sexta-feira, 18 de março de 2011

QUARESMA – TEMPO DE ENCONTRAR TEMPO

Por Edmar Pimentel

O período mais enriquecedor e cheio de simbologia no ano litúrgico tem gradativamente perdido seu intento mais profundo na vida da comunidade cristã. Tem empobrecido. Quem não se lembra dos tempos de outrora em que nossos pais diziam que não se faz isso, não se come aquilo, reza-se um pouco mais, priva-se de fazer algo mais extravagante e tantos outros itens que devem estar borbulhando na mente de todos nós. Em alguns lugares do país eram cautelosos até com a cor das roupas sem falar no jejum e nas orações que eram multiplicados nesse período.

É... A Quaresma já não é vista como antes. O que mudou? A nossa vida agitada, a “instantaneidade” das coisas, a pressa da navegação on-line e tantas outras questiúnculas na velocidade da luz que tem nos privado de ver a beleza e a espiritualidade próprias desse tempo.

Vivenciar calma e pausadamente cada passo desse momento é fundamental para reflexão e experiência pessoal. A Igreja é desafiada a refazer os passos messiânicos e sobre eles refletir buscando aplicar à sua vida o resultado desse aprendizado. Nesse período ela deve meditar no passo a passo da ultima semana de Jesus antes da gloriosa ressurreição: a entrada triunfal, o brado do povo, os ramos, o jumentinho, o lava pés, a ultima ceia, o ultimo discurso, a oração sacerdotal, as trinta moedas, o canto do galo, a angustia na cruz, as sete palavras finais e o ultimo suspiro, as trevas, o sábado tenebroso e as boas novas na madrugada do domingo. Quantas lições de vida, quanta oportunidade de crescimento.

Refletir nisso tudo, não é desejar novamente que se repita o que foi feito a Jesus, antes é descobrir novas lições práticas para cada um e todos nós. É voltar três anos antes nas margens do rio Jordão e entender as palavras de João Batista: Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. É descobrir-se pecador envolvido em amor. É aprender com o silêncio. É reconhecer as limitações, encontrar-se com a Graça inefável. É sentir-se solidário e descobrir-se cristão.

Antes de sair às compras do chocolate para as crianças e da carne branca para o almoço, entre no seu quarto, feche a porta e reze ao Pai em secreto, que em secreto Ele responderá.

Para isso precisarás de tempo. Tempo para ti, para os teus e tempo para Deus. Quarenta dias, quarenta minutos, quarenta segundos... Quaresma!

quinta-feira, 17 de março de 2011

ENQUANTO O FIM NÃO VEM

Por Julio Zamparetti

Mais uma catástrofe e mais gente se imbui de anunciar o fim do mundo. Não sei quantos fins ainda serão anunciados, mas sei que os mercados faturam alto com essa especulação. O mercado cinematográfico fatura milhões de dólares ocupando, provavelmente, o segundo lugar no ranking mundial. Sim, possivelmente, o segundo lugar, porque estou convencido de que quem fatura mais alto é o mercado religioso.


Até mesmo seguimentos equilibrados do meio religioso, ultimamente, têm se rendido ao frisson do apelo sensacionalista que arrasta milhares de pessoas ao redil da religiosidade pela promessa de segurança em meio ao caos. Neste ínterim, a fim de que a religião seja sempre mais útil, faz-se necessário que a tragédia seja tanto maior. É nesse ponto que muitos religiosos caem na falácia de presumirem que quanto pior, melhor.


Não quero, aqui, fazer pouco caso dos problemas ambientais e das catástrofes que têm aterrorizado nosso planeta. Por outro lado, não posso me valer disso para constranger alguém a apegar-se à religião. O que posso dizer é que catástrofes naturais são naturais, por mais catastróficas que sejam. Sempre foi assim e continuará sendo assim, enquanto a Terra estiver viva. Deveríamos, sim, nos preocuparmos se a terra estivesse parando seus movimentos geológicos. Isso seria terrível, pois presumiria a morte do planeta.


O que não é natural é que tanta gente aproveite do sofrimento alheio para se enriquecer. Nesta semana, em meio à tragédia dos terremotos e a tsunami no Japão, já ouvi pregadores de renome internacional anunciando em tom profético que “isso é só o começo”; que “catástrofes muito maiores sobrevirão ao nosso planeta”. E eu pergunto: onde fica o Espírito de consolação, restauração e esperança que permeia a mensagem de Jesus Cristo e seus apóstolos?


Não venham me dizer que Jesus anunciou o fim do mundo. Somente neófitos caem nessa. O mundo do qual Jesus anunciou o fim, em Mateus 24 e Lucas 22, no texto original é aions que significa tempo, era, período, daí muitas versões o traduzirem por século em vez de mundo. Jesus estava anunciando o fim de um tempo em que os rudimentos que regiam a religiosidade e os valores humanos dariam lugar aos novos rudimentos de sua graça. Conforme o próprio Messias, isso ocorreria ainda naquela geração (Mt.24:34), e de fato aconteceu. Esses novos rudimentos são baseados no amor, na simplicidade, na reconciliação, na misericórdia e no compromisso de ser solidário para com todos que sofrem.


Não sei explicar o sofrimento humano, nem a causa de tanto terror, não quero justificar Deus, nem creio que Deus precise ser justificado. Só sei que a história nos ensina que somos capazes de superar nossas limitações e aprender em meio às dificuldades; somos aptos a recomeçar, reconstruir e sairmos das provações ainda mais fortalecidos. Portanto, prefiro ser grato a Deus que nos concede repensar nossa própria vida, nossa história, nossa espiritualidade, refletirmos sobre nosso ativismo e apego material, e exercitar a solidariedade e o espírito de consolação mútuo.


Enquanto o fim não vem, que fique longe o fim. Que haja lugar para a esperança. Que seja cada vez mais presente o amor fraternal, o espírito solidário e a força para recomeçar. Assim somos humanos, como Cristo foi; fazendo um mundo melhor, como Ele fez.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A SALVAÇÃO É INDIVIDUAL OU COLETIVA?

Por Julio Zamparetti

Sempre ouvi dizer que a salvação é algo individual. Mas, honestamente, nunca li um só versículo bíblico que afirmasse tal conceito. Ao contrário, o que encontro são vários versículos que atestam a salvação de um povo, ou de uma nação, uma raça, tribo, toda terra, ou mundo todo.

Por outro lado podemos perceber que a perdição pode ser individual. Eram cem ovelhas quando uma delas, individualmente, se perdeu. Da mesma forma a perdição do filho pródigo se deu de forma individual. É claro que também encontramos exemplos de perdição coletiva, de tal forma que Deus certa vez afirmou que seu povo (termo coletivo) perecia por falta de conhecimento. Assim, encontramos exemplos de perdição coletiva e individual. No entanto, ao que se refere à salvação só a encontramos coletivamente, nunca individualmente.

A verdade é que não precisamos de ninguém para nos perder; e na maioria das vezes nos perdemos exatamente por não ter ninguém ao lado. Não foi a toa que Deus disse: “Não é bom que o homem viva só”; não por acaso Jesus enviou seus discípulos de dois em dois.

Somos seres sociais e seja qual for nosso temperamento, se quisermos crescer como pessoas, precisamos aprender a viver em comunhão, compreendendo a necessidade que temos uns dos outros.

Não há como ser cristão individual. Não se vive cristianismo isolado. Isso porque o cristianismo não se resume em ter comunhão apenas com Deus, mas ter comunhão com Deus e com o próximo. É essa a mensagem expressa na cruz: uma haste vertical, prefigurando a comunhão com Deus e outra haste horizontal, prefigurando a comunhão com os irmãos. Afinal, se não amas teu irmão a quem vês, como podes amar a Deus, a quem não vês?

É salvo quem faz parte de um povo salvo, quem está ligado ao corpo de Cristo. Pois se alguém não está ligado a ele é como um ramo seco que para nada mais serve senão ser jogado ao fogo. Assim já dizia Santo Agostinho: “não há salvação fora da Igreja de Cristo”.

Não quero dizer com isso que a salvação esteja atrelada a alguma instituição religiosa, seja ela qual for. Afinal, muitas instituições religiosas estão longe de parecer-se Igreja de Cristo, muito embora se denominem como tal. Refiro-me à Igreja àqueles que comungam da fé em Cristo e se dispõem a viver em comunidade a serviço do próximo. Estou certo de que embora existam aqueles que vivem em comunidade sem de fato amar, é impossível que alguém que de fato ame não viva em comunidade.

A salvação não é individual porque a vontade de Deus é salvar a todos. A salvação não é individual porque não é um fim em si mesmo, a finalidade de sermos salvos é levarmos a salvação a outros que ainda estão perdidos. A salvação não é individual porque ninguém consegue salvar-se a si próprio, antes necessita da graça de Cristo que é manifestada por meio de seu corpo na terra, a Igreja. A salvação não é individual porque um dos passos do processo de salvação é o chamado, e este se dá pela voz do Espírito e a noiva (Igreja) que juntamente dizem: “vem” (Apocalipse 22:17).

Por fim, ser salvo não significa qualquer mérito pessoal. Significa sim, graça de Cristo, que move céus, terra e corações a fim de nos alcançar.

Portanto, oremos: Obrigado Senhor, por todos aqueles que o Senhor tem colocado em nosso caminho. Pois são anjos sem os quais não saberíamos encontrar-Te!

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Extraído do livro O CRISTIANISMO QUE OS CRISTÃOS REJEITAM de Julio Zamparetti

terça-feira, 15 de março de 2011

CONTRA QUEM LUTAMOS (III) demônios feitos pela alma humana

Por Julio Zamparetti


Toda vez em que o Novo Testamento traz o termo “demônio”, o texto refere-se a doenças internas, nunca externas. Ou seja, refere-se às doenças psicológicas ou psicossomáticas, nunca às doenças físicas. Em resumo, aquilo que não se sabia o que era e de onde viera, qualificava-se como demônio. Por outro lado, quando Jesus curava um paralítico, Ele não estava mexendo na alma e sim no físico, esses casos não eram relatados como se houvesse expulsado demônio. Em tais casos Ele restaurava os nervos, ossos, tecidos, veias e artérias, enfim era um milagre físico, mesmo. Não há qualquer relação bíblica entre doenças físicas e demônios, isso porque os escritores dos evangelhos atribuíram aos demônios somente aquelas doenças que não entendiam, nem sabiam a causa.


No início dos anos oitenta meu pai começou a sofrer de ataques epiléticos. Naquela época (apesar de, relativamente, tão recente) os médicos nos disseram que não sabiam ao certo o que causava tais ataques, então, nós crentes, logo havíamos proferido o “diagnóstico”: Meu pai estava endemoninhado. O que nós não sabíamos, muito menos sabiam os evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João há quase dois mil anos atrás, ao relatarem sobre a cura do lunático (Mateus 17:18), é que aquilo que chamávamos de demônio, a medicina descobriu que é, a grosso termo, um curto circuito nos neurônios. Pobre de meu pai e tantas outras pessoas que, por conta de um problema neurológico, foram discriminadas como “possuídas por espíritos do inferno” e ainda tiveram que suportar os amigos de Jó fazerem os mais absurdos “diagnósticos” das causas de tal “possessão maligna”. E assim como a epilepsia, muitos outros males vão sendo desendemonizados à medida que se descobre a enfermidade e sua causa.


Flávio Joséfo, um historiador judeu que viveu no primeiro século, relata que o rei Salomão expulsava o demônio de uma pessoa pondo em seu nariz certa raiz que ao ser cheirada o demônio saía lançando a pessoa ao chão que levantava-se completamente calma e curada de tal mal1. Ele relata, inclusive, que tal pratica era usada ainda em seus dias, exatamente como fazia Salomão. O nome desta raiz eu não sei, mas o tipo de efeito que ela causava, sabemos bem. E se hoje cheirar raiz para se exorcizar é um programa de índio, muita gente das tribos urbanas busca o mesmo efeito cheirando, injetando, inalando, fumando, tomando calmantes, etc. Situação semelhante é relatada na Bíblia quando Saul, atormentado por um espírito maligno enviado de Deus, encontrava alívio no dedilhar da harpa de Davi. De fato poucas coisas da vida são tão exorcizantes quanto uma boa música suave.


Nesta obra identificaremos três grandes castas de demônios, até aqui, identificamos duas delas: uma feita por mãos humanas (ídolos), outra feita pela alma humana, da qual configuram-se os traumas, o ódio, o desejo de vingança, de morte, de prostituição e tantos outros males que por vezes alimentamos e fermentamos em nosso coração. Acredito que a esta última se referia, Jesus, ao dizer que esta casta demônios não sai senão com jejum e oração. Afinal, jejuar é dizer não à carne, abster-se da própria concupscência, aprendendo a dizer não aos desejos enganosos do coração, pois é do coração que procedem os maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias (Mt.15:19). Abstendo-nos do mal e entregando-nos a Cristo por meio de uma vida de oração nossos demônios são vencidos em nossa própria carne.


O mais interessante é que a maioria dos crentes busca atribuir aos demônios aquilo que o próprio Jesus atribuiu ao coração (alma) do homem. Com isso, quando alguém insiste em pôr a culpa de seus maus desígnios aos demônios, deveria primeiro, assumir ser ele mesmo o próprio demônio. Com certeza, esta é a pior casta de demônios que existe, porque assumir a culpa nunca foi o forte da humanidade. Do jardim do Édem até hoje, continuamos lançando nossa culpa sobre a serpente. Aliás, é necessário entendermos que assumir a nossa culpa, em caso de desejarmos a morte, é bem melhor que pôr a culpa no “exu caveira”, assumir a nossa culpa, em caso de cometermos adultério, é bem melhor que pôr a culpa na “pomba-gira”, enfim, assumir a nossa culpa, em caso de cometermos furtos, mentiras, bebedeiras, etc., é bem melhor que pôr a culpa nos “demônios”. Afinal, o que Cristo carregou na cruz foi a nossa culpa2. Se quisermos ter nossos pecados perdoados é necessário, em primeiro lugar, assumi-los.


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1. Flávio Joséfo , História dos Hebreus. Trad. de Vicente Pedroso. Rio de Janeiro. CPAD, 1990. Pg. 200.

2. Isaías 53:4-6 – Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos”.

segunda-feira, 14 de março de 2011

BOAS PROSTITUTAS CRISTÃS

A rede ABC, que pertence ao grupo Disney, provocou indignação e protestos quando anunciou que faria um programa piloto baseado no livro Good Christian Bitches [Boas Prostitutas Cristãs], de Kim Gatlin.

Após o anúncio feito pela emissora na última semana, a AFA [Associação de Famílias da América] iniciou uma petição, exigindo que a Rede ABC e a Disney, sua companhia-mãe, cancelem todos os planos de colocar no ar o programa.

A resposta inicial da ABC foi mudar o título do seriado para “GCB”, mas a AFA não ficou satisfeita.

Embora o título do programa possa ter sido abreviado, a gravidade do insulto não foi, por isso continuaremos o protesto”, afirmou o líder de projetos da AFA, Randy Sharp. “Esta é uma maneira pela qual podemos fazer nossas vozes serem ouvidas pelos executivos da ABC.”

Vou falar por mim”, insiste Sharp. “Qualquer um que se referir a minha esposa e minhas filhas como ‘prostituta’, me deixaria muito zangado. Acho que é ofensivo simplesmente a ABC pensar que essa é uma palavra apropriada para usar para falar do sexo feminino.”

Na esteira da AFA, o Parents Television Council [Conselho de Pais e de Televisão], que já fez campanhas contra programas da MTV no passado, também se manifestou contrário à produção da ABC.

O presidente da PTC, Tim Winter, afirmou: “Isso não apenas afronta as mulheres, mas ataca frontalmente a maior religião do mundo. A palavra ‘puta’ é maldosa e usada para enxovalhar, atacar e humilhar todas as mulheres. E usar ‘cristãs’ apenas aumenta a ofensa… Será que a ABC pensou em ofender outros grupos religiosos? Como seria se eles dissessem que o programa se chamaria ‘putas’ muçulmanas, hindus, judias ou budistas?”.

A proposta da série, que mistura drama e comédia, é mostrar a vida de Amanda, que foi uma “menina má” na escola mas hoje está “recuperada”. Depois de seu divórcio, ela decide retornar com seus 2 filhos a Dallas, sua cidade natal, para recomeçar a vida.

Porém, acaba tendo de lidar com as fofocas maliciosas das mulheres da comunidade cristã. O foco é abordar o comportamento hipócrita de pessoas que se dizem religiosas e mostrar os bastidores da igreja que frequentam.

O papel principal foi dado à atriz Leslie Bibb e o produtor executivo será Darren Star, de séries consagradas como “Sex and the City“ e “Barrados no Baile”. Não há previsão ainda de quando as filmagens começam e nem que dia da semana irá ao ar. O mais provável é que surja como um teste de audiência durante o spring break, substituindo alguma série atual durante parte do segundo semestre.

Fonte: Gospel Channel RCSP

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Por Julio Zamparetti

Não me cria tanto espanto ver que a ABC tenha tido essa idéia relacionada às mulheres cristãs e não às muçulmanas ou judias. Afinal, é o cristianismo quem tem criado um mundanismo paralelo dentro da própria fé, onde vale tudo, desde boates gospel a tchutchucas de Gisuis “evangelizando” com a bunda e pousando nua. Não falta nem mesmo “irmãzinhas” e “irmãozinhos” que atuem em filme pornô. “Oh, tudo bem! Só não esqueçam de dar o dízimo!”

Essa mesma porca vergonha não se vê entre mulçumanos e judeus. Perdemos o respeito próprio, não adianta, agora, querermos ser respeitados.

Temos algo muito mais urgente que protestar contra o programa GCB. Precisamos recobrar a ethos cristão.

domingo, 13 de março de 2011

PADRE CORAJOSO

Recebi e repasso: “O Ministério Público Federal de São Paulo ajuizou ação pedindo a retirada dos símbolos religiosos das repartições públicas em 2009. E eis que um padre chamado Demetrius, pouco tempo depois, resolveu se manifestar: “Sou padre católico e concordo plenamente com vocês por quererem retirar os símbolos religiosos das repartições públicas. Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião. A cruz deve ser retirada! Aliás, nunca gostei de ver a cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são barganhadas, vendidas e compradas.

Não quero mais ver a cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte. Não quero ver, também, a cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados. Não quero ver, muito menos, a cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento. É preciso retirar a cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das desgraças, das misérias e sofrimentos dos pequenos, dos pobres e dos menos favorecidos. Frade Demetrius dos Santos Silva (SP)”. Só diz a verdade quem tem coragem...

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Fonte: http://www.diariodosul.com.br/?pag=variedades&codcol=27

sábado, 12 de março de 2011

VOCÊ REZA OU ORA?

Por Julio Zamparetti

Devido a minha postura assumidamente ecumênica, algumas pessoas evangélicas me perguntam, você reza ou ora? Prontamente lhes respondo: rezo e oro.

Eu tanto rezo quanto oro porque, em primeiro lugar, rezar e orar são sinônimos desde suas raízes latinas: orar vem do termo orare que significa pronunciar uma fórmula ritual, oração, frase, enquanto rezar vem do latim recitare de onde temos o verbo recitar que significa dizer (orar) em alta voz.

No Brasil criou-se por parte dos evangélicos a distinção entre os termos, conotando-se à palavra rezar o ato de se fazer orações decoradas. Ironicamente, as orações recitadas não sofrem, por parte destes, qualquer relação com o termo rezar. O hábito de recitar salmos e versículos lhes é comum, porém, mesmo fazendo, não admitem que estão rezando!

À palavra orar foi dado o sentido de fazer orações espontâneas. Entretanto, o sentido original da palavra, que é pronunciar, permite que o termo também seja relacionado ao ato de proferir orações previamente estabelecidas e até mesmo decoradas.

Alguns argumentam que as orações decoradas não expressam o sentimento do coração. Este é, na verdade, um problema muito sério, que jamais seria resolvido com orações espontâneas. Pois não são as palavras que fazem autênticas as orações, mas sim o Espírito em que se ora. Neste ínterim, podemos comparar a oração à música, onde na maioria das vezes a melhor interpretação não se dá pelo compositor. É comum vermos intérpretes expressarem muito mais sentimento e originalidade que o próprio autor da música.

Eu gosto de recitar (rezar) Salmos, o Pai Nosso e outros textos bíblicos. Tenho alguns deles decorados e comumente os uso em meus devocionais. Honestamente, me acho incapaz de fazer orações melhores que estas. É nas Escrituras Sagradas que encontro as mais perfeitas expressões dos sentimentos de minha alma.

Também gosto de recitar, repetidas vezes, versículos e orações breves. Há quem condene isso por dizer se tratar de “vãs repetições”, tal qual descritas por Jesus em Mateus 6.7. O problema dessa acusação é que ela não expressa a verdade que Jesus estava retratando. Jesus não estava criticando as orações repetidas, mas sim o pensamento de quem deseja impor sua própria vontade sobre a vontade de Deus através de muitas palavras. O que Jesus está dizendo é que é o espírito do orador e não as palavras proferidas que torna as repetições vãs. E neste aspecto podemos dizer sem medo de errar que muitas orações espontâneas não passam de vãs repetições. E haja repetições de “aleluias”, “glórias a Deus”, “louvado sejas” e glossolalias para preencher o tempo de oração! Pois pensam que pelo tempo que gastam e seu muito falar serão ouvidos por Deus.

Não há nada de errado em orar/rezar repetidamente. O erro está em nossas motivações que fazem com que as repetições e qualquer forma de oração tornem-se vãs. O próprio Jesus ensinou a pedir repetidamente, de forma insistente, conforme vemos em Lucas 11.5-8. Se isso já não bastasse, Ele mesmo orou repetindo, por aproximadamente três horas, as mesmas palavras: “E, indo um pouco adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. E, indo segunda vez, orou, dizendo: Meu Pai, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade. E, deixando-os de novo, foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras (Mateus 26.39,42,44).

Seja recitando, rezando, declamando, orando, cantando, clamando ou agradecendo de forma espontânea, lida ou decorada; em pensamento, falando ou se calando: achegue-se a Deus e Ele se achegará a você.