terça-feira, 7 de dezembro de 2010

SACRIFÍCIO VIVO

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1).

Os Sacrifícios de sangue remontam as mais antigas civilizações. Muito antes dos hebreus, civilizações antigas sacrificavam animais e até crianças com a intenção de aplacar a ira dos deuses.

Quando as coisas não iam bem, a colheita era fraca, a caça escassa, a chuva era pouca, os terremotos intensos, a guerra iminente, ou por ocasiões de pestes e moléstia, sacrificavam aos deuses a fim de obter misericórdia e ajuda.

Era comum ter rituais, animais e deuses específicos para os sacrifícios, conforme o tipo de mal a ser vencido. O sacrifício de crianças era a maior oferta possível a se dar a um deus. Reservado, portanto, aos deuses mais poderosos diante dos problemas mais sérios. Se o sacrifício de uma criança ou de uma moça virgem (por causa da pureza) não aplacasse a ira dos deuses e o tormento não cessasse, não haveria mais o que fazer, não havia oferta mais agradável aos deuses.

Assim, o costume adentrou à civilização fenícia, primos distantes dos hebreus, e mais tarde até os hebreus cometeram o mesmo sacrilégio (vd. Jeremias 7:31).

Não fica difícil entender porque Abraão não relutou ao pedido que Deus lhe fez para que sacrificasse seu filho Isaque. Afinal, essa prática era comum e recente no histórico de sua linhagem. Não obstante, era um orgulho para um pai entregar seu filho ou filha para ser sacrificado aos deuses. Quanto maior seria, o orgulho, sacrificar ao Deus Eterno!

Não quero desmerecer Abraão, mas qual pai em são juízo, nos dias de hoje, faria o mesmo? Eu, que não posso ser hipócrita, confesso: jamais faria isso! No entanto, se eu vivesse naquela época, certamente o faria com o maior orgulho! Afinal, para a época, ser escolhido para tal honra era sinal de pureza e dignidade.

Não se pode interpretar a Bíblia sem avaliar o contexto histórico, social e cultural da época em que foi escrita.

Sei que muitos não gostarão desta maneira de encarar o sacrifício de Abraão, afinal, este é o texto predileto de muitos líderes religiosos para induzirem suas pobres ovelhas a “sacrificarem” na salva ou gazofilácio o “seu Isaque”, isto é, a cédula de maior valor que estiver na carteira ou o bem que mais ama, seja sua casa ou carro.

O fato é que Deus jamais quis qualquer sacrifício. O pedido feito a Abraão não serviu para Deus saber que Abraão o amava, pois Deus já sabia disto antes mesmo que o próprio Abraão o soubesse. Na verdade, o episódio serviu para mostrar a Abraão que Deus sabia de seu amor e isso era tudo que Deus queria dele. Amor sim, sacrifício não. Deus não se agrada de sacrifícios e como prova disto proveu um cordeiro, prefigurando Jesus, o cordeiro de Deus, que faria o sacrifício único e perfeito de uma vez por todas afim de cessar o sacrifício.

Quanto a Moisés, Deus jamais ordenou algum sacrifício. O que Moisés fez foi regulamentar aquilo que já existia. Para aquele povo, só os sacrifícios poderiam favorecê-los diante de Deus. Era assim que criam. Era-lhes necessário ser feito um sacrifício maior do que o que eles podiam fazer, para que compreendessem o favor de Deus.

Então, Moisés destituiu os sacrifícios humanos e instituiu sacrifícios que prefigurassem Cristo, o Filho de Deus. Cada sacrifício de cordeiro, ou novilho, ou pomba tornou-se uma manifestação de fé de que o Filho de Deus seria sacrificado em favor dos homens para expiar os pecados e satisfazer a justiça divina. Desde então, o povo que cria na vinda do Messias não mais sacrificaria seus filhos, pois nenhum homem teria um filho que fosse mais puro que o Filho de Deus para ser sacrificado.

Como previa o profeta Daniel, Jesus faria cessar o sacrifício. Foi Ele último sacrifício de sangue oferecido a Deus. Nenhum outro corpo seria oferecido a Deus com morte, mas somente com vida. Não haveria mais sacrifícios mortos, mas somente sacrifícios vivos. O auge do culto a Deus não seria mais a morte, mas sim a vida e o raciocínio, constituindo um culto racional.

Há, ainda hoje, um sério resquício “primitivo” que nos faz pensar que só se alcança o favor de Deus por meio de sacrifícios. Pensa-se que Deus só manifesta do seu amor a quem merece, esquecendo-se que o amor de Deus é incondicional e quem não o merece é quem mais precisa. Pensa-se que se pode comprar o favor de Deus com “ofertas de sacrifício” como se fosse possível oferecer a Deus algo que Ele não seja dono. Pensa-se em dar o melhor sacrifício, como se o melhor já não tivesse sido ofertado na cruz do Calvário.

Jejuns, campanhas, velas, procissões, têm sido usados como meio de auto-aflição e devoção para comover o coração de Deus e mover as suas mãos. Como se Deus se agradasse disso! Como se o sacrifício de Jesus fosse insuficiente!

O que Deus espera de nós é um sacrifício vivo, racional, de quem compreende a mensagem de Cristo e faz dela seu viver.

“Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante?” (Isaias 58:6-7 - NTLH).

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Mensagem extraída do livro 'O Cristianismo que os Cristãos rejeitam' de autoria do mesmo autor deste blog.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

NATAL, PRA QUEM?

Iniciamos mais um período do advento e uma reflexão se faz necessária: sendo o advento um período de preparação para o Natal, que Natal estamos preparando?

Os pais começam a pensar na Ceia de Natal e a festas de ano novo, as crianças pensam nos presentes, o comércio pensa nos lucros, os empregados no décimo terceiro salário, algumas famílias começam a se preparar para as viagens e outras já começaram a limpeza da casa na praia. Enfim, o roteiro começa em Dezembro e só terá fim após o carnaval, quando tudo, ao que se supõe, volta ao normal.

Seja em período normal ou festivo, a verdade é que os planos de nobres e plebeus estão centrados no bem estar pessoal. Paz, saúde e prosperidade é tudo o que se espera, ficando de lado a partilha, a solidariedade e amor ao próximo. O brilho que estampa a tela da TV esconde a realidade dos pobres e miseráveis, a luz que irradia dos fogos de artifício nos faz pensar que está tudo bem, que todos são felizes, e o espírito do qual somos envolvidos anestesia a nossa mente fazendo-nos esquecer o que é o Natal.

Nesses dias o mundo parece um imenso salão onde se monta uma grandiosa festa de aniversário na qual o aniversariante não é convidado. Tudo porque, como em qualquer outra festa, ninguém quer pensar em quem sofre. Afinal, se pressupõe que as festas sirvam justamente para fazer esquecer os problemas. Eis aí o verdadeiro problema! Natal sem a inclusão do pobre, do preso, do que não tem o que comer e vestir, nem lugar para dormir, é um Natal que exclui Jesus Cristo, o aniversariante, e portanto, não é Natal.

Diferente de outras festas, o verdadeiro Natal traz reflexão. Daí a importância do período litúrgico que estamos vivendo. Para quem tem fartura, o Natal é a festa do encontro com Cristo que vem na pessoa do faminto, enquanto para quem tem fome, o Natal é a festa do encontro com Cristo que vem na Boa Nova das mãos que se estendem para lhe ajudar.

Observando isso e vivendo assim todos dias, não somente descobriremos a felicidade do Natal ao findar do ano, mas felizes seremos por toda vida.

Para um feliz natal, faça boas reflexões durante o período do advento e boas ações durante o ano todo.

Ora vem Senhor Jesus!

sábado, 27 de novembro de 2010

A PAZ QUE SÓ CRISTO DÁ

Por José Fernandes

Minuto de Reflexão

“Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33).

A fé não é certeza humana, segura. Ela nunca elimina completamente a dúvida, a obscuridade. É posta continuamente em discussão e à prova. Depois das palavras de Jesus, os apóstolos achavam que doravante todos os seus problemas estariam superados. Tudo agora é claro a seus olhos. Em seu entusiasmo há algo de infantil e humano: o orgulho de seguirem um homem extraordinário que tudo sabe. É interessante que há momentos que não queremos mais continuar, desanimamos por completo, queremos desistir e deixar que o desespero siga seu caminho destruidor. E, se olharmos minuciosamente, isso acontece com ricos que são tentados a se desesperar diante de diversas situações. Já ouvi gente com muito dinheiro dizer: não sou feliz, minha vida não tem sentido, não tenho um minuto de paz, não posso andar sossegado, tenho que sair sempre escoltado, andar em carro blindado. Isso é vida?

As pessoas vivem momentos como a esposa que abandona o marido, o filho que sai de casa, o marido que abandona a esposa, a menina que decepciona seus pais. É o emprego que não vem, a solução do problema que não acontece, os sonhos que se vão, algumas esperanças acabam e todas as aspirações acabam se desfazendo dentro de nós. Mas é exatamente na sua glória que Jesus pode nos amar e realmente ama a cada um de nós, de tal maneira que somos mais nós mesmos. Isso acontece quando nos damos a Ele recebendo sua paz eterna, quando depositamos todos os dilemas e frustrações da vida na sua presença, porque nele, por ele, nunca nos sentiremos sozinhos, mas teremos graça sobre graça. Teremos a graça no meio da tribulação, da dor e em qualquer dificuldade da vida.

Temos a paz de Cristo, paz que nos ajuda a viver pela graça dele e, assim, vencer o mundo em todos os momentos da vida. O fato de termos esta promessa da paz de Cristo nos ajuda a não nos preocupar com a falta da certeza a respeito da própria vida. Pela graça, temos a condição de vencer o mundo em todos os sentidos. Vivemos em paz sabendo que tal é a vida das pessoas de Deus, que Jesus pôde nos garantir quando foi conduzido à cruz do calvário por nós. Esta paz nos ampara por meio daquele que disse que nenhum fio de cabelo da nossa cabeça pereceria sem ser vontade dele. E ele diz: “os próprios cabelos de vossa cabeça foram todos contados”.

Pense nisso. Tenha uma ótima semana e... Fique com Deus!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O BURRICO E O REI

Quem pode negar que o Mestre sempre está certo? Foi Ele quem disse a Pedro para pescar um peixe e dentro do peixe haveria uma moeda para que eles pagassem seus tributos; Pedro assim o fez, pescou um peixe e lá estava a moeda predita. Noutra feita, disse para seus discípulos prepararem a páscoa, e para isso deveriam seguir um homem que estaria carregando um cântaro; tudo aconteceu exatamente como o Mestre havia dito. Também a Pedro disse: “Três vezes me negarás, antes que o galo cante”. “De maneira alguma, Senhor” – respondeu Pedro – “jamais te negarei”. Ao cantar do galo, para infelicidade de Pedro, Cristo havia acertado de novo.

Muitas vezes é difícil para nós entendermos os ensinamentos de Cristo, pois nem sempre nos parece ter lógica! Você sabe: “é dando que se recebe”, “quem perde a vida... esse a ganha”, “quem quer ser grande seja o menor” e assim vai. O duro é que por mais que relutemos, no fim sempre acabamos tendo que admitir: O Mestre estava certo!

“Vão até o povoado ali adiante. Logo que vocês entrarem lá, encontrarão preso um jumentinho que ainda não foi montado. Desamarrem o animal e o tragam aqui. Se alguém perguntar por que vocês estão fazendo isso, digam que o Mestre precisa dele” (Lucas 19:30-31 NTLH).

O Mestre sempre está certo! Lá estava o dito burrico! Mas tinha dono. Claro que o Mestre sabia disso, por isso, já alertara aos discípulos para quando fossem interrogados, respondessem que o Mestre precisava do jumentinho. Depois que essa predição também se cumpriu, nenhuma outra pergunta se fez. Mesmo sem entender nada, os donos do burrico (zero Km) se aquietaram.

Logo adiante, podemos ler, nas Escrituras, o Mestre entrando triunfalmente em Jerusalém, como Rei, assentado no jumento. E diziam todos: “Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas!” (Lucas 19.38 RA).

Difícil mesmo é nos desapegarmos dos burricos de nossa vida. Aprisionamo-nos aos bens materiais, casas, carros, como se isso fosse o que há de melhor nesta vida. Apegamo-nos às nossas filosofias, teologias e razões para nos firmarmos acima daqueles a quem, embora discordemos, deveríamos ter ao nosso lado, caminhando juntos no amor de Cristo que supera todas as diferenças. Que teologia é essa que tem criado diversas barreiras entre nós e nos impede de amarmos uns aos outros? Não caminha essa teologia no rumo oposto ao que o próprio Cristo ensinou?

Rezamos para que venha a nós o Reino do Pai Nosso que está no céu, mas negamo-nos a nos desapegarmos de nossos burricos. Pois nos parece mais certo provar que estamos certos do que agirmos de forma certa. Teses são elaboradas sobre o amor de Deus, mas pouco ou nada sabemos sobre como amar com o amor divino. É como ficarmos discutindo o porquê dos outros passarem fome enquanto estamos fartos, sem nos darmos conta de que eles padecem, exatamente, por que nós discutimos enquanto deveríamos estar repartindo.

Deixe o burrico pra lá. Aquiete-se diante do que você não consegue entender, deixe pra lá o que te adoece e consome tua paz, arrisque-se em amar, surpreenda-se em se doar, confie em Deus e deixe-O cuidar de tudo. Só assim veremos o Rei entrar pelas portas de nossa vida, de nossa comunidade, de nossa família e nossas amizades, dando sentido à nossa existência e nos fazendo usufruir o que há de melhor nessa vida: o sorriso inocente, o abraço fraterno, o elogio sincero, o choro sem fingimento, coisas simples da vida, que só tem quem sabe desapegar-se da própria vida, para receber a vida que a Vida tem para dar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

QUEM NÃO TEM PECADO...

Tenho defendido, há algum tempo, que os homossexuais sejam incluídos ao convívio social e eclesial, sendo amados e aceitos exatamente como são. Sei que minha postura poderá gerar repulsa por parte dos mais moralistas, que acham que os homossexuais só podem ser aceitos mediante uma “mudança de hábito”. Entretanto, quero lembrar-lhes que o chamado de Cristo é universal e diz: “venha como estás”.

Não! De forma alguma quero fazer apologia à promiscuidade. Já antecipo isso, porque sempre que o assunto é homossexualidade, logo o tema é relacionado à vida promíscua, como se os termos fossem sinônimos, ou como se heterossexuais não pudessem ser depravados e os homossexuais fossem sempre promíscuos.

O fato é que não se pode exigir de quem queira se achegar a Cristo, nada que o próprio Cristo não tenha exigido. E a verdade é que Ele nada exige de ninguém senão o amor; amor incondicional. Entenda-se que é o contato com o amor de Cristo que nos muda, e não a nossa mudança que contata o amor Cristo.

Se alguma mudança haverá de acontecer, isso será por obra do Espírito Santo, e não por imposição humana. Ainda assim, se a tal mudança não ocorrer, é bem certo que o mesmo Espírito esteja operando com maior intensidade, a fim de nos ensinar a amar incondicionalmente. Pois, ao que parece, é necessária uma força muito maior do Espírito Santo para quebrar nosso preconceito, do que a força necessária para mudar a orientação sexual de alguém. Portanto, antes de ter fé de que Jesus possa transformar o homossexual, é preciso ter muito mais fé para aprendermos a amar como Cristo amou. Enquanto isso, os mais carentes de mudança somos nós, não eles. Pois nosso preconceito e ação excludente são muito mais nocivos que o homossexualismo.

Não quero com isso fazer vista grossa a ponto de dizer que o relacionamento homoafetivo não é pecado. Vejo essa questão sob o mesmo prisma que vejo o divórcio. Ambos são frutos de nossa natureza pecaminosa. Mas quem disse que para alguém se aproximar de Cristo não pode ser pecador? E quem tem o direito de impedir que alguém se aproxime dAquele que de todos se aproximou? Ora, se pecadores não podem se aproximar de Cristo, nem comungar entre seus irmãos, então ninguém pode fazê-lo. Mas se a graça de Deus basta, todos podem se achegar a Ele, pois Deus pode até se negar de remover o espinho na carne, mas jamais nega a sua graça a quem clamar misericórdia.

Nosso problema é fazer diferenciação entre pecado e pecado, como se esse fosse menos ou mais pecaminoso que aquele. É importante que entendamos que pecado é pecado indiferentemente da ocasião. Por isso ninguém é melhor que ninguém. Diferentes são, tão somente, as consequências, que por sinal, são muito piores quando se trata de pedofilia, estupro, adultério, assédio sexual, pornografia, promiscuidade, prostituição, corrupção, desvio de verbas, uso da máquina pública, exclusão social, repressão política, venda de votos, racismo, comércio da fé, exploração religiosa, promessas em nome de Deus, sonegação fiscal, enriquecimento ilícito, pirataria, descaso ambiental, desperdício de água e degradação dos recursos naturais. A menos que esteja relacionado a algum destes pecados, a homossexualidade não traz consequências maiores que qualquer um destes traz.

Mas então porque as igrejas sabem, tão bem, incluir no seu convívio, políticos corruptos, empresários exploradores, comerciantes desonestos, pregadores dinheiristas, tarados, vendedores de produtos piratas, sonegadores, mentirosos grandes ou pequenos, comilões, sovinas, etc? O que faz essa casta ser muito mais aceitável que os homossexuais, dentre os quais há muita gente honesta, discreta, fiel e amável? Na verdade as igrejas aceitam e incluem todo e qualquer pecador, até mesmo o homossexual, desde que seu pecado não se torne visível. Sabe acolher a menina desvirginada com vida sexual ativa com muitos parceiros, desde que ninguém saiba e que não fique grávida; sabe acolher o marido covarde que agride sua mulher, conquanto ela não o denuncie; também sabe acolher o sonegador, desde que seu dízimo seja “uma bênção”. Não tenho dúvida, este é um tempo de igrejas hipócritas, mais pecadoras do que aqueles a quem elas condenam.

Que Deus nos ajude! Não sou dono da verdade, portanto, posso estar errado. Se for o caso, fiquem a vontade, e quem não tem pecado apedreje a quem quiser.

Sei que o assunto é complexo e não tenho pretensão de, neste espaço, concluir esse pensamento, nem formular uma posição concreta. Mas deixo o tema aberto, para conversarmos, comentarmos e refletirmos juntos sobre o assunto. A casa é sua.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

SABER AMAR, SABER VIVER

Por José Fernandes

Minuto de Reflexão

“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15,12).

Saudade dos velhos tempos. Quem já passou dos trinta, como é o meu caso, deve lembrar-se com saudade de três ou quatro décadas atrás, recordar e perceber como os tempos mudaram. A família comia junto, sentavam-se a mesa, faziam a oração juntos e juntos tomavam a refeição, mesmo que fosse simples tudo era com união e muito amor. O pai voltava do trabalho, mesmo cansado, tirava o tempo para conversar com a família. Todos tinham o hábito de se reunirem para botar as fofocas em dia. Nos finais de semana os pais iam com as crianças para a igreja, comiam e desfrutavam o dia todo em comunhão com ela. Na semana, havia os cultos domésticos e ainda tempo para conversar. Os g rupos se reuniam, a Igreja vivia unida nas ações e respirava a comunhão de uma maneira muito eficaz.

Agora, com a realidade da cidade, tudo ganhou um sistema novo e os espaços diminuíram. Os campos industriais aumentam, a vizinhança dá espaço não para gente e, sim, para as máquinas. Os vizinhos não se falam mais, se ignoram. Cada um começa a lutar pelos seus ideais. O tempo de estar junto começa a ficar pequeno e escasso. O pai precisa buscar uma oportunidade melhor, começa a estudar e a se desenvolver melhor por causa da concorrência. A comunidade da rua passa a não existir mais. Moram no mesmo bairro, mesma rua, mesmo edifício, mesmo andar e ninguém conhece ninguém. Quando se programa uma reunião de família, entre dez convidadas aparece duas ou três, isso quando a anfitriã não fica sozinha e o que é pior, muitas vezes incompleta.

A solidão ocupa o espaço do coração das pessoas, a depressão começa a chegar porque a espo sa perde o seu marido para a empresa. Os filhos entram em crise porque são educados e acompanhados pelas babás eletrônicas que invadem as salas das nossas casas. A comunidade tem agora um negócio chamado competição.

Mesmo diante de todas essas situações, o Senhor quer que compartilhemos o discipulado do amor entre nós. Temos que nos amar como Jesus nos amou. Não podemos nos unir pelos ideais do presente século que são: consumo, projeção pessoal e individualismo total. A nossa meta é amar o outro e se dar por ele como Cristo fez por nós.

Pense nisso. Tenha uma ótima semana e... Fique com Deus!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

PARA QUE VALE A TUA FÉ?

“Vós dizeis: Inútil é servir a Deus; que nos aproveitou termos cuidado em guardar os seus preceitos e em andar de luto diante do SENHOR dos Exércitos? Ora, pois, nós reputamos por felizes os soberbos; também os que cometem impiedade prosperam, sim, eles tentam ao SENHOR e escapam” (Malaquias 3.14-15).

Fico me perguntando: como pode um ímpio prosperar mais que um justo? Para ser honesto, nunca vi isso acontecer! Pois é impossível um ímpio estar à frente do justo, uma vez que eles não trilham o mesmo caminho.

Vamos tentar entender. Sabe aquele alemão, oito vezes campeão da fórmula 1? Pois é! Pasmem, mas eu garanto, ele jamais me venceu no kart, e duvido que um dia me vença, ainda que ele vença todas as corridas em que participar. Pois eu, certamente, nunca competirei com ele.

O que quero dizer é que do mesmo modo como não corro nas mesmas pistas onde compete Schumacher, também o justo jamais anda no mesmo caminho do ímpio. Ou seja, não há parâmetro para fazer qualquer comparação entre um e outro. Afinal, o que para um é um tesouro, para outro não passa de excremento.

A única forma de um justo ver o ímpio a sua frente é trilhar o mesmo caminho dele. Era exatamente isso que aconteceu a Israel, que, pelo que vemos no versículo acima citado, em vez de focar as coisas eternas, limitou-se a olhar as coisas passageiras. Nessa hora, o povo de Israel viu os ímpios sendo muito mais prósperos.

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Essa imagem de Israel é o retrato da igreja de hoje. Uma igreja que não tem seus olhos em Cristo, nem seu coração nos bens eternos, e por isso, constantemente, empenha toda sua fé em desejos egocêntricos, fúteis e passageiros. Uma igreja que se diz cristã, mas abandonou o caminho de Cristo, porque um Cristo pobre, que anda com os humildes, come com pecadores, abraça os leprosos e ainda se doa sem nada querer em troca, ninguém quer seguir, mesmo que seja este o caminho da eternidade e de um mundo melhor!

A moda agora é o caminho largo, “só vitória”, “vai dar tudo certo”, “não mais choro”, “não mais sofrimento”, “ser o primo pobre nunca mais”, “ser de Jesus é ter carro novo”, “casa nova” e “quem não tiver que faça uso de sua fé”. Quanto engano!

Se esse é o caminho que a tua fé almeja, nem te preocupes se vais ou não vais alcançar o que procuras. Já estás no caminho errado, mesmo! Com dinheiro ou na miséria, serás o mesmo miserável.

Porém se teu caminho é Cristo e nEle buscas os valores eternos, mesmo que sejas rico ou pobre, serás sempre bem sucedido, alcançaste caráter, dignidade, podes andar de cabeça erguida e dizer: “Conheço a Deus e sou dele conhecido e amado”. Só os verdadeiros filhos de Deus têm essa prosperidade!

E aos loucos que fazem das coisas passageiras o seu tesouro, aguardem. Pois dos ornamentos, pedras preciosas e ricas dádivas que juntarem não levarão nada, e “não ficará pedra sobre pedra”.

E tu? Onde está o teu tesouro? Que caminho tens percorrido? Para que vale a tua fé?