segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Silas x Gabi

Por Julio Zamparetti

Assisti, ontem ao programa De Frente Com Gabi, no qual nada me surpreendeu, mas diante de tanta euforia cega dos seguidores do tal pastor achei apropriado tecer o comentário que se segue. 

Não sei se o meu Deus é o mesmo da Gabi, mas, com certeza, não é o do Silas. Graças a Deus! É catastrófico ver tanta gente seguindo um cara que anda tão longe de Jesus!

O Jesus que eu sigo falava do Reino de Deus. O Jesus do Silas, segundo ele mesmo falou, falava mais do inferno do que do Céu. Obviamente, ele deve seguir alguma outra bíblia, quem sabe a bíblia dele seja a "enciclopédia" do Mike Murdock! O Jesus que eu sigo ensinava seus discípulos a não acumularem túnicas, nem sandálias e darem de graça o que de graça receberam. O Silas encontrou em sua "bíblia" um deus que diz que "pastor tem que ganhar muito bem". O Jesus que eu sigo ensinou a ofertar aos pobres, presos e desamparados sem esperar nada em troca. O deus do Silas, segundo ele mesmo disse, trabalha com lei de recompensa, o que eu denomino como barganha. Isso não é achismo, é apenas uma pequena confrontação bíblica.

O Jesus que eu sigo livrava mulheres adúlteras do apedrejamento. O Silas joga pedras em quem diz que ama, e compara os homossexuais aos bandidos! Ora, eu nunca vi alguém ser roubado, assassinado, extorquido, enganado, ou ter seus direitos desrespeitados por alguém, pelo fato de esse alguém ser homossexual. A única coisa que a homossexualidade fere é o preconceito de gente mal resolvida que incita o ódio ao seu semelhante.

A sorte do Silas foi que a Gabi, além do desconhecimento teológico, sequer se deu ao trabalho de assistir algum programa do Silas para ver que ele vende unções para pessoas e empresas por R$1.000,00 e R$12.000,00. Eu queria ver ele dizer que isso não se enquadra no que ele mesmo chama de "besteirou da teologia da prosperidade".

Se o Silas quer emitir sua opinião própria, tudo bem. Mas não vá à televisão dizer que é a Bíblia quem está afirmando o que ele diz. Esse é o pior tipo de pregador, o que usa o Nome de Deus em vez de se deixar ser usado por Ele e distorce as Escrituras para se favorecer, apresentando mentiras como verdades irrefutáveis. LAMENTABILÍSSIMO!!!!

Que o meu Deus conduza ao arrependimento o Silas e os cegos que o seguem. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

MARIA - Modelo de Igreja


Por Julio Zamparetti

No episódio das bodas de Caná, onde Jesus transformou água em vinho, temos no exemplo da Bem aventurada Virgem Maria um modelo perfeito do que é ser Igreja.

Em primeiro lugar, Maria se inquietou diante do fato de ter acabado o vinho, que é símbolo de alegria. Uma igreja, de igual modo, não pode se conformar diante de tantas circunstâncias que tolhem a alegria de nosso povo; não pode aceitar tantas injustiças, preconceitos, discriminações, desigualdades, bem como o descaso ambiental.

Em seguida, a mãe de Jesus vai até ele e intercede, não por ela, mas por aqueles que já não tinham mais vinho. O problema da igreja de hoje é que ela vive o conceito de que cada um deve buscar a sua bênção. Só que isso não é ser igreja. Ser igreja é fazer parte do corpo de Cristo que se entregou à morte, tão somente porque amou e lutou pelos injustiçados, explorados, excluídos, fracos, pobres e malditos.

Mesmo tendo uma intenção tão nobre, Maria se sujeitou à resposta de Jesus que lhe disse: “ainda não”. Igreja que é Igreja não se faz como criança mimada que tudo exige “agora”, porque Igreja que é Igreja confia que Deus tem sempre a melhor hora para tudo, e ainda que a resposta de Deus seja um ’sim’ ou um ‘não’, sabe essa é a melhor resposta.

“Façam tudo o que ele vos disser”, disse a Santa Virgem. Estou convicto de que a grande fé não é aquele que conquista o que desejamos, mas aquele que nos motiva a permanecer obedientes, mesmo quando Deus nos diz “ainda não”.

Por fim, Jesus transformou água em vinho, um vinho melhor que o primeiro, e, certamente, Maria se alegrou na alegria de sua gente. Ser Igreja não é se inflar de poder-sem-ter-pra-quê, nem buscar realizações pessoais. Ser Igreja é se alegrar na alegria de todos, é ser beneficiado no bem comum.

Carecemos de Marias. Temos  visto tanta gente querendo ser senhor! Precisamos de uma igreja que, como nossa Mãe do Céu, seja serva, sujeita a Cristo e cheia de amor ao próximo.

Quem se dispõe?

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O PECADO ORIGINAL CONTRAÍDO POR JESUS



Por Julio Zamparetti


No dia 08 de Dezembro a igreja Romana comemora o dia da Imaculada Conceição, dogma que defende que Deus preservou a Santa Virgem do pecado original para que esta pudesse conceber Jesus. Sem querer faltar com o respeito, encontro aí minha maior dificuldade com o catolicismo romano: se Nossa Senhora foi livre do pecado original e, portanto, não transmitiu o pecado original para Jesus, logo Jesus não carregou sobre si o nosso pecado, então não salvou o mundo, e sua encarnação já não faz sentido. Neste ponto, como bom herege (podem ascender a fogueira. rsrs), também discordo dos demais cristãos que mesmo sem defender a imaculidade de Maria, dizem que Jesus não herdou o pecado original.

Penso que se qualquer um de nós não tivesse recebido a semente do pecado original, não teria qualquer dificuldade para vencer as tentações, nem precisaria do sacrifício vicário do Filho de Deus. Aliás, não haveria tentações, pois, segundo as Escrituras, somos tentados unicamente pela concupiscência, ou tendência de nossa própria carne. O fato de Jesus ser totalmente homem, implica em ter nascido sujeito a todas as condições dessa carne humana. Se Jesus não recebeu a semente do pecado original, não foi tentado como eu e você, e sua vitória já não é nossa, venceu tão somente por si, pois nossa luta é diferente. A vitória de Jesus sobre o pecado do homem tem em si a intrínseca necessidade de que Ele tenha vivido sob a exata condição humana, caso contrário, não foi o pecado do mundo que Ele venceu..

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (Edição Típica Vaticana), parágrafo 404, "o pecado original é um pecado contraído e não cometido, um estado e não um ato... transmitido por propagação à humanidade inteira". Portanto, uma condição inerente a qualquer um que seja totalmente humano, ainda que não cometa pecado. Acho que isso fica evidente no episódio do Getsemani, onde Jesus disse ao Pai: "não seja feita a minha vontade, mas sim a Tua". Cabe então perguntar: por que Jesus teve uma vontade que se opunha a vontade do Pai? A vontade de Jesus de que esse cálice lhe fosse poupado revela sua humanidade assumida em estado decaído, isto é, sob efeito do pecado original. Sua submissão e obediência à vontade do Pai revela sua vitória sobre todo pecado, inclusive o original, sobre o qual não venceria se não o enfrentasse em sua própria carne. O autor de Hebreus também revela isso: "Ele em tudo foi tentado á nossa semelhança..." (efeito da condição contraída), "...mas em nada pecou". Ora, se Jesus não contraiu o pecado original, sua tentação foi uma farsa.

De acordo com São Paulo, "Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei" (Gl.4:4). Ora, se ele se sujeitou à Lei, também se sujeitou ao pecado, pois conforme o mesmo apóstolo, a Lei desperta a concupscência (vd. Rm.7:5).

Jesus não veio a esse mundo para apenas ajudar o pecador. É importante lembrar que a mensagem do cristianismo não é a revelação de um Deus que ajuda os homens, mas sim um Deus que se faz homem, o bendito que se faz maldito, o santo que se faz pecador - mesmo sem pecar.

É exatamente porque Jesus se sujeitou a exata condição humana que temos um Deus que se compadece de nós, compreende nossas falhas e é rico em perdoar. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

AME O SEU PRÓXIMO, QUANTO MAIS PRÓXIMO ESTIVER

Por Julio Zamparetti

Estamos desaprendendo a conviver com outras pessoas. A falsa sensação de ter muitos amigos nos sites de relacionamento nos aprisiona a um mundo irreal onde as pessoas só expõem o que há, ou imaginam, de bom a respeito de si. Neste mundo imaginário e cibernético tudo parece perfeito, os amigos parecem leais, os amantes parecem sinceros, todos parecem legais. Sobra para os pais o papel de incompreensíveis, para os irmãos o papel de chatos, para o conjuge o título de sem graça, para os que estão perto a sina de insuportáveis.

E assim, tocamos a vida sem dar valor ao que é real, desamando quem nos ama, trocando quem está ao lado por quem está do outro lado. Porque quem está do nosso lado é real, e por ser real mostra também suas diferenças e imperfeições, ao contrário de quem está do outro lado da net, que só mostra o que convém.

Nesse ínterim, estamos nos tornando cada vez menos tolerantes às diferenças, por menores que sejam. E uma vez que todos nós temos nossas diferenças (diferenças econômicas, religiosas, políticas, sexuais, gostos, manias, etc), acabamos reduzindo drasticamente nossa rede de relacionamentos reais. Em alguns casos a pessoa chega a reduzir seu rol de amigos aos personagens dos games a que se viciou. Isso se reflete diretamente na convivência familiar e consequentemente em todos os setores da sociedade. Precisamos entender que as amizades reais e pessoais são fundamentais e insubstituíveis no processo de cura deste mal.

O exercício da boa convivência mútua deve começar necessariamente com os mais próximos: pais, irmãos, familiares, colegas de escola ou trabalho, amigos reais. A cura começa em amarmos aqueles que nos amam mesmo nos conhecendo como realmente somos, e não como nos apresentamos no “face”.

sábado, 15 de setembro de 2012

A INTERCESSÃO DOS SANTOS

Por Julio Zamparetti

As Escrituras não nos deixam dúvida de que todos os santos (os salvos), tanto os que viveram antes, quanto os que viveram depois da vida terrena de Jesus, estão vivos pois já ressuscitaram em Deus. Temos essa certeza a partir das palavras do próprio Cristo que disse: "Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus vos disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó (Ex 3:6)? Ora, ele não é Deus dos mortos, mas Deus dos vivos" (Mateus 22:31-32). Nessa afirmação, Jesus deixa claro que Abraão, Isaque e Jacó estão vivos em razão do fato da ressurreição dos mortos. Ou seja, se estão vivos é porque ressuscitaram.

Com isso, entendemos que a ressurreição dos mortos não está apenas no futuro, mas a cada dormição, isto é, a cada vez que alguém passa da vida terrena para a eternidade. A expressão 'dormir', usada pela igreja desde o primeiro século servia para lembrar aos fiéis que a morte terrena não era o fim. E para que tivessem a certeza de que em breve veriam novamente abertos os olhos de quem havia partido. Portanto, são os viventes dessa terra que esperam a ressurreição, pois os que partiram desta vida já a receberam. Ademais, na eternidade não há relógio, não há espera. O tempo de Deus é um eterno agora, onde tudo está consumado desde a fundação do mundo. Eis uma boa razão para que o apóstolo Paulo tenha dito que já estamos assentados nos lugares celestiais (outra razão é a Comunhão dos Santos, que trataremos depois).

De fato, os santos não estão dormindo como pensam alguns. A Bíblia relata constante e ininterrupta atividade dos ressurretos. Crer que os santos estão dormindo é o mesmo que crer que também dormem os anjos, pois segundo Jesus, na ressurreição seremos como eles. E se são como eles os que vivem na eternidade, temos a convicção de que os santos também intercedem por nós, já que os anjos assim o fazem. (vd. Zc 1:12-13.)

É correto, portanto, pedir a intercessão dos santos? Precisamos, antes de responder a essa pergunta compreendermos a segunda razão pela qual já estamos assentados nos lugares celestiais, a Comunhão dos Santos, a qual confessamos nos credos Apostólico e Niceno. Segundo o autor de Hebreus, estamos em plena comunhão com Jesus Cristo e os santos arrolados na igreja celestial (vd. Hb.12:21-24). Assim, o mesmo Espírito que nos faz ter comunhão com Cristo também nos faz ter comunhão com os santos, que não estão mortos, mas vivos em Deus, o Deus que está conosco.

A crença na intercessão dos santos já estava presente em Israel antes que houvesse cristianismo e não se refere unicamente aos que foram canonizados pela Igreja, mas a todos que, em qualquer tempo, viveram vida justa e santa, mesmo antes da encarnação de Jesus. Em 2º Macabeus 15:11-15, vemos o relato histórico do ânimo e a coragem que vieram sobre os guerreiros de Israel, quando Judas Macabeus descreveu a visão que teve do sacerdote Onias e o profeta Jeremias, já falecidos, de mãos levantadas, intercedendo por eles.

A verdade é que recorra você ou não à intercessão dos santos, eles sempre estarão intercedendo, junto ao Pai, pelo êxito da causa por qual viveram e morreram. Seu pedido de intercessão pode não fazer com que um santo rogue mais do que já o faz, ou que Deus trabalhe mais do que já trabalha, mas certamente fará com que você nutra maior confiança e esperança na graça de Deus. Você pode até se achar no direito de dispensar as orações dos santos, como pode também dispensar as orações de qualquer conhecido seu. Mas não terá nenhum fundamento bíblico para dizer que não se pode recorrer a essa graça. Lembre-se de que a igreja sempre se sustentou na oração de uns pelos outros. Diante disso, coisa preciosa é contar com as orações daqueles que servem a Deus dia e noite, com uma intimidade com o Pai, da qual nenhum mortal é capaz.

Assim jamais rezamos sozinhos, pois temos a certeza de que uma legião de anjos e santos rogam conosco. Tal qual essa graça trouxe ânimo aos guerreiros israelitas que lutaram ao lado de Macabeus, temos a esperança de que traga também a nós a confiança e a força de sabermos que como corpo de cristo, somos muito mais fortes e maiores do que aquilo que os olhos podem ver.

Mediador, há somente Jesus. Intercessores, aqui ou lá, somos muitos.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS...

Por Julio Zamparetti

Não há como negar: o espírito protestante não suporta mais o protestantismo. Como já diz o velho ditado: "pimenta nos olhos dos outros é colírio". Depois de 500 anos da Reforma Protestante o que se vê da maioria dos filhos da reforma é um grupo de gente que perdeu o rumo. A verdade é que a maior parte dos protestos levantados, pelos reformadores do século XVI, se encaixam muito melhor à própria igreja evangélica de hoje do que aos protestados daquela época.

Naquela época se protestava a venda de indugências, mas hoje são os filhos da reforma que "resolvem" qualquer problema à base da "oferta de sacrifício", vendendo assim a promessa de vida abundante aqui e salvação garantida depois da morte. Outro exemplo típico dessa exploração é o fato de venderem Bíblias por R$ 900,00 sob argumento de que ao comprador será liberada uma unção de prosperidade.

Naquela época se questionava o poder absolutista do Papa, mas hoje são os filhos da reforma que se colocam como donos da verdade e elevam seus líderes ao status da inquestionabillidade, sob argumento de que questioná-los é rebelar-se contra o próprio Deus e rebeldia é como feitiçaria e os feiticeiros não herdarão o Reino dos Céus. E se isso não bastasse ainda recorrem ao tão citado verso "aí de quem se levanta contra o ungido do Senhor", como se não soubessem que jamais foram empossados de qualquer unção divina.

Naquela época se protestava contra o poder temporal do Papa, mas hoje são os filhos da reforma que distorcem as Escrituras para manipular o povo e constrangê-los ao "voto do cajado". Nesse viés aqueles que se dizem chamados por Cristo para serví-lo no ministério eclesiástico deixam a vocação a que foram chamados, se corrompem e corrompem as ovelhas a eles confiadas.

Naquela época se protestava contra a venda de relíquias, mas hoje são os filhos da reforma os que distribuem "gratuitamente" - aos que dão uma oferta de 30, 50, ou 100 reais (rsrs) - lencinhos, toalhinhas, fitinhas, rosas, salzinho... tudo "ungido" para afastar o mal e trazer coisas boas. A respeito disso, não posso deixar de ressaltar que esses mesmos que confiam nos objetos "ungidos" protestam contra aqueles que confiam nos objetos benzidos. Como se houvesse alguma diferença!

Naquela época se defendia a autoridade das Escrituras Sagradas, mas hoje são os filhos da reforma os que mais resistem ao confronto de sua prática de fé com a fé ensinada nas Escrituras. Não entendeu? Então experimente defender as Escrituras ante o que dizem os pregadores da teologia da prosperidade ou batalha espiritual para um de seus seguidores. Você verá que eles são incapazes de deixar de acreditar no seu apóstolo, missionário, pastor ou bispo para se renderem ao que diz a Bíblia.

Enfim, quando hoje protestamos como se protestava naquela época, chove sarrafo pra cima da gente. Não suportam mais o próprio protestantismo. Dizem que a gente ridiculariza as igrejas e escandaliza o Evangelho. Bem, só tenho a dizer que, neste blog, sou apenas um cronista, não tenho culpa pelo que seja ridículo. Quanto ao Evangelho... realmente... ele é um escândalo para quem não se dispõe a vivê-lo. Não tenho culpa da igreja evangélica se escandalizar com ele.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

DEUS NÃO TEM NADA A VER COM RELIGIÃO


Por Julio Zamparetti

É isso mesmo. A cada dia que passa estou mais convencido de que Deus não tem nada a ver com esse negócio de religião. A religião é invenção humana. Desde que o homem passou a ter alguma noção de que a vida pudesse ser algo mais do que essa simples existência, começou a formular ações que lhe provesse algum proveito no pós-morte. E záz... Surgiu a tal religião.

É por isso que todas as religiões vivem e sobrevivem em função da morte. Este é religioso porque quer reencarnar melhor, aquele segue aquela religião porque anseia uma recompensa eterna, o outro não abandona sua igreja porque tem medo de ir pro inferno, enquanto também há os que se tornam fiéis porque esperam, ao menos, ficar menos tempo no purgatório. Tire o medo do inferno e as ameaças do diabo e as religiões começam a ruir.

Não foi apenas no relato de Gênesis que a Torre de Babel foi construída. As religiões também são babilônicas. Vivem para alcançar a Deus, ou vivem para fazer de seu líder um deus, colocando-o no cume da torre. Tire as promessas de fama e prosperidade e as torres vem ao chão.

Você pode até achar que fama e prosperidade são motivos justos para se buscar uma religião. Na verdade, é exatamente por isso que a maioria das pessoas a busca. Mas se sua religiosidade serve apenas para ligar você aos seus próprios desejos, você continua só, não se religou a ninguém, muito menos a Deus.

O verdadeiro cristianismo é anti-religioso. Enquanto a religião nos propõe alcançarmos o céu, Cristo foi enfático ao afirmar que isso é impossível ao homem. Para que o homem seja salvo não lhe cabe alcançar o céu, mas pelo céu se deixar ser alcançado. Enquanto a religiosidade nos convoca a atos e rituais que nos favoreçam na morte, Cristo nos convoca a atos que em vida favoreçam o próximo.

"Reconcilia-te com teu adversário enquanto estão juntos no caminho", disse Jesus. É esse tempo de vida, de caminhada nesta terra, que nos cabe promover o Reino de Deus, pois o Reino do Pai não é próprio da  morte, mas da vida. Contrariando todo princípio religioso, Jesus manda interromper o ritual do sacrífício, pois sacrifício algum tem valor, se não sabemos viver primeiro o ministério da reconciliação, a espiritualidade da vida, que nos religa ao sofredor, ao faminto, ao necessitado, preso, ou marginalizado e até mesmo aos inimigos.

É bom termos consciência de que a religiosidade vertical é uma falácia, salvo no sentido Deus/homem. No sentido homem/Deus a religação só é possível quando buscamos Deus no próximo. Não há outra forma pela qual Deus deixe ser alcançado. Os ritos e sacramentos religiosos não podem nos levar a Deus. Segundo os próprios catecismos, eles são meios, e não fins, de graça. Meios pelos quais Deus vem a nós, a fim de que alcançados e fortalecidos por Ele, O alcancemos horizontalmente, isto é, na pessoa de quem está junto no caminho. Nesse aspecto, sim, teremos um verdadeiro religare. Não por acaso disse São Tiago: "A verdadeira religião pura e sem mácula é essa: que cuideis dos órfãos e das viúvas em suas necessidades, e cuideis de si mesmo para não se corromper com o mundo".

Então, ok. Existe, sim, um verdadeiro religare, uma verdadeira religião... Mas ela não é construída com tijolos. Ela simplesmente acontece nas ruas, orfanatos, hospitais, presídios, asilos, ou qualquer outro lugar onde alguém se dispõe a ajudar outro alguém.