quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

AUTORIDADE? ISSO?!

Por Julio Zamparetti



Disse o apóstolo São Paulo: "Estejais sujeitos às autoridades porque toda autoridade é constituída por Deus... quem a resiste resiste a Deus e acarretam sobre si condenação" (vd. Romanos 13.1,2).

Honestamente acho este um versículo muito duro de engolir. Bom parece para os aproveitadores que usam disso para por seus fiéis submissos sob suas garras. Junto a este texto emendam "aí de quem se levantar contra o ungido do Senhor", ou "a obediência quebra maldição". Cansei de ouvir essa balela da boca de quem nem sabe o que está dizendo. Afinal, quem diz isso sempre busca o benefício próprio, tomando do texto Sagrado apenas a parte que lhe interessa.

Vamos então à outra parte:

Embora a carta seja remetida aos serviçais, seu recado, por tabela, é nitidamente focado aos "poderosos". No mesmo texto, Paulo também diz: "porque as autoridades são ministros de Deus para o teu bem" (v.4). Ou seja, a verdadeira autoridade só é autoridade de verdade se não busca os interesses próprios, mas almeja o bem do povo. A verdadeira autoridade é aquele que serve aos outros e não a que se serve dos outros.

Paulo ainda lembra que aos ministros pagamos o tributo devido (v.6). Ora, quem recebe soldo é empregado. Patrão é quem paga e quem paga espera serviço. Os ministros de Deus, políticos ou religiosos, têm direito de receber por seus serviços? sim. Mas são pagos para servir e não para serem servidos.

Portanto, autoridade que não busca o bem do povo, não é ministro de Deus, não é autoridade verdadeira, e, portanto, eu não devo sujeição, nem respeito algum a qualquer um que se faz valer do cargo ou título para saciar seu bel-prazer.

Agora convenhamos: é bom fazer uso apropriado do chapéu que nos cabe. A verdade é que a política não corrompe ninguém, apenas dá a oportunidade do corrupto se manifestar, porque a corrupção é formada, principalmente, no mal exemplo absorvido na infância. Logo, não adiante de nada descer o sarrafo nos políticos enquanto criamos nossos filhos (que serão os políticos de amanhã) com o exemplo e o intuito de pensar unicamente em seu bem estar. Nem adianta reclamar dos religiosos aproveitadores se você também procura a religião para se servir dela.

Por fim, todos nós somos incumbidos de alguma autoridade. E ao contrário do que muitos pensam, autoridade é serviço. Ter autoridade religiosa é servir ao próximo, ter autoridade política é servir ao povo, ter autoridade no trabalho é servir para que todos trabalhem melhor, ter autoridade familiar é servir de exemplo para os filhos, ter autoridade financeira é servir do próprio dinheiro para ajudar os pobres.

E você, tem autoridade de verdade?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

COMO OUVIR JESUS?

Por Julio Zamparetti


Após a publicação da postagem 'INTERCESSÃO DE MARIA', uma amiga leitora enviou-me um email perguntando: COMO OUVIR O QUE JESUS ESTÁ ME DIZENDO?

Sei que ela não é a única a se perguntar isso. Por isso decidi transcrever abaixo a resposta que lhe enviei por email. Embora não haja nada de novo na resposta, certo é que muitas vezes deixamos de ser felizes por esquecer coisas tão óbvias.

COMO OUVIR O QUE JESUS ESTÁ ME DIZENDO? Vamos ver a questão de outro ângulo. E deste novo ângulo a pergunta correta seria: COMO NÃO OUVIR O QUE JESUS ESTÁ ME DIZENDO? A verdade é que Jesus se cercou de tantos meios para falar conosco, que é difícil entender como alguém pode não ouvi-lo! Vejamos: as Escrituras, a tradição, os sacramentos, a consciência, o silêncio, a natureza, os padres, os mestres, os irmãos, os amigos, o sorriso das crianças, o conselho dos idosos, a simplicidade dos pobres, o brilho das estrelas, a beleza da flor, o canto dos pássaros, o calor do sol, o frescor do vento, o enigmatismo da lua, a incógnita do infinito, o temor do desconhecido, são meios pelos quais Deus nos fala, e nós sempre reconhecemos sua voz; ao menos quando temos boa vontade e a interpretamos sob o ardor do amor a Deus e ao próximo.

Uma observação sobre a ilustração acima: fica bem mais fácil ouvir Jesus, quando nos portamos simplesmente como humanos; sem aquele "evangelho" repelente, alienante e alienígena; sem aquela máscara de santarrão de outro mundo. Ser o que somos é o meio mais certo de se parecer com aquele que disse: EU SOU AQUELE QUE SOU (vd. Ex.3.14).

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O ESPÍRITO DE CRISTO

Ouça a mais nova mensagem da Rádio Santa Celebração. Selecione o tema O ESPÍRITO DE CRISTO no player da rádio, e deixe esse mesmo espírito encher tua vida de graça e amor.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

INTERCESSÃO DE MARIA

Por Julio Zamparetti


Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho. Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou. Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser. (João 2.3-5)

Posso crer que ainda hoje a Mãe Santíssima continua indo a seu filho Jesus para dizer: Jesus, tá faltando vinho na festa; faltando alegria para o Julio, o João, a Joana, a Maria, o Brasil... E muitas vezes a resposta de Jesus continua a mesma: não posso fazer isso só pra te agradar mãe, não está na hora de eu agir.

Na hora da angústia, da dor e do sofrimento, isto é, quando acaba o vinho, milhares recorrem à Virgem Santa, mas poucos dão ouvido ao que ela diz: "fazei tudo o que Ele vos disser". Na verdade muita gente pede orações, mas poucos estão dispostos a Cristo. Que pena! Pois a hora de Jesus agir, ou seja, a hora do milagre é a hora em que obedecemos o que Ele nos diz.

A todo instante você pode contar com as intercessões da Bem aventurada Virgem Maria e todos os anjos e santos no céu e na terra. Mas não esqueça da parte que lhe toca: "fazei tudo o que Ele vos disser".

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

JESUS NA FESTA

Por Julio Zamparetti



Ao terceiro dia houve um casamento em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus; e foi também Jesus, com seus discípulos, convidado para as bodas. (Jo.2.1)

Duas coisas me chamam a atenção neste versículo:

1- Jesus ia à festas. Isso me mostra que ser parecido com Jesus (propriamente ser cristão) não é viver em clausura, mas viver a vida de maneira ampla e responsável, seja no âmbito religioso, político, social, profissional e familiar. Acredito que as pessoas formam o ambiente e não o contrário. E antes que alguém me contradiga, quero dizer que o ambiente pode, no máximo, revelar a forma latente da pessoa. Por isso, ninguém pode lançar a culpa de seus erros sobre outrem, senão a si próprio.

2- Jesus foi convidado para uma festa. Geralmente as pessoas convidam Jesus para os funerais, para as horas de aperto, para as situações de medo e confusão. Enquanto nas festas... bem, nas festas tudo o que não se quer é ter Jesus por convidado. Nessas horas o negócio é deixar rolar a festa, e que esta role sem culpa, sem caretice, sem papo de religião; em outras palavras, como o diabo gosta. Por sinal, este sim tem sido o grande convidado da maioria das festas.

Não convide Jesus para fazer parte apenas de seus momentos tristes; não o deixe para a velhice; faca-o seu convidado para todos os momentos, inclusive suas festas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Rádio SANTA CELEBRAÇÃO

A partir de agora você pode ouvir nossas mensagens gravadas nas celebrações dominicais, louvar a Deus e receber as orações através de nossa rádio virtual. basta acessar este blog e escolher, no player localizado a direita de seu monitor, o tema que deseja ouvir. então é só abrir o coração e receber muita luz de Deus.

Um abraço a todos,
Revdo. Julio Zamparetti

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O MATRIMÔNIO PODE SER NULO?

Por Julio Zamparetti

Segundo os cânones da Igreja Católica Apostólica Romana, um casamento pode ser considerado nulo quando for comprovado que não houvera vínculo pelo qual o sacramento seja válido. Isto é, casamento sem amor não vale.

Depois de 13 anos de casamento, 3 filhos, o espertalhão diz: pensando bem, nunca te amei, quero casar com outra por quem me apaixonei. Te amar não deu, nosso casamento não valeu, vou pedir que o bispo declare isso.

Os cânones permitem a exclusão total do matrimônio com o objetivo de honrar a dignidade do sacramento, arrumando assim os erros dos casamentos arranjados nos acordos entre os coronéis, reis, ou mesmo aqueles em que o pai da moça acompanhava a marcha nupcial com um trabuco junto à orelha do noivo fujão.

O problema é que como não existe um amorômetro para medir o amor existente entre os nubentes no dia do casamento, basta o fanfarrão dizer que casou sem amor e tem aí um belo argumento para pedir a declaração de nulidade do casamento. E quem poderá dizer o contrário? Quem poderá dizer se ele a amava ou não? Pronto! Verdade é que bagunçaram com o que servia para arrumar!

O começo dessa bagunça se dá numa falsa interpretação bíblica difundida pela igreja de Roma. Dizem que “o que Deus uniu o homem não separa”. Mas o texto bíblico não diz isso. Diz, sim, que “o que Deus uniu o homem não separe”. O verbo é imperativo, trata-se de um dever. Uma versão católica diz: “O que Deus uniu o homem não deve separar”. Quem casa tem o dever de manter o casamento enquanto ambos viverem. Entretanto, em lugar algum das escrituras é afirmado que se alguém não cumprir seu dever aqui, Deus manterá o vínculo no céu. Por isso, mesmo que o divórcio seja contra o desejo do Altíssimo e só tenha sido concedido por Moisés por causa da dureza dos corações, divórcio dado aos homens é divórcio consumado diante de Deus. Pois é inútil afirmar união enquanto os corações estão separados, principalmente diante de Deus que vê justamente o coração. Ademais, de que adianta negar o divórcio se continuamos com os corações tão endurecidos quanto os corações dos contemporâneos de Moisés? Isso é um típico caso em que se combate o efeito sem tratar a causa.

Logo, o pecado não está em casar-se novamente, mas sim em separar-se. A declaração de nulidade do casamento, além de ser enganosa, desmoraliza e enfraquece a instituição do matrimônio, subjetivando o sacramento e dando ao demandante a falsa sensação de que é apto a casar-se novamente.

As Escrituras dizem que os dons de Deus são irrevogáveis. Se isto vale para dizer que não há divórcio diante de Deus, também vale para dizer que não há nulação. Entretanto, o divórcio é algo que não deve, mas pode acontecer. A nulação, todavia, é negar os fatos, a história e a vida, coisa que não se deve, nem se pode fazer.

Se não podemos resolver o problema da dureza de coração que leva ao divórcio, negar o direito ao segundo casamento também não é solução, pelo contrário, é só mais um problema.

Talvez o pior fator que componha este cenário seja algo de que a Igreja não se deu conta: se um casamento é nulo pela falta de vínculo, outros sacramentos também são nulos pela mesma razão. Isso subjetiva todos os sacramentos e põe em xeque a autenticidade da igreja. Por exemplo, um padre pode ter sua ordem nula por falta de vocação. E não são poucos os que, ao longo da história, ingressaram ao sacerdócio e até chegaram a ser bispos, unicamente por pressão familiar ou acordos políticos. Usando da mesma medida usada para se declarar nulo um casamento, caberá também declarar nula muitas ordenações e, por conseqüência, igualmente nulos todos os sacramentos ministrado pelo padre nulado.

Falta à igreja usar para com os leigos a mesma medida com que se faz valer ao clero; objetivar o matrimônio da forma como objetiva as sagradas ordens; e usar para com todos a mesma misericórdia com que Cristo usa para conosco, dando sempre uma segunda chance.