sexta-feira, 2 de novembro de 2012

AME O SEU PRÓXIMO, QUANTO MAIS PRÓXIMO ESTIVER

Por Julio Zamparetti

Estamos desaprendendo a conviver com outras pessoas. A falsa sensação de ter muitos amigos nos sites de relacionamento nos aprisiona a um mundo irreal onde as pessoas só expõem o que há, ou imaginam, de bom a respeito de si. Neste mundo imaginário e cibernético tudo parece perfeito, os amigos parecem leais, os amantes parecem sinceros, todos parecem legais. Sobra para os pais o papel de incompreensíveis, para os irmãos o papel de chatos, para o conjuge o título de sem graça, para os que estão perto a sina de insuportáveis.

E assim, tocamos a vida sem dar valor ao que é real, desamando quem nos ama, trocando quem está ao lado por quem está do outro lado. Porque quem está do nosso lado é real, e por ser real mostra também suas diferenças e imperfeições, ao contrário de quem está do outro lado da net, que só mostra o que convém.

Nesse ínterim, estamos nos tornando cada vez menos tolerantes às diferenças, por menores que sejam. E uma vez que todos nós temos nossas diferenças (diferenças econômicas, religiosas, políticas, sexuais, gostos, manias, etc), acabamos reduzindo drasticamente nossa rede de relacionamentos reais. Em alguns casos a pessoa chega a reduzir seu rol de amigos aos personagens dos games a que se viciou. Isso se reflete diretamente na convivência familiar e consequentemente em todos os setores da sociedade. Precisamos entender que as amizades reais e pessoais são fundamentais e insubstituíveis no processo de cura deste mal.

O exercício da boa convivência mútua deve começar necessariamente com os mais próximos: pais, irmãos, familiares, colegas de escola ou trabalho, amigos reais. A cura começa em amarmos aqueles que nos amam mesmo nos conhecendo como realmente somos, e não como nos apresentamos no “face”.

sábado, 15 de setembro de 2012

A INTERCESSÃO DOS SANTOS

Por Julio Zamparetti

As Escrituras não nos deixam dúvida de que todos os santos (os salvos), tanto os que viveram antes, quanto os que viveram depois da vida terrena de Jesus, estão vivos pois já ressuscitaram em Deus. Temos essa certeza a partir das palavras do próprio Cristo que disse: "Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus vos disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó (Ex 3:6)? Ora, ele não é Deus dos mortos, mas Deus dos vivos" (Mateus 22:31-32). Nessa afirmação, Jesus deixa claro que Abraão, Isaque e Jacó estão vivos em razão do fato da ressurreição dos mortos. Ou seja, se estão vivos é porque ressuscitaram.

Com isso, entendemos que a ressurreição dos mortos não está apenas no futuro, mas a cada dormição, isto é, a cada vez que alguém passa da vida terrena para a eternidade. A expressão 'dormir', usada pela igreja desde o primeiro século servia para lembrar aos fiéis que a morte terrena não era o fim. E para que tivessem a certeza de que em breve veriam novamente abertos os olhos de quem havia partido. Portanto, são os viventes dessa terra que esperam a ressurreição, pois os que partiram desta vida já a receberam. Ademais, na eternidade não há relógio, não há espera. O tempo de Deus é um eterno agora, onde tudo está consumado desde a fundação do mundo. Eis uma boa razão para que o apóstolo Paulo tenha dito que já estamos assentados nos lugares celestiais (outra razão é a Comunhão dos Santos, que trataremos depois).

De fato, os santos não estão dormindo como pensam alguns. A Bíblia relata constante e ininterrupta atividade dos ressurretos. Crer que os santos estão dormindo é o mesmo que crer que também dormem os anjos, pois segundo Jesus, na ressurreição seremos como eles. E se são como eles os que vivem na eternidade, temos a convicção de que os santos também intercedem por nós, já que os anjos assim o fazem. (vd. Zc 1:12-13.)

É correto, portanto, pedir a intercessão dos santos? Precisamos, antes de responder a essa pergunta compreendermos a segunda razão pela qual já estamos assentados nos lugares celestiais, a Comunhão dos Santos, a qual confessamos nos credos Apostólico e Niceno. Segundo o autor de Hebreus, estamos em plena comunhão com Jesus Cristo e os santos arrolados na igreja celestial (vd. Hb.12:21-24). Assim, o mesmo Espírito que nos faz ter comunhão com Cristo também nos faz ter comunhão com os santos, que não estão mortos, mas vivos em Deus, o Deus que está conosco.

A crença na intercessão dos santos já estava presente em Israel antes que houvesse cristianismo e não se refere unicamente aos que foram canonizados pela Igreja, mas a todos que, em qualquer tempo, viveram vida justa e santa, mesmo antes da encarnação de Jesus. Em 2º Macabeus 15:11-15, vemos o relato histórico do ânimo e a coragem que vieram sobre os guerreiros de Israel, quando Judas Macabeus descreveu a visão que teve do sacerdote Onias e o profeta Jeremias, já falecidos, de mãos levantadas, intercedendo por eles.

A verdade é que recorra você ou não à intercessão dos santos, eles sempre estarão intercedendo, junto ao Pai, pelo êxito da causa por qual viveram e morreram. Seu pedido de intercessão pode não fazer com que um santo rogue mais do que já o faz, ou que Deus trabalhe mais do que já trabalha, mas certamente fará com que você nutra maior confiança e esperança na graça de Deus. Você pode até se achar no direito de dispensar as orações dos santos, como pode também dispensar as orações de qualquer conhecido seu. Mas não terá nenhum fundamento bíblico para dizer que não se pode recorrer a essa graça. Lembre-se de que a igreja sempre se sustentou na oração de uns pelos outros. Diante disso, coisa preciosa é contar com as orações daqueles que servem a Deus dia e noite, com uma intimidade com o Pai, da qual nenhum mortal é capaz.

Assim jamais rezamos sozinhos, pois temos a certeza de que uma legião de anjos e santos rogam conosco. Tal qual essa graça trouxe ânimo aos guerreiros israelitas que lutaram ao lado de Macabeus, temos a esperança de que traga também a nós a confiança e a força de sabermos que como corpo de cristo, somos muito mais fortes e maiores do que aquilo que os olhos podem ver.

Mediador, há somente Jesus. Intercessores, aqui ou lá, somos muitos.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

PIMENTA NOS OLHOS DOS OUTROS...

Por Julio Zamparetti

Não há como negar: o espírito protestante não suporta mais o protestantismo. Como já diz o velho ditado: "pimenta nos olhos dos outros é colírio". Depois de 500 anos da Reforma Protestante o que se vê da maioria dos filhos da reforma é um grupo de gente que perdeu o rumo. A verdade é que a maior parte dos protestos levantados, pelos reformadores do século XVI, se encaixam muito melhor à própria igreja evangélica de hoje do que aos protestados daquela época.

Naquela época se protestava a venda de indugências, mas hoje são os filhos da reforma que "resolvem" qualquer problema à base da "oferta de sacrifício", vendendo assim a promessa de vida abundante aqui e salvação garantida depois da morte. Outro exemplo típico dessa exploração é o fato de venderem Bíblias por R$ 900,00 sob argumento de que ao comprador será liberada uma unção de prosperidade.

Naquela época se questionava o poder absolutista do Papa, mas hoje são os filhos da reforma que se colocam como donos da verdade e elevam seus líderes ao status da inquestionabillidade, sob argumento de que questioná-los é rebelar-se contra o próprio Deus e rebeldia é como feitiçaria e os feiticeiros não herdarão o Reino dos Céus. E se isso não bastasse ainda recorrem ao tão citado verso "aí de quem se levanta contra o ungido do Senhor", como se não soubessem que jamais foram empossados de qualquer unção divina.

Naquela época se protestava contra o poder temporal do Papa, mas hoje são os filhos da reforma que distorcem as Escrituras para manipular o povo e constrangê-los ao "voto do cajado". Nesse viés aqueles que se dizem chamados por Cristo para serví-lo no ministério eclesiástico deixam a vocação a que foram chamados, se corrompem e corrompem as ovelhas a eles confiadas.

Naquela época se protestava contra a venda de relíquias, mas hoje são os filhos da reforma os que distribuem "gratuitamente" - aos que dão uma oferta de 30, 50, ou 100 reais (rsrs) - lencinhos, toalhinhas, fitinhas, rosas, salzinho... tudo "ungido" para afastar o mal e trazer coisas boas. A respeito disso, não posso deixar de ressaltar que esses mesmos que confiam nos objetos "ungidos" protestam contra aqueles que confiam nos objetos benzidos. Como se houvesse alguma diferença!

Naquela época se defendia a autoridade das Escrituras Sagradas, mas hoje são os filhos da reforma os que mais resistem ao confronto de sua prática de fé com a fé ensinada nas Escrituras. Não entendeu? Então experimente defender as Escrituras ante o que dizem os pregadores da teologia da prosperidade ou batalha espiritual para um de seus seguidores. Você verá que eles são incapazes de deixar de acreditar no seu apóstolo, missionário, pastor ou bispo para se renderem ao que diz a Bíblia.

Enfim, quando hoje protestamos como se protestava naquela época, chove sarrafo pra cima da gente. Não suportam mais o próprio protestantismo. Dizem que a gente ridiculariza as igrejas e escandaliza o Evangelho. Bem, só tenho a dizer que, neste blog, sou apenas um cronista, não tenho culpa pelo que seja ridículo. Quanto ao Evangelho... realmente... ele é um escândalo para quem não se dispõe a vivê-lo. Não tenho culpa da igreja evangélica se escandalizar com ele.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

DEUS NÃO TEM NADA A VER COM RELIGIÃO


Por Julio Zamparetti

É isso mesmo. A cada dia que passa estou mais convencido de que Deus não tem nada a ver com esse negócio de religião. A religião é invenção humana. Desde que o homem passou a ter alguma noção de que a vida pudesse ser algo mais do que essa simples existência, começou a formular ações que lhe provesse algum proveito no pós-morte. E záz... Surgiu a tal religião.

É por isso que todas as religiões vivem e sobrevivem em função da morte. Este é religioso porque quer reencarnar melhor, aquele segue aquela religião porque anseia uma recompensa eterna, o outro não abandona sua igreja porque tem medo de ir pro inferno, enquanto também há os que se tornam fiéis porque esperam, ao menos, ficar menos tempo no purgatório. Tire o medo do inferno e as ameaças do diabo e as religiões começam a ruir.

Não foi apenas no relato de Gênesis que a Torre de Babel foi construída. As religiões também são babilônicas. Vivem para alcançar a Deus, ou vivem para fazer de seu líder um deus, colocando-o no cume da torre. Tire as promessas de fama e prosperidade e as torres vem ao chão.

Você pode até achar que fama e prosperidade são motivos justos para se buscar uma religião. Na verdade, é exatamente por isso que a maioria das pessoas a busca. Mas se sua religiosidade serve apenas para ligar você aos seus próprios desejos, você continua só, não se religou a ninguém, muito menos a Deus.

O verdadeiro cristianismo é anti-religioso. Enquanto a religião nos propõe alcançarmos o céu, Cristo foi enfático ao afirmar que isso é impossível ao homem. Para que o homem seja salvo não lhe cabe alcançar o céu, mas pelo céu se deixar ser alcançado. Enquanto a religiosidade nos convoca a atos e rituais que nos favoreçam na morte, Cristo nos convoca a atos que em vida favoreçam o próximo.

"Reconcilia-te com teu adversário enquanto estão juntos no caminho", disse Jesus. É esse tempo de vida, de caminhada nesta terra, que nos cabe promover o Reino de Deus, pois o Reino do Pai não é próprio da  morte, mas da vida. Contrariando todo princípio religioso, Jesus manda interromper o ritual do sacrífício, pois sacrifício algum tem valor, se não sabemos viver primeiro o ministério da reconciliação, a espiritualidade da vida, que nos religa ao sofredor, ao faminto, ao necessitado, preso, ou marginalizado e até mesmo aos inimigos.

É bom termos consciência de que a religiosidade vertical é uma falácia, salvo no sentido Deus/homem. No sentido homem/Deus a religação só é possível quando buscamos Deus no próximo. Não há outra forma pela qual Deus deixe ser alcançado. Os ritos e sacramentos religiosos não podem nos levar a Deus. Segundo os próprios catecismos, eles são meios, e não fins, de graça. Meios pelos quais Deus vem a nós, a fim de que alcançados e fortalecidos por Ele, O alcancemos horizontalmente, isto é, na pessoa de quem está junto no caminho. Nesse aspecto, sim, teremos um verdadeiro religare. Não por acaso disse São Tiago: "A verdadeira religião pura e sem mácula é essa: que cuideis dos órfãos e das viúvas em suas necessidades, e cuideis de si mesmo para não se corromper com o mundo".

Então, ok. Existe, sim, um verdadeiro religare, uma verdadeira religião... Mas ela não é construída com tijolos. Ela simplesmente acontece nas ruas, orfanatos, hospitais, presídios, asilos, ou qualquer outro lugar onde alguém se dispõe a ajudar outro alguém.

sábado, 16 de junho de 2012

O DEUS DOS VIVOS

Por Julio Zamparetti

"Quanto ao fato da ressurreição dos mortos, não lestes, no livro de Moisés, na passagem da sarça ardente, como Deus lhe falou: 'Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó'? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vós estais muito enganados."

Jesus deixa claro que a ressurreição dos mortos não é um fato futuro, mas um acontecimento imediato à morte de todos os salvos. Foi Jesus quem aqui afirmou que Abraão, Isaque e Jacó estavam vivos e isso era relativo "ao fato da ressurreição dos mortos". Portanto, estou convencido de que toda essa briga que as igrejas promovem quanto a volta de Jesus e o Apocalipse não passa de uma besteira, ou melhor, uma tentativa apelativa e baixa de levar pessoas à "conversão" por meio do medo e do sensacionalismo. Pelo texto transcrito acima posso crer que Jesus está voltando, sim, a cada vez que alguém morre. Simples assim! Sem chance de qualquer babaca sensacionalista corromper as palavras de Jesus.

Aqui também cai por terra o argumento de que os santos não podem interceder por nós porque estão mortos. Ora, o Deus a quem servimos não é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó? Não é o Deus da Virgem Maria? Não é o Deus de São José, São Paulo e São Barnabé? Não é o Deus de São Francisco, Madre Paulina e de meu avô? Pois Deus, que é o nosso Deus, não é Deus dos mortos e sim dos vivos. Isso faz com que aqueles que estão em Deus, mesmo que não estejam mais entre nós, sejam tão vivos quanto qualquer um de nós que vivo está. Para aqueles que pensam diferente, Jesus disse: "Vós estais muito enganados".

Não creio que os santos nos sirvam de mediadores, como fazem alguns. Mas também não nego que nos sirvam de intercessores, como fazem outros. Se só há um mediador, como diz as Escrituras, os intercessores, todavia, são inumeráveis. Ou seja, Só Jesus Cristo é mediador entre Deus e os homens, mas todos os salvos são chamados ao serviço de intercessão uns pelos outros. Essa é uma tarefa que, nesta vida, realizamos sempre que podemos, mas os salvos que já partiram deste plano terrestre o fazem dia e noite, debaixo e diante do altar de Deus. É o que a Bíblia diz!

É por isso que tenho a certeza de que quando me tranco em meu quarto para orar, não o faço sozinho, pois sei que há um coro celestial rezando comigo.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

IGREJA, PRA QUE TE QUERO?

Por Julio Zamparetti

Quando Jesus falou que o Espírito Santo viria para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo, ele contrariou, previamente, toda expectativa que, hoje, leva tantos crentes a buscarem uma igreja "cheia do Espírito Santo".

Enquanto o Espírito Santo foi prometido para nos convencer do pecado, as igrejas tem se servido de uma espiritualidade estranha que serve unicamente para inflar o ego do sujeito, fazendo-o pensar ter virado uma espécie de quinto elemento do quarteto fantástico, e que por ter uma fé inabalável, foi convocado pelo governo dos Estados Divinos da América a compor o quadro dos Vingadores, a fim de lutar contra os poderes sobre-humanos vindos de um portal infernal que lança sobre a terra deuses (anjos e demônios) caídos nessa nossa dimensão. E nessa luta, é claro, ninguém mais tem culpa de seus erros, pois tudo se trata de uma ação maligna bem arquitetada, diante da qual o ser humano não passa de um elemento passivo e impotente. É por isso que, segundo esses neuróticos, Deus concede poder aos seus escolhidos, a fim de que esses, cheios do poder, promovam a libertação dos cativos, como guerreiros atalais e porque não dizer, verdadeiros super heróis.

Lamentavelmente muitos leitores acabaram de pensar: e não é?

Não, não é. Segundo Jesus o que o Espírito Santo faz é justamente o contrário.

O pensamento de se ter super poderes não é advindo de outro lugar, senão de nossa imaturidade. Adorava ver meus filhos, aos 10 anos de idade, brincarem de super herói, dando golpes no ar, enfrentando monstros e vilões intergalácticos em sua imaginação. Isso é saudável para uma criança, mas o mesmo não se pode dizer se quem passasse as tardes brincando assim fosse eu, no alto de minha idade.

O Espírito Santo não nos faz pensar ser super crente, ao contrário, nos convence de que somos pecadores. Também não nos faz pensar que somos superiores a alguém, mas nos faz entender que somos todos iguais. O fato é que a maioria das pessoas que busca uma igreja, o tem feito, ou com o anseio de realizar seus desejos na base do "eu determino", ou com o intuito de mascarar sua vida de podridão e falsidade. Em ambos os casos a última coisa que se quer é admitir o pecado.

Portanto, uma igreja cheia do Espírito Santo não é aquela que te faz se sentir santo, chorar de emoção, entrar em transe, andar nas nuvens e tocar os céus. Uma igreja cheia do Espírito Santo é aquela que te leva a se esvaziar de si mesmo, reconhecer o pecado, despir-se das máscaras, encarar a realidade e ainda assim ter esperança.

Outra característica de uma igreja cheia do Espírito Santo é que nela o Espírito nos convence da justiça. Comumente, quando pensamos em fazer justiça, pensamos em vingar um mal, descobrar um desaforo ou cobrar uma dívida. Cabe, aqui, lembrar das palavras de São Tiago que diz: "A ira dos homens não cumpre a justiça de Deus". Isso porque a justiça de Deus é equidade. Isto é, sua justiça nos faz todos iguais. Enquanto os homens operam a justiça para condenação, Deus a opera para justificação. Assim, ao pensar em justiça sob os critérios divinos, devemos pensar em perdoar um mal, esquecer um desaforo e até mesmo pagar uma dívida de alguém.

Portanto, uma igreja cheia do Espírito Santo não é aquela que julga ser sem fé o que está doente, mas o consola na sua aflição; não pensa mal do que está fraco, mas lhe sustenta com a força que lhe falta; não pisa no caído, mas se abaixa como semelhante para juntos se levantarem; não discrimina o pobre, nem cogita que sua pobreza seja por falta de fé ou por causa de "pecado oculto", antes estende a mão para o ajudar; não condena o pecador, mas, por entender que é igualmente pecadora, o ama incondicionalmente, tal qual Cristo a amou.

Por fim, o Espírito Santo nos convence do juízo. Assim, temos a certeza de que nada escapa aos seus olhos. Não adianta usarmos da igreja para escondermos nossos pecados ou para nos afirmarmos diante dos homens, pois Ele tudo vê; nem podemos nos valer de leis e dogmas religiosos para discriminar alguém e nos eximirmos de ajudá-lo, pois a verdadeira religiosidade, aquela que segue o curso do Espírito, nos convence do contrário.

Então prosseguimos. Certos de que de tudo que fizermos - especialmente de nossa religiosidade - cedo ou tarde, daremos conta.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

ABORTO DA CONSCIÊNCIA

Por julio Zamparetti


A anencefalia é a terceira causa legalizada para o aborto no Brasil. Qual será a quarta? Aonde vamos parar? Isso me assusta muito! Parece que estamos dando vazão ao pensamento daquele louco assassino que queria uma raça pura, sem defeitos. Tenho a sensação de estar assistindo o surgimento de um New-Hitlerianismo.

O que está em jogo não é apenas o direito de abortar uma vida, mas de abortar a consciência de toda sociedade. Nossa gente, há tempos, vem cultivando trivialidade, consumindo enlatados, fast foods, preferindo descartáveis, se relacionando virtualmente; não sabe mais se relacionar pessoalmente, amar incondicionalmente, viver ou morrer por alguém, ter compaixão. Nossa mente tem sido condicionada a valorizar o sucesso, a fama, a juventude, o dinheiro, a beleza física, a estética, ao mesmo tempo em que desaprendemos a valorizar o que é essencial e verdadeiro.

É muito mais fácil divorciar-se do que promover a restauração do casamento; é muito mais fácil romper relacionamentos do que perdoar; é muito mais fácil correr dos problemas do que solucioná-los; é muito mais fácil descartar os idosos do que cuidar deles; é muito mais fácil se isolar do que conviver com os defeitos dos outros; é muito mais fácil abandonar um filho com deficiência do que viver suprindo sua carência; é muito mais fácil abortar uma vida do que amar incondicionalmente. Mas, enfim, essa é a geração das facilidades, em que tudo - tudo mesmo - é descartável. Isso não é um problema de simples religiosidade, mas de formação intelectual de uma nação. Poderemos pagar o preço disso que estamos semeando? Duvido. A certeza que tenho é que amanhã os descartáveis seremos nós.

Ao contrário do que muitos pensam, conviver com pessoas com deficiência não é martírio; martírio é a morte de um inocente. Legalizado ou não, isso não muda o fato de que caminhamos rumo a uma sociedade cada vez mais intolerante com os doentes, os velhos e os especiais. Defender a vida e o direito desses, também é inclusão.

Para encerrar, deixo aqui um questionamento pertinente: O que doe mais, gerar um filho que terá pouco tempo de vida e dar-lhe um enterro digno, ou tira-lo à força, mutilando seu corpinho indefeso num procedimento abortivo, mesmo sabendo que ali existe uma vida, uma alma vivente, um filho seu?