quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O CAVALO CEGO

Recebi, gostei, repasso.

“Na estrada de minha casa há um pasto. Dois cavalos vivem lá. De longe, parecem cavalos como os outros cavalos, mas, quando se olha bem, percebe-se que um deles é cego. Contudo, o dono não se desfez dele e arrumou-lhe um amigo - um cavalo mais jovem. Isso já seria admirável! Se você ficar observando, ouvirá um sino. Procurando de onde vem o som, você verá que há um pequeno sino no pescoço do cavalo menor. Assim, o cavalo cego sabe onde está seu companheiro e vai até ele. Ambos passam os dias comendo e no final do dia o cavalo cego segue o companheiro até o estábulo. E você percebe que o cavalo com o sino está sempre olhando se o outro o acompanha e, às vezes, para para que o outro possa alcançá-lo. E o cavalo cego guia-se pelo som do sino, confiante que o outro o está levando para o caminho certo.

Como o dono desses dois cavalos, Deus não se desfaz de nós só porque não somos perfeitos, ou porque temos problemas ou desafios. Ele cuida de nós e faz com que outras pessoas venham em nosso auxílio quando precisamos. Algumas vezes somos o cavalo cego guiado pelo som do sino daqueles que Deus coloca em nossas vidas. Outras vezes, somos o cavalo que guia, ajudando outros a encontrar seu caminho. E assim são os bons amigos. Você não precisa vê-los, mas eles estão lá. Por favor, ouça o meu sino. Eu também ouvirei o seu. Viva de maneira simples, ame generosamente, cuide com devoção, fale com bondade. Pense antes de agir, para não se arrepender. E creia, deixando o resto para Deus.”

CHEGA DE FUNDAMENTALISMO

Por Julio Zamparetti

Até quando viveremos sob a tensão das acusações teológicas? Até quando a Bíblia que trás a maior história de amor, compreensão, compaixão e misericórdia será razão de inimizades e intolerância? Será que ninguém percebe que algo está muito errado?

A Bíblia não pode ser interpretada sem se compreender o contexto histórico e cultural sob o qual foi escrita. Caso contrário, reteremos, apenas, sua letra mortal e lançaremos fora todo seu Espírito vivificante. E essa é exatamente a causa da bagunça religiosa de nossos dias.

A verdade é que qualquer forma de interpretação que não seja permeada de amor, tolerância e respeito ao próximo, independentemente de sua cor, CREDO e raça, deve ser extirpada de nossa vida.

A história já nos mostrou o suficiente para entendermos que o fundamentalismo jamais demonstrou o caráter de Cristo, o Príncipe da Paz.

CHEGA! Paradoxalmente não consigo mais tolerar a intolerância!

Quero paz! Quero adorar a Deus e rezar com meu irmão católico; Cantar louvores com meu irmão evangélico; fazer o bem e caminhar com meu irmão espírita; aprender com a sabedoria de meu irmão oriental; proclamar a glória de Deus com meu irmão Sol e minha irmã Lua.; e ter minha religiosidade respeitada por todos. Não importa se somos diferentes, se pensamos diferentes. Se o amor de Cristo não cobrir a medida de nossas diferenças, religiosidade alguma faz sentido.

O mundo conhecerá a Deus, disse Jesus, quando formos um, não disse quando formos iguais.

Diz a liturgia: “O amor de Cristo nos uniu”...

... quem sabe, um dia!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A ORAÇÃO NÃO MOVE AS MÃOS DE DEUS (parte final)

Por Julio Zamparetti

Deus é onipresente, está em todos os lugares, não necessita que o invoquemos para que se faça presente. A invocação que fazemos de seu Santo Espírito nada mais é do que um condicionamento de nosso próprio espírito para recebermos seu mover. Portanto, a oração não move a mão de Deus, mas sim nos move para a dimensão do agir de Deus.

Gosto de pensar nisso como alguém sob a chuva. Lembre-se de que a Bíblia trata a chuva como representação da bênção de Deus e diz que Deus derrama sua chuva sobre todos, indistintamente. Entretanto, nem todos se molham, pois há aqueles que procuram as marquises, abrigos, não saem de casa, ou simplesmente armam um guarda-chuva. Pois bem, quem não deseja se molhar não pode determinar que a chuva não o molhe sem que se proteja dela. Quem deseja se molhar não pode determinar que a chuva o molhe enquanto estiver abrigado. É necessário se expor. A chuva cai sobre todos, mas o que determina quem se molha é localização da pessoa.

A oração não move as mãos de Deus porque Deus não depende delas para se mover. Deus está sempre agindo, sem nunca cansar, sem nunca dormir, nem sequer pestanejar, conforme diz o salmista: É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel (Salmo 121:4). Mesmo enquanto dormimos Deus está trabalhando por nós. Era nessa confiança que o rei Salomão dizia: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem” (Salmos 127:2). O que a oração move é a nossa posição diante do trabalho de Deus, colocando-nos debaixo de sua chuva para que sejamos encharcados de sua graça e misericórdia.

Dessa forma não fica difícil entendermos o que são Paulo queria dizer ao falar: “Orai sem cessar” (Tessalonicenses 5:17). Certamente não se referia a estar vinte e quatro horas diárias falando a Deus durante todo o tempo. Orai sem cessar significa estar sempre exposto ao mover de Deus, confiando-lhe as aflições, sujeito a sua vontade e atento a sua voz.

Segundo Hermes Fernandes (2008, p.86): “Orar sem cessar não é orar ininterruptamente. Orar sem cessar é tão somente estar em sintonia com Deus em todo tempo. O canal entre nós e Ele deve estar constantemente aberto”.

Ainda segundo Hermes Fernandes, a oração precisa ser acompanhada de ações de graças. Neste ponto quero ir além e afirmar que a própria oração gera a gratidão da qual necessita ser acompanhada. Pois aquilo que conquistamos sem o intercurso da oração, leva-nos ao risco de considerarmos uma conquista oriunda dos méritos próprios. Por outro lado, quando temos todas as nossas necessidades entregues a Cristo, em oração, não temos do que nos gloriarmos, pois não podemos tomar os créditos pelas soluções uma vez que tenhamos confiado a Deus nossos problemas.

É importante saber que a diferença entre um homem que credita os méritos a Cristo e outro que os credita a si próprio, está tão somente na consciência, pois em ambos os casos, as conquistas provêm de Deus. Sobre isso já advertia Moisés: “Não digas, pois, no teu coração: A minha força e o poder do meu braço me adquiriram estas riquezas. Antes, te lembrarás do Senhor, teu Deus, porque é ele o que te dá força para adquirires riquezas”(Deuteronômio 8:17,18a).


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Extraído do livro ESPIRITUALIDADE DINÂMICA
Peça já o seu pelo email juliozamparetti@hotmail.com

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A ORAÇÃO NÃO MOVE AS MÃOS DE DEUS (parte 1)

Por Julio Zamparetti

Deus não precisa de nossa oração para operar o que for de sua vontade, pois Ele é soberano e sua vontade é o que sempre prevalece. Também não depende de nossas orações para inteirar-se de nossos problemas, pois Ele sabe muito bem do que nós necessitamos muito antes que possamos pensar em pedir. Além disso, se pedimos algo errado, Ele simplesmente nos dá o certo, não importa quanta devoção e empenho tenhamos dispensado em tal pedido. A verdade é que Deus é bom, e um Deus tão bom assim sabe muito bem dar boas dádivas aos seus filhos.

Por confiar que Deus sempre nos dá o melhor, mesmo que o melhor não seja exatamente o que pedimos, temos a confiança de pedir-lhe tudo que desejamos. Em primeiro lugar porque a Bíblia diz: “Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13). Portanto, peço sempre confiando que meu desejo é operado pelo Santo Espírito e é, portanto, a manifestação do desejo de Deus em mim. Em segundo lugar, porque se o meu desejo não for o desejo de Deus, sei muito bem que o desejo dEle prevalecerá. Nesse aspecto, faço coro a Davi, quando dizia: “O conselho do Senhor dura para sempre; os desígnios do seu coração, por todas as gerações” (Salmos 33:11).

Não se escandalize com o que vou dizer agora, nem deixe de ler antes que eu conclua este pensamento, mas preciso revelar algo sério: a oração não move as mãos de Deus. Deixe-me explicar: Deus é pleno em toda graça, sabedoria e perfeição. Ele não tem o que ser aperfeiçoado, não há como mudá-lo, não há o que ensiná-lo, tampouco determinar o que Ele faz. Não há quem possa sequer entender os seus juízos. Concordo com meu bispo e amigo Hermes Fernandes (2008, p.203) ao dizer: “A oração não visa mudar Deus, mas, sim, mudar a maneira como vemos a vida. Os planos de Deus não são alterados quando oramos. Quem precisa ser transformado somos nós, e não Deus”.

Mas então, qual é o poder que a oração exerce? A oração é um mecanismo de manutenção do corpo de Cristo, é alimento para nosso espírito e transforma a nossa condição diante das circunstâncias. Na oração exercitamos a confiança em Deus, aquietamos nosso espírito, passamos a ter maior clareza dos fatos e visualizamos a melhor forma de solucionar os problemas. Nessa conjuntura nos tornamos mais íntimos de Deus e nos ligamos a Ele que é força, bondade e bênção. Assim, podemos entender que mais importante do que aquilo que falamos a Deus é o simples fato de falarmos com Deus e sabermos ouvi-lo. Pois Ele sabe, bem melhor do que nós, o que necessitamos. Diante disso, não há como as circunstâncias não serem transformadas.


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Extraído do livro ESPIRITUALIDADE DINÂMICA

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

NÃO SE DEIXE ENGANAR

Por Julio Zamparetti

Lendo o livro PENSAR NÃO DÓI E É GRATIS de meu amigo Eugênio C. Ribeiro, deparei-me com uma verdade interessante. Embora o livro seja de filosofia e não teologia ou religião, é impossível ler esse texto sem conotá-lo à realidade que vemos nos meios religiosos. Segue o texto:

“Falácia da autoridade é a falácia em que se convence pelo peso psicológico da autoridade de alguém. Por isso mesmo às vezes ela é conhecida pela expressão latina Argumento ad vericundiam. O modo mais conhecido desta falácia é muito usado pelos meios de comunicação, principalmente em propaganda, quando se usa a autoridade de uma pessoa em um determinado campo para corroborar a eficácia de algo fora daquele campo. Como exemplo, podemos citar o Pelé fazendo propaganda do Vitasay. O Pelé é uma sumidade nos esportes, mas não é competente no que tange à área farmacêutica para corroborar eficazmente o poder de tal vitamina

Há uma outra vertente desta falácia, também muito conhecida. Vem um brasileiro proferir palestra em nossa universidade sobre Bioética. È feito o anúncio sobre o evento, apresentando o currículo do palestrante, que só fez suas pesquisas no Brasil. Agora imagine a situação em que nossa universidade convida um doutor de Harvard para proferir palestra sobre o mesmo assunto, apresentando com antecedência o currículo do mesmo. Segundo minhas experiências em eventos deste tipo, é quase de apostar que a palestra do doutor que vem de Harvard terá um quorum bem maior. Por que? Ora, nós tendemos a idolatrar a pessoa considerada autoridade no assunto e menosprezar aquele que, em nosso ponto de vista, não o é.

Uma outra vertente ainda desta falácia é conhecida como argumentum ad antiquitam. È o erro de afirmar que algo está “correto” ou “bom” apenas porque é tradicional, antigo ou foi ratificado por alguém num cargo de mando. Exemplo: “Maradona é um jogador melhor que Pelé. Acredito nisso porque o chefe de meu pai disse que é”. Só assim mesmo para alguém acreditar numa coisa dessa. Ou então: “nós sempre fizemos assim...”.”

Percebeu a semelhança? Seguindo o viés da primeira falácia apontada (argumento ad vericundiam) igrejas usam e abusam de jogadores famosos, cantores decadentes e atrizes esquecidas para corroborarem com sua pregação medíocre e sem conteúdo.

No caminho da falácia seguinte, vemos o exemplo nítido, ilustrado no besterol teológico americano que, por meio de livros, DVDs, Bíblias comentadas e conferências, os brasileiros digerem sem pensar, questionar, nem fazer cara feia. E o pior, quando nós, míseros brasucas, queremos mostrar a verdade, não há exegese que dê volta.

Por fim, a falá do argumentum ad antiquitam. Esta é a falácia mais presente em todas as igrejas. Por mais que você argumente de forma bíblica e bem fundamentada, as pessoas dificilmente deixarão as crendices que a maioria crê, ou que o superpastorpadreguru Fulano de tal falou na TV. (Oh, estrago!)

Olhos atentos e não se deixe enganar!

domingo, 30 de janeiro de 2011

A JUVENTUDE

“A juventude não é um período da vida: ela é um estado de espírito, um efeito da vontade, uma qualidade da imaginação, uma intensidade emotiva, uma vitória da coragem sobre a timidez, do gosto da aventura sobre o amor ao conforto. Não é por termos vivido um certo número de anos que envelhecemos; envelhecemos porque abandonamos o nosso ideal. Os anos enrugam o rosto, renunciar ao “ideal” enruga a alma. As preocupações, as dúvidas, os temores e os desesperos são inimigos que lentamente nos inclinam para a terra e nos tornam pó antes da morte. Jovem é aquele que se admira, que se maravilha e pergunta, como a criança insaciável: e depois? Que desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida. És tão jovem quanto a tua fé. Tão velho quanto a tua descrença, tão jovem quanto a tua confiança em ti e a tua esperança, tão velho quanto o teu desânimo. Serás jovem enquanto te conservares receptivo ao que é belo, bom, grande. Receptivo às mensagens da natureza, do homem, do infinito.”


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Fonte: http://www.diariodosul.com.br/?pag=variedades&codcol=27&cod_coluna=788

sábado, 29 de janeiro de 2011

AMOR INSANO (parte final)

Por Julio Zamparetti

Deus não tem filhos prediletos, nem casa favorita. A todos Ele ama indistintamente e não há nada que ninguém possa fazer para que Ele o ame mais ou o deixe de amar. Essa é a única razão por que podemos nos aproximar dEle, adorá-lo, participar da Eucaristia e sermos chamados de filhos de Deus.

Quando compreendemos a graça de Deus, deixamos de nos justificar a nós mesmos. Compreendemos que somos pecadores injustificáveis, que todas as nossas tentativas de nos justificar acabam implicando em pecados ainda maiores. Afinal, não se pode cobrir mentira com mentira, nem justificar o injustificável. Mas a verdade é que quem tenta assim fazer não conhece a Deus, nem sua graça. Do contrário, saberia que isso é inútil e desnecessário. Pois Deus simplesmente nos ama como somos: pecadores injustificáveis. Se alguém tenta se justificar, abdica do amor de Cristo, pois Cristo veio por amor aos perdidos e não aos sãos. Tentar colocar-se numa posição de justo é lançar-se para fora do foco do amor de Deus.

Isso não significa que devemos continuar pecando para ser amados por Deus, mas sim que devemos reconhecer quem somos para podermos ser transformados por seu amor.

O maior mal de não compreendermos isso não é o fato de acabarmos rejeitando o perdão e o amor de Deus, mas sim o fato de que nos tornamos incapazes de perdoar e amar a quem nos ofende. Se cremos num deus que cobra certo padrão moral daquele que é objeto de seu amor, fatalmente nos preservaremos o direito de também exigirmos certo padrão moral daqueles a quem pretendemos amar. Consequentemente, faremos todas as exigências cabíveis e incabíveis a quem havemos de perdoar.

Gosto do que diz o personagem Mestre, em O Vendedor de Sonhos, de Augusto Cury (CURY, 2008, p.168): “O deus construído pelo homem, o deus religioso, é implacável, intolerante, exclusivista, preconceituoso. Mas o Deus que se oculta nos bastidores do teatro da existência é generoso. Sua capacidade de perdoar não tem bom senso, nos estimula a carregar os que nos frustram tantas vezes quantas forem necessárias”.

Verdade seja dita, muitos preferem crer num deus religioso, intolerante, pois assim sentem-se no direito de também agirem intolerantemente com quem lhe ofende. Buscam, na religiosidade, obter os méritos que julgam suficientes para torná-los capazes de dispensar um perdão tão tolerante de Deus. Alimentando a crença em um deus intolerante, pensam que não precisarão ser tão tolerantes com os outros. Honestamente, que bom fruto isso pode dar?

Necessitamos aprender, urgentemente, a perdoar e amar uns aos outros, de forma abnegada e incondicional, tal qual o Pai nos ama e nos perdoa. Cristo nos ordenou dar de graça o que de graça recebemos. Mas como fazer isso se não cremos ter recebido de graça? Como fazer isso se cremos que o que recebemos de Deus (seu amor e perdão), recebemos por termos feito por merecer?

Somente ampliando a compreensão do amor divino é possível ampliarmos nossa dimensão de amor ao próximo. Quanto mais restringimos o amor de Deus, tanto mais aniquilamos nossa capacidade de amar. Quanto mais somos cientes de nossas mazelas e que ainda assim Deus nos ama, somos capazes de amar o próximo a despeito de suas misérias.

Nunca busque uma só razão para amar ou perdoar alguém. O amor não tem razão, não tem justificativa, não tem lógica, não tem sanidade. Todavia, a sua ausência é, paradoxalmente, o princípio de toda espiritual enfermidade.


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Extraído do livro ESPIRITUALIDADE DINÂMICA