Voltando de Recife, meu vôo atrasou, então perdi o último ônibus que havia, naquela noite, para que eu viajasse de Florianópolis para Tubarão, onde moro. Eu tinha certeza que Deus providenciaria um meio de não passar a noite naquela rodoviária, mas Deus providenciou-me, sim, uma experiência inesquecivel: uma noite de maltrapilho, junto aos andarilhos. O primeiro ônibus só partiria às 08:15 da manhã seguinte. O que se passou em minha alma, expressei lá mesmo, escrevendo o que se segue:"...quero que meus textos sejam comidos. Mais do que isso: quero que eles sejam comidos com prazer. Um texto que dá prazer é degustado vagarosamente. São esses os textos que se transformam em carne e sangue, como na eucaristia." (Rubem Alves)
terça-feira, 7 de junho de 2011
UMA NOITE DE MALTRAPILHO
Voltando de Recife, meu vôo atrasou, então perdi o último ônibus que havia, naquela noite, para que eu viajasse de Florianópolis para Tubarão, onde moro. Eu tinha certeza que Deus providenciaria um meio de não passar a noite naquela rodoviária, mas Deus providenciou-me, sim, uma experiência inesquecivel: uma noite de maltrapilho, junto aos andarilhos. O primeiro ônibus só partiria às 08:15 da manhã seguinte. O que se passou em minha alma, expressei lá mesmo, escrevendo o que se segue:quarta-feira, 1 de junho de 2011
ORAÇÃO E SILÊNCIO
O que dizer a Deus na oração? Alguns dizem não saber o que dizer e por isso não oram. Mas oração, mais do que falar com Deus, é também ouvi-lo, e isso requer intimidade. A intimidade nos proporciona a liberdade de falar, ao amigo íntimo, todas as angústias, ansiedades, pecados, fraquezas, decepções, desamores e desafetos. A verdade é que sempre temos algo novo para compartilhar com nosso amigo íntimo. Mas essa mesma intimidade provoca abertura para que possamos ouvir, do amigo, palavras doces ou duras, de incentivo ou de repreensão, porque um amigo verdadeiro e verdadeiramente íntimo não fala ao amigo apenas o que esse deseja ouvir, mas também lhe falará o que precisa ouvir.Todavia, a oração ainda é mais do que falar e ouvir, é também silêncio, total e absoluto. E quando, nessa hora, pensamos estar mergulhados na solidão, Deus se revela a nós da maneira mais ampla que possamos suportar. O silêncio é capaz de nos fazer transcender a intimidade fraternal, para nos lançar numa espécie de intimidade conjugal com o criador do universo. Nesse instante, as palavras tornam-se dispensáveis, afinal, elas seriam incapazes de expressar essa experiência...
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“No silêncio Tu estás”
Julio Zamparetti
Recife, 31 de maio de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
PASTOR É PRESO POR DIZER QUE HOMOSEXUALISMO É PECADO
Publicado em: quinta-feira, 12/05/2011 14:29h | Em No Mundo, NotíciasBritânico Dale McAlpine foi detido na rua por policial que ouviu declarações anti-gay
O jornal britânico The Daily Telegraph noticiou que um pastor foi preso depois de ter dito durante sermão na rua que homossexualismo é um pecado.
Dale McAlpine foi acusado de causar “alarme, intimidação e angústia” depois que um policial comunitário ouviu o pastor batista mencionar vários “pecados” citados na Bíblia, como blasfêmia, embriaguez e relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo.
O pastor de 42 anos prega nas ruas de Wokington, na região de Cumbria, no noroeste da Inglaterra há anos, e disse que não mencionou homossexualismo quando fazia o sermão do alto de uma pequena escada, mas admitiu ter dito a uma pessoa que passava que acreditava que a prática era contrária aos ensinamentos de Deus.
O policial Sam Adams identificou-se ao jornal Daily Mail como um agente de ligação entre a polícia e a comunidade gay e transexual e avisou o pregador, que distribuía folhetos e conversava com as pessoas nas ruas, que ele estava violando a lei. Mas ele continuou pregando e foi levado para a prisão, onde permaneceu por sete horas.
Para um outro jornal britânico o pastor disse que o incidente foi “humilhante”.”Eu me sinto profundamente chocado e humilhado por ter sido preso em minha própria cidade e tratado como um criminoso comum na frente de pessoas que eu conheço,” disse ele ao Daily Telegraph.
Semanas atrás um juiz britânico decidiu que não há proteção especial na lei para crenças cristãs durante um julgamento de uma ação movida contra um organização que demitiu um terapeuta de casais por se recusar a atender casais gays alegando que isso seria contra seus princípios cristãos.
Fonte: http://igrejadeperus.blogspot.com/
sexta-feira, 13 de maio de 2011
FERIMOS A NÓS MESMOS
Aquele menino ganhou uma espingarda de pressão de seu padrinho aos onze anos de idade. O pai agradeceu, mas notava-se em seu rosto uma certa preocupação. O menino saiu pelo pomar para experimentar com alegria seu presente. A primeira vitima foi um pardal, porém quando o pássaro caiu, o menino sentiu uma certa crise de consciência, e foi procurar o pai. Encontrou-o tirando as moscas e insetos presos em uma teia de aranha, e colocando-os numa caixa de fósforo vazia. Para que isso pai?...foi sua pergunta. Recebeu como resposta: “venha comigo e eu te mostro”.Quando chegou ao jardim, mostrou-lhe entre as folhagens do jardim um ninho, onde se achavam quatro filhotes recem nascidos. E tirando os insetos e moscas nos biquinhos abertos dos pequenos passarinhos. Então o menino compreendeu o motivo, e entristecido se juntou ao pai na missão de alimentar os filhotinhos. A noite o pai os agasalhou com um pano de algodão, porém na manhã seguinte entrou no quarto do menino com o primeiro passarinho morto, e na noite do mesmo dia, antes do jantar morreu o segundo. Assim foi o terceiro, e o quarto seguiu o mesmo caminho depois de tentar sair do ninho sozinho sem o apoio da mãe.
Então o menino desabou em prantos dizendo: "pai, a culpa é minha! Fui eu que matei a mãe deles!”. O pai respondeu: "eu sei meu filho, eu vi você fazer aquilo. Mas não fique preso ao remorso, quase todos os meninos de sua idade fazem o mesmo. A minha atitude teve a intenção de mostrar a você que ferindo alguém, ferimos ao mesmo tempo outras pessoas, inclusive as que amamos, ou as que nos amam. Porém com o tempo descobrimos que o maior ferimento foi em nós mesmos!”
sexta-feira, 6 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
A CRUZ BASTARIA
A mensagem da cruz protagonizada na história de Jesus Cristo é, sem sombra de dúvidas, a mais poderosa mensagem que a humanidade recebeu em toda a sua história. Ela por si, seria, se compreendida e internalizada pelo ser humano, suficiente para transformar a humanidade.
A cruz contém e transmite a maior expressão possível de amor, abnegação e vida de amor ao próximo. Ela é o símbolo daqueles para quem a vida é maior que o próprio ser; para quem os limiares de sua existência terrena não limitam a essência de sua vida; para quem descobriu que viver somente para si não faz jus ao propósito de existir. De acordo com o princípio didático da cruz, a vida só faz sentido quando nossas causas são maiores que nossa estatura, quando não se vive por amor ao próprio umbigo, quando sabemos ser o menor dentre os menores, lavando-lhes os pés, dando-lhes a própria vida, comunicando-lhes a própria alma.
O que faz a vida ter sentido é a causa por qual se vive. E que maior causa há do que servir os pequeninos? Não foi essa a causa defendida pelo Grande Mestre? Ele se fez pequenino para ensinar o caminho da grandeza.
Nisso os céticos prestam um grande serviço à fé. Pois quando tentam desdivinizar o Mestre, provam sua humanidade. Ora, o princípio da cruz nos ensina que Ele não seria tão divino se não se fizesse tão humano; não seria Senhor se não assumisse a condição de servo; não seria o primeiro, o Alfa, se primeiro não se fizesse o último, o Ômega. A verdade é que Deus não seria tão grande, não houvesse antes feito a si mesmo tão pequeno; não seria soberano se não fizesse da cruz o seu trono. E quanto a nós não somos seus filhos se não agimos de forma semelhante ao Pai.
Enquanto alguns eliminam a cruz das paredes e do peito, outros a limitam a um mero objeto decorativo. Mas o pior nisso tudo é que a cruz tem sido eliminada da fé e da convivência social.
A cruz é eliminada da fé quando o propósito pelo qual é buscada visa o eu: fé para enriquecer, fé para prosperar, fé para casar, fé para ganhar o céu de preferência aqui e agora. Em suma, toda fé empreendida pelos crentes hodiernos não tem outro alvo senão benefícios a si próprios. E eu pergunto: Onde está a cruz deste “evangelho”?
A cruz também tem sido extinguida na esfera da convivência social. Não é a toa que temos tanta gente egoísta, sem menor sensibilidade em relação ao sofrimento alheio, e não são poucos os que chegam a se aproveitar das desgraças alheias para faturar mais, explorando até a última gota de quem já não tem sangue para dar.
A cruz remete-nos ao amor, pois sem amor a própria cruz não tem sentido de ser. Foi por amor que Ele morreu, e só o amor nos leva a doarmos nossa vida, nosso tempo e dinheiro por aquilo que não seja o eu. É por isso que a cruz é o lugar constante de quem ama. Pois, como ensinou o Santo Apóstolo Paulo, como Cristo deu sua vida por nós, devemos nós dar a vida pelo próximo.
A mensagem histórica da cruz bastar-nos-ia para mudar o mundo, para sarar nossos relacionamentos, para sabermos viver, para aprendermos a amar. Isso tudo se fôssemos capazes de aprendermos o que dela sabemos e vivermos o que dela aprendemos.
Viver o que da cruz se aprende é um milagre. Mas o milagre não está na aljava da cruz, mas sim da fé que se fundamenta na ressurreição. Graças à ressurreição nossa fé não é vã, nossa caminhada não é solitária, nossa força é complementada. É nessa fé que somos acercados da certeza de que Ele vive, não estamos sós, tomar a cruz e segui-lo agora é possível.
Na cruz Ele nos dá uma razão para viver e amar. Na ressurreição nos proporciona a segurança para dar a vida em amor ao próximo. Assim a ressurreição nos remete, irremediavelmente, à cruz, todavia, já não mais sob o prisma histórico, mas sim miraculoso, mostrando-nos e assegurando-nos que a vida é mais do que possamos viver e muito mais do que possamos imaginar.
Tudo isso tenho dito com aquEle, por aquEle e naquEle que é a Vida.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
O DESCORTINAR DA FACE DE CRISTO – DOS RAMOS À CRUZ
Certamente soava doce aos seus ouvidos a aclamação de toda aquela gente que dizia “bendito o que vem em nome de Senhor” e com ramos e palmas bradava “hosana ao Rei”. Eis o Cristo que todos esperavam: adentrando triunfantemente à cidade de Davi para assumir seu posto por direito, para libertar seu povo da tirania daquele, Herodes, que, contam os historiadores, ao outro lado da cidade entrava soberbo com sua guarda imperial e seus cavalos imponentes. De um lado o imperador sobre seu cavalo rodeado por sua tropa. Do outro lado o Cristo sobre um burrico rodeado pela multidão.
O Cristo aclamado nessa ocasião era o curador, expulsador de demônios, o milagreiro, aquele que devolveria o reino a Israel. Todos esperavam uma revolução, achavam que Ele viraria a mesa, fizesse um golpe de estado. Os anúncios de que seu reino não viria de forma aparente, mas se daria no interior de quem cresse, foram ofuscados pela euforia do momento. De fato, ninguém poderia imaginar o que estava por se descortinar.
Qualquer semelhança com os nossos dias não é mera coincidência. Já dizia o sábio que “as pessoas nascem e morrem e o mundo é sempre o mesmo”. Ainda ouço as pessoas com ramos nas mãos aclamando Cristo por seu libertador, curador, consolador, milagreiro, prosperador. Mas poucos dentre essa gente têm consciência do que essa semana o reserva. É por isso que ainda hoje, tal qual foi há dois mil anos, as mesmas vozes que o conclamam por seu Rei no domingo, gritam crucifica-o nas santas sextas-feiras da vida.
Ainda o crucificamos quando negamos pão ao faminto, condenamos a prostituta, excluímos os homossexuais, discriminamos os indígenas, aprovamos o aborto de fetos diagnosticados com Síndrome de Down, negamos os direitos dos negros, desprezamos os órfãos e “moleques de rua”, impedimos que cheguem a Cristo aqueles a quem Cristo chama, excluímos da Santa Mesa aqueles por quem Cristo entregou sua carne e sangue.
O Cristo ressurreto não revela sua face apenas por ocasião do dia de ramos, mas também no serviço ao próximo, lavando os pés dos seus discípulos e, principalmente, tomando sobre si as dores e sofrimentos alheios. Quem quiser segui-lo deve saber que este caminho não se resume às aclamações e triunfos, mas se estabelece, principalmente, na abnegação e doação. Pois, como dizia o Santo apóstolo Paulo, assim como Cristo deu sua vida por nós, devemos nós dar a vida pelos outros.
Páscoa é festa da ressurreição de Cristo, pela qual nos apropriamos do espírito de renovação, de força para vivermos uma nova vida. Entretanto, entre a aclamação e a ressurreição não há ponte, há, sim, um caminho estreito, diga-se de passagem. Nesse caminho os passos são distintos e impreteríveis, a saber: o serviço ao próximo e a doação de si. Não vive plenamente quem vive para si. Pode apostar, o Mestre estava certo: “quem perde sua vida por amor de mim encontrá-la-á”.
Você pode encontrar o Cristo aclamado procurando-o nos templos, nas catedrais, capelas, grutas, romarias, programas de rádio e televisão. Mas o Cristo ressurreto só se encontra nos famintos, sedentos, andarilhos, mal-vestidos, presos, sofredores e excluídos. Quem se dispõe a servir e dar sua vida, tem parte na sua ressurreição, é nova criatura, encontrou a vida.