
Como se não tivesse vida, vontade e alma
Eu já não choro mais
O sol do descaso queimou minhas lágrimas
Embora ainda insistam úmidas
Gotas de esperança no meu coração

Eu já não choro mais
Quando olho a imensa fila de desempregados
Legião de subumanos desesperançados
Eu já não choro mais
Tiraram o emprego de minhas lágrimas
Embora ainda trabalhem clandestinas
Gotas de esperança no meu coração

Eu já não choro mais
Quando vejo todas as prisões superlotadas
Pessoas como animais, vidas quase aniquiladas
Eu já não choro mais
Também prenderam minhas lágrimas
Embora ainda existam livres
Gotas de esperança no meu coração

Eu já não choro mais
Quando vejo os jovens presos aos entorpecentes
Instrumentos vazios, uma força inconsciente
Eu já não choro mais
Entorpeceram minhas lágrimas
Embora ainda vivam conscientes
Gotas de esperança no meu coração

Eu já não choro mais
Quando pais e filhos vivem na separação
 E o diálogo perde para a televisão
Eu já não choro mais
Silenciaram minhas lágrimas
Embora ainda falem corajosas
Gotas de esperança no meu coração

Eu já não choro mais
Quando um irmão morre na fila do hospital
Sem proteção de assistência social
Eu já não choro mais
Internaram para sempre as minhas lágrimas
Embora ainda resistam sadias
Gotas de esperança no meu coração

Eu já não choro mais
Quando o homem materialista esquece Deus
E o que importa é ter, é ser somente o eu
Eu já não choro mais
Mas continuo acreditando na vida
Voz de Deus dizendo ao mundo
Que o amor ainda é a solução

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Silas x Gabi

Por Julio Zamparetti

Assisti, ontem ao programa De Frente Com Gabi, no qual nada me surpreendeu, mas diante de tanta euforia cega dos seguidores do tal pastor achei apropriado tecer o comentário que se segue. 

Não sei se o meu Deus é o mesmo da Gabi, mas, com certeza, não é o do Silas. Graças a Deus! É catastrófico ver tanta gente seguindo um cara que anda tão longe de Jesus!

O Jesus que eu sigo falava do Reino de Deus. O Jesus do Silas, segundo ele mesmo falou, falava mais do inferno do que do Céu. Obviamente, ele deve seguir alguma outra bíblia, quem sabe a bíblia dele seja a "enciclopédia" do Mike Murdock! O Jesus que eu sigo ensinava seus discípulos a não acumularem túnicas, nem sandálias e darem de graça o que de graça receberam. O Silas encontrou em sua "bíblia" um deus que diz que "pastor tem que ganhar muito bem". O Jesus que eu sigo ensinou a ofertar aos pobres, presos e desamparados sem esperar nada em troca. O deus do Silas, segundo ele mesmo disse, trabalha com lei de recompensa, o que eu denomino como barganha. Isso não é achismo, é apenas uma pequena confrontação bíblica.

O Jesus que eu sigo livrava mulheres adúlteras do apedrejamento. O Silas joga pedras em quem diz que ama, e compara os homossexuais aos bandidos! Ora, eu nunca vi alguém ser roubado, assassinado, extorquido, enganado, ou ter seus direitos desrespeitados por alguém, pelo fato de esse alguém ser homossexual. A única coisa que a homossexualidade fere é o preconceito de gente mal resolvida que incita o ódio ao seu semelhante.

A sorte do Silas foi que a Gabi, além do desconhecimento teológico, sequer se deu ao trabalho de assistir algum programa do Silas para ver que ele vende unções para pessoas e empresas por R$1.000,00 e R$12.000,00. Eu queria ver ele dizer que isso não se enquadra no que ele mesmo chama de "besteirou da teologia da prosperidade".

Se o Silas quer emitir sua opinião própria, tudo bem. Mas não vá à televisão dizer que é a Bíblia quem está afirmando o que ele diz. Esse é o pior tipo de pregador, o que usa o Nome de Deus em vez de se deixar ser usado por Ele e distorce as Escrituras para se favorecer, apresentando mentiras como verdades irrefutáveis. LAMENTABILÍSSIMO!!!!

Que o meu Deus conduza ao arrependimento o Silas e os cegos que o seguem. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

MARIA - Modelo de Igreja


Por Julio Zamparetti

No episódio das bodas de Caná, onde Jesus transformou água em vinho, temos no exemplo da Bem aventurada Virgem Maria um modelo perfeito do que é ser Igreja.

Em primeiro lugar, Maria se inquietou diante do fato de ter acabado o vinho, que é símbolo de alegria. Uma igreja, de igual modo, não pode se conformar diante de tantas circunstâncias que tolhem a alegria de nosso povo; não pode aceitar tantas injustiças, preconceitos, discriminações, desigualdades, bem como o descaso ambiental.

Em seguida, a mãe de Jesus vai até ele e intercede, não por ela, mas por aqueles que já não tinham mais vinho. O problema da igreja de hoje é que ela vive o conceito de que cada um deve buscar a sua bênção. Só que isso não é ser igreja. Ser igreja é fazer parte do corpo de Cristo que se entregou à morte, tão somente porque amou e lutou pelos injustiçados, explorados, excluídos, fracos, pobres e malditos.

Mesmo tendo uma intenção tão nobre, Maria se sujeitou à resposta de Jesus que lhe disse: “ainda não”. Igreja que é Igreja não se faz como criança mimada que tudo exige “agora”, porque Igreja que é Igreja confia que Deus tem sempre a melhor hora para tudo, e ainda que a resposta de Deus seja um ’sim’ ou um ‘não’, sabe essa é a melhor resposta.

“Façam tudo o que ele vos disser”, disse a Santa Virgem. Estou convicto de que a grande fé não é aquele que conquista o que desejamos, mas aquele que nos motiva a permanecer obedientes, mesmo quando Deus nos diz “ainda não”.

Por fim, Jesus transformou água em vinho, um vinho melhor que o primeiro, e, certamente, Maria se alegrou na alegria de sua gente. Ser Igreja não é se inflar de poder-sem-ter-pra-quê, nem buscar realizações pessoais. Ser Igreja é se alegrar na alegria de todos, é ser beneficiado no bem comum.

Carecemos de Marias. Temos  visto tanta gente querendo ser senhor! Precisamos de uma igreja que, como nossa Mãe do Céu, seja serva, sujeita a Cristo e cheia de amor ao próximo.

Quem se dispõe?

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O PECADO ORIGINAL CONTRAÍDO POR JESUS



Por Julio Zamparetti


No dia 08 de Dezembro a igreja Romana comemora o dia da Imaculada Conceição, dogma que defende que Deus preservou a Santa Virgem do pecado original para que esta pudesse conceber Jesus. Sem querer faltar com o respeito, encontro aí minha maior dificuldade com o catolicismo romano: se Nossa Senhora foi livre do pecado original e, portanto, não transmitiu o pecado original para Jesus, logo Jesus não carregou sobre si o nosso pecado, então não salvou o mundo, e sua encarnação já não faz sentido. Neste ponto, como bom herege (podem ascender a fogueira. rsrs), também discordo dos demais cristãos que mesmo sem defender a imaculidade de Maria, dizem que Jesus não herdou o pecado original.

Penso que se qualquer um de nós não tivesse recebido a semente do pecado original, não teria qualquer dificuldade para vencer as tentações, nem precisaria do sacrifício vicário do Filho de Deus. Aliás, não haveria tentações, pois, segundo as Escrituras, somos tentados unicamente pela concupiscência, ou tendência de nossa própria carne. O fato de Jesus ser totalmente homem, implica em ter nascido sujeito a todas as condições dessa carne humana. Se Jesus não recebeu a semente do pecado original, não foi tentado como eu e você, e sua vitória já não é nossa, venceu tão somente por si, pois nossa luta é diferente. A vitória de Jesus sobre o pecado do homem tem em si a intrínseca necessidade de que Ele tenha vivido sob a exata condição humana, caso contrário, não foi o pecado do mundo que Ele venceu..

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (Edição Típica Vaticana), parágrafo 404, "o pecado original é um pecado contraído e não cometido, um estado e não um ato... transmitido por propagação à humanidade inteira". Portanto, uma condição inerente a qualquer um que seja totalmente humano, ainda que não cometa pecado. Acho que isso fica evidente no episódio do Getsemani, onde Jesus disse ao Pai: "não seja feita a minha vontade, mas sim a Tua". Cabe então perguntar: por que Jesus teve uma vontade que se opunha a vontade do Pai? A vontade de Jesus de que esse cálice lhe fosse poupado revela sua humanidade assumida em estado decaído, isto é, sob efeito do pecado original. Sua submissão e obediência à vontade do Pai revela sua vitória sobre todo pecado, inclusive o original, sobre o qual não venceria se não o enfrentasse em sua própria carne. O autor de Hebreus também revela isso: "Ele em tudo foi tentado á nossa semelhança..." (efeito da condição contraída), "...mas em nada pecou". Ora, se Jesus não contraiu o pecado original, sua tentação foi uma farsa.

De acordo com São Paulo, "Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei" (Gl.4:4). Ora, se ele se sujeitou à Lei, também se sujeitou ao pecado, pois conforme o mesmo apóstolo, a Lei desperta a concupscência (vd. Rm.7:5).

Jesus não veio a esse mundo para apenas ajudar o pecador. É importante lembrar que a mensagem do cristianismo não é a revelação de um Deus que ajuda os homens, mas sim um Deus que se faz homem, o bendito que se faz maldito, o santo que se faz pecador - mesmo sem pecar.

É exatamente porque Jesus se sujeitou a exata condição humana que temos um Deus que se compadece de nós, compreende nossas falhas e é rico em perdoar.