terça-feira, 16 de novembro de 2010

PARA QUE VALE A TUA FÉ?

“Vós dizeis: Inútil é servir a Deus; que nos aproveitou termos cuidado em guardar os seus preceitos e em andar de luto diante do SENHOR dos Exércitos? Ora, pois, nós reputamos por felizes os soberbos; também os que cometem impiedade prosperam, sim, eles tentam ao SENHOR e escapam” (Malaquias 3.14-15).

Fico me perguntando: como pode um ímpio prosperar mais que um justo? Para ser honesto, nunca vi isso acontecer! Pois é impossível um ímpio estar à frente do justo, uma vez que eles não trilham o mesmo caminho.

Vamos tentar entender. Sabe aquele alemão, oito vezes campeão da fórmula 1? Pois é! Pasmem, mas eu garanto, ele jamais me venceu no kart, e duvido que um dia me vença, ainda que ele vença todas as corridas em que participar. Pois eu, certamente, nunca competirei com ele.

O que quero dizer é que do mesmo modo como não corro nas mesmas pistas onde compete Schumacher, também o justo jamais anda no mesmo caminho do ímpio. Ou seja, não há parâmetro para fazer qualquer comparação entre um e outro. Afinal, o que para um é um tesouro, para outro não passa de excremento.

A única forma de um justo ver o ímpio a sua frente é trilhar o mesmo caminho dele. Era exatamente isso que aconteceu a Israel, que, pelo que vemos no versículo acima citado, em vez de focar as coisas eternas, limitou-se a olhar as coisas passageiras. Nessa hora, o povo de Israel viu os ímpios sendo muito mais prósperos.

Qualquer semelhança não é mera coincidência. Essa imagem de Israel é o retrato da igreja de hoje. Uma igreja que não tem seus olhos em Cristo, nem seu coração nos bens eternos, e por isso, constantemente, empenha toda sua fé em desejos egocêntricos, fúteis e passageiros. Uma igreja que se diz cristã, mas abandonou o caminho de Cristo, porque um Cristo pobre, que anda com os humildes, come com pecadores, abraça os leprosos e ainda se doa sem nada querer em troca, ninguém quer seguir, mesmo que seja este o caminho da eternidade e de um mundo melhor!

A moda agora é o caminho largo, “só vitória”, “vai dar tudo certo”, “não mais choro”, “não mais sofrimento”, “ser o primo pobre nunca mais”, “ser de Jesus é ter carro novo”, “casa nova” e “quem não tiver que faça uso de sua fé”. Quanto engano!

Se esse é o caminho que a tua fé almeja, nem te preocupes se vais ou não vais alcançar o que procuras. Já estás no caminho errado, mesmo! Com dinheiro ou na miséria, serás o mesmo miserável.

Porém se teu caminho é Cristo e nEle buscas os valores eternos, mesmo que sejas rico ou pobre, serás sempre bem sucedido, alcançaste caráter, dignidade, podes andar de cabeça erguida e dizer: “Conheço a Deus e sou dele conhecido e amado”. Só os verdadeiros filhos de Deus têm essa prosperidade!

E aos loucos que fazem das coisas passageiras o seu tesouro, aguardem. Pois dos ornamentos, pedras preciosas e ricas dádivas que juntarem não levarão nada, e “não ficará pedra sobre pedra”.

E tu? Onde está o teu tesouro? Que caminho tens percorrido? Para que vale a tua fé?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

DEIXE PRA LÁ

Por Carlos Moreira


Se não deu certo, seja por que razão for, deixe pra lá...

Se você passou dos quarenta, não conseguiu o que queria, lamenta-se pelo que não viveu, sofre pelo que ainda há por vir, deixe pra lá...

Se você faliu, perdeu dinheiro num negócio, ficou desempregado ou construiu algo que não deu certo, deixe pra lá...

Se você se apaixonou por alguém, entregou-se de coração, se sonhou, fez planos, alimentou expectativas, e nada se concretizou, deixe pra lá...

Se você foi desprezado, ou desacreditado, se foi humilhado ou mesmo substituído sem explicação ou justificativas, deixe pra lá...

Se te julgaram medíocre, ou se você foi taxado abaixo da média, se as portas se fecharam ou se foi vítima de preconceitos, deixe pra lá...

Se você sentiu-se traído, se foi enganado, se já teve a experiência de ser passado para trás ou se os que se sentavam a sua mesa te abandonaram, deixe pra lá...

Se você sonhou com coisas impossíveis, se fez planos irrealizáveis, se constatou que é só um rosto na multidão, que apenas habita a vala dos comuns, deixe pra lá...

Se você empreendeu algo, se gastou sangue, suor, lágrimas, se foi parte essencial para colocar uma coisa de pé e, depois de tudo, foi esquecido, desprezado, posto ao lado, deixe pra lá...

Se você se esforçou, se estudou, se trabalhou duro ou mesmo foi ao extremo de suas forças e, ainda assim, não conseguiu o que queria, deixe pra lá...

Se num determinado momento lhe faltarem amigos, lhe faltarem motivos, lhe sobrarem perigos, fique tranqüilo, respire fundo e deixe pra lá...

Se seu chão desapareceu, suas convicções se dissolveram, suas certezas ruíram, seu racionalismo falhou e seu pragmatismo lhe abandonou na hora “H”, deixe está, deixe pra lá...

Se você se deu, mas não foi desejado, se amou, mas não foi amado, se serviu, mas não foi lembrado, se caiu, e não foi ajudado, se gemeu, mas não foi consolado, deixe pra lá...

Se o que você é te incomoda, se o que foi te apavora e se o que poderá vir a ser te frustra, deixe pra lá...

Se a fé te faltou, se o milagre falhou, se a igreja decepcionou ou o sacerdote se equivocou, não te admires, isto é muito normal, deixe pra lá...

Não se torne cético e também não seja cínico, não se encha de confiança, mas nunca perca a esperança, não abandone aquilo que persegue – insista, e nem se dê por vencido ao cair – não desista, creia duvidando, ame desconfiando, vá aos extremos, contradiga-se, decepcione-se, deprima-se, seja gente, siga em frente, assuma seus erros, seja grande, aborreça-se de vez em quando, chore um pouco, ria do absurdo, aprenda com seus erros, dê significado a suas derrotas, mas, quando tudo isto te for impossível de fazer, dou-te um excelente conselho,

Deixe pra lá...


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Fonte: http://www.hermesfernandes.com/2010/11/deixe-pra-la.html

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A MAIOR OFERTA II

Por José Fernandes

Minuto de Reflexão

“Então Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Eu vos garanto: esta viúva pobre depositou mais do que todos os outros que deitaram moedas no Tesouro. (Mc 12,43)”.

Entre as inúmeras motivações que encontramos nos dias de hoje para o seguimento de Jesus, uma delas é a busca de privilégios. Isso não é uma coisa nova. Basta, para nós, a memória dos filhos de Zebedeu, que queriam sentar-se à direita e à esquerda de Jesus na sua glória. De fato, a religião pode tornar-se fonte de privilégios para muitas pessoas, principalmente numa sociedade religiosa e hierarquizada como a nossa. Não é essa a vontade de Jesus para os seus seguidores, pois Jesus não quis privilégios nem mesmo para si próprio. Ele quer de nós a disponibilidade e a entrega de vida, a exemplo da viúva que, com a única moeda que não seria valorizada por ninguém, deu o maior exemplo de total entrega.

É salutar prestar bem atenção a este episódio. Há tantos que não ousam fazer ou dar qualquer coisa, por medo da insignificância de sua contribuição, de seu dom. Deus, porém, não julga com aferição externa, mas olha o íntimo do doador. Jesus opõe-se vigorosamente à hipocrisia, ao cálculo, à injustiça, à vaidade, ao orgulho, e exalta a sinceridade, a generosidade, a justiça, a pobreza, o desinteresse, a humildade, o desprendimento. Uma pobre viúva, dá duas moedinhas, e dá mais do que todos, porque dá tudo o que tem, dá de si mesma. Custa muito dar mesmo pouco, quando esse pouco é tudo o que se tem, e o que custa tem valor. Dar o supérfluo, o que sobra, o que não faz falta, o que não tira nossas comodidades e prazeres, que valor verdadeiramente humano pode ter?

Pense nisso. Tenha um ótimo final de semana e... Fique com Deus!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

SANTA TRADIÇÃO E ESCRITURA SAGRADA

“Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” (2 Tessalonicenses 2:15).

A tensão criada em torno das Escrituras e a Tradição, embora descabida, é notória. De um lado aqueles que defendem que todo aprendizado teológico deve ser proveniente somente “da Palavra”. De outro lado aqueles que, firmados na tradição, não demonstram preocupação alguma em fundamentar sua fé nas Escrituras.

Mais uma vez, em busca da verdade, mencionamos o ditado latino: virtus in médio (a virtude está no meio).

No tempo do apóstolo Paulo, a igreja tinha três fontes de revelação: a Escritura (até então formada apenas pelo Antigo Testamento), as cartas (dentre as quais, mais tarde, veio a formar-se o Novo Testamento) e a tradição oral (conhecimento transmitido no convívio). Foi por meio da Santa Tradição Apostólica que, no concílio de Nicéia, no século IV, os livros do Novo Testamento foram definidos como os temos hoje.

Considerando isso, aqueles que ignoram o valor da tradição, colocam em dúvida a própria Escritura, pois se quem institui não tem valor, que valor terá o instituído? Em outras palavras, como podemos confiar que os livros bíblicos são inspirados pelo Espírito Santo se Deus não houvesse, pelo mesmo Espírito, inspirado aqueles que pela tradição definiram quais livros são inspirados? Logo, não se pode negar o valor da tradição que atestou a veracidade das Escrituras.

Por sua vez, a Tradição não pode contradizer as Escrituras, pois contradizê-la seria contradizer a si mesmo. A Tradição não pode dizer algo contra a Escritura a qual atestou ser inspirada por Deus. Assim, toda tradição que contradiz a Escritura, por mais bela que se demonstre, não é santa, nem é apostólica; é apenas tradição humana e pecaminosa. Esta sim, devemos combatê-la, tal qual o próprio Cristo Fez.

Portanto, negar a Santa Tradição Apostólica é contradizer a Escritura Sagrada, já que a própria Escritura atesta o valor da Tradição. Da mesma forma, negar a Escritura Sagrada é contradizer a Santa Tradição, uma vez que por esta o cânon sagrado foi definido.

A Escritura Sagrada é Revelação de Deus ao homem, mas não se pode negar que Deus é maior que a própria Escritura. Assim entendemos que a Bíblia não comportaria toda revelação de Deus, nem o relato de tudo o que Deus fez. Disso a própria Bíblia afirma que não haveria lugar no mundo que comportasse livros para relatar todos os seus feitos (vd. João 21.25). É, portanto, lícito crer que Deus nos fala e se faz ser conhecido de diversas outras maneiras. Um exemplo disso é dado pelo Apóstolo Paulo quando ele afirma que foi dada a todas as pessoas da terra a revelação total de Deus por meio da criação (vd. Romanos 12.20). Nesse ponto, também podemos nos valer de Calvino, quando disse que toda verdade procede de Deus, ainda que saia da boca de um ateu.

O critério para reconhecer uma tradição Santa e Apostólica se dá em primeiro lugar em não contradizer as Escrituras, por razões já mencionadas. Em segundo lugar, ter a centralidade em Cristo. Portanto, assim como a Escritura Sagrada, de Gênesis a Apocalipse, revela Cristo, também a Tradição, de forma didática, deve sempre revelar a pessoa do Senhor Jesus.

Não foi por acaso que São Paulo se preocupou com a guarda da Tradição. A verdade é que a Escritura pode ser aprendida com estudo e leitura particular. Já a Tradição Apostólica só é possível aprender no convívio com o povo de Deus. Pois ela trata, exatamente, da forma como colocamos a Escritura em prática.

A Escritura nos ensina que devemos cultuar unicamente ao único e verdadeiro Deus; pela Tradição aprendemos a nos organizar para cultuar da melhor forma. A Escritura nos ensina a amar o próximo; a Tradição nos dá diretrizes para manifestarmos esse amor como igreja de Cristo. A Escritura nos ensina a honrar pai, mãe e todos a quem devemos honra; a Tradição tem, nesse aspecto, a importante função de manter viva a memória e o serviço daqueles que nos precederam, a fim de que suas boas obras sejam, para nós, exemplos motivadores em nosso caminhada e alicerces na construção do Reino de Deus.

Toda religiosidade constitui uma tradição. Mesmo entre aqueles que a negam. Cabe-nos então, tão somente, escolhermos a tradição a ser seguida. Minha oração é que o Senhor nos aproxime da Santa Tradição Apostólica, e nos livre dos lobos em peles de ovelhas, com suas tradições humanas que visam alicerçar seus próprios impérios religiosos. Que cumpramos a ordem da Escritura Sagrada que assim diz: “Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes” (2 Ts 3:6).

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O EVANGELHO UMBIGOCÊNTRICO

Por Hermes C. Fernandes


Pior que um Evangelho sem Cruz, é um Evangelho onde a Cruz é reinterpretada e acomodada às demandas de uma espiritualidade umbigocêntrica.

O Evangelho da Auto-estima insiste em afirmar que a Cruz de Cristo revela nosso real valor. Se não tivéssemos valor, por que Cristo Se disporia a pagar tão caro por nós?

Pode até parecer fazer sentido tal argumentação, mas carece totalmente de embasamento bíblico.

Quando um Juiz estabelece uma fiança altíssima para soltar alguém, isso revela o valor do criminoso ou a gravidade do seu crime?

A Cruz revela o nosso absoluto estado de miséria espiritual. O Salmista diz que nossa redenção era caríssima, e todos os nossos recursos se esgotariam antes.

Não se trata de afirmar nosso valor, como se Cristo estivesse pagando por algo que Lhe fosse muito caro. Trata-se, antes, do pagamento pelos nossos pecados.

Se houvesse algum motivo em nós mesmos, algum valor intrínseco pelo qual Cristo Se dispusesse a pagar, então já não seria por Graça, mas por mérito. Ora, se valêssemos a pena, Deus não teria feito mais do que Sua obrigação.

A Graça só se explica pelo fato de não valermos absolutamente nada. Nas palavras de Paulo, tornamo-nos inúteis. Do ponto de vista humano, a graça seria um enorme desperdício.

Oh maravilhosa graça! Deus pagou pelos meus pecados, e com isso, em vez de estabelecer meu valor, estabeleceu Seu amor. Deus decidiu amar o que não merecia ser amado. Deus decidiu perdoar e salvar o que sequer merecia Sua atenção.

A graça só se justifica pelo fato de Deus ser amor, e estar disposto a amar gente miserável, pecadora, desprovida de qualquer mérito próprio.

Diante da realidade da Cruz em contraste com sua natureza pecaminosa, Paulo não bradou"Valioso homem que sou!", mas em vez disso, declarou "Miserável homem que sou!"

O Evangelho da Auto-estima desmerece a graça e enaltece o homem. Na verdade é um desevangelho, um ultraje ao espírito da graça, um escárnio ao sangue de Jesus.

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Fonte: http://www.hermesfernandes.com/

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A ALEGRIA DE DEUS

Por José Fernandes
Minuto de Reflexão

“Assim, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um pecador que se converte”.(2Tm 4,17a)

A alegria é um sentimento marcante em todos os seres. Entre os humanos contagia, vibra, faz viver, condiciona ao bem-estar, cria boas expectativas, faz bem à saúde. Deus, como grande doador dessa graça, se revela com este sentimento. É um Deus alegre. Sua alegria revelada quando um pecador se converte, se arrepende. Coração compungido e contrito não é desprezado por Ele. Tem sua aceitação e, com espontânea vibração, contagia os anjos do céu.

Infelizmente, muitos não querem colaborar e preferem ver um Deus triste. É claro que Ele não se alegra com as maldades, com as guerras, com a ignorância, com a ingratidão. Estas aberrações destroem a raça humana. Sua tristeza não é sinônima de apatia e afastamento do caso. Ele reage com sabedoria e investe pesado, oferecendo algo novo: a conversão. Através da sua Igreja e do seu Espírito, Deus se faz presente no mundo. Ele se revela, inspira, motiva, transforma, converte, ama e perdoa. O motor parado, enferrujado e imprestável agora está funcionando. Isto engrandece e faz vibrar de alegria.

Deus abre-se em graça e se revela um ser alegre e feliz. Nada é forçado com o fim de trazer de volta o pecador, porém, quando isso acontece, a alegria de Deus e dos anjos é proclamada com grande júbilo. Vemos, claramente, a alegria descrita na parábola do filho pródigo. O pai não foi à procura do filho, não foi atrás dele para trazê-lo de volta, porém quando isso aconteceu, quando o filho resolveu voltar a seu pai foi recebido com grande festividade. Deus não perdoa o pecado, mas está sempre pronto a perdoar o pecador arrependido. Sua bondade é tão infinita que não existe pecado, grande ou pequeno, não existe tipo de pecador que não seja digno de sua misericórdia.

Baseado nesta graça divina, podemos causar “festas contínuas” nos céus. Nossa atitude pode ser temperada com o amor, tolerância, dedicação. Fomos convertidos e, nesta nova direção, temos um novo Pai, um Deus alegre, um real motivo para viver nossa fé.

Pense nisso. Tenha uma ótima semana e... Fique com Deus!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

CRISTO versus CRISTO

Há uma disparidade notória entre o Cristo apresentado pelos modernos pregadores da TV (e também da maioria das igrejas evangélicas) e o Cristo que lemos nas Sagradas Escrituras.

Enquanto os pregadores da TV convidam os telespectadores a ficarem ricos por meio da fé, o Cristo relatado nas páginas Sagradas convida seus ouvintes ao total desapego dos bens materiais antes mesmo de segui-lo.

O Jesus apresentado na TV valoriza o rico, o bem-sucedido, e estabelece o valor de suas posses como métrica da fé. Isto é, quanto mais posses a pessoa tiver, significa que mais fé ela tem. Ao passo que a pobreza denota, igualmente, a falta de fé por parte do pobre.

Em contraponto, o Jesus que a Bíblia relata valorizava o pobre, a viúva, o órfão, e afirmou que destes é o Reino dos Céus. Esta não só era a premissa de Cristo, mas também de todo Espírito das Escrituras. Assim já dizia o profeta, quatrocentos anos antes de Cristo: “Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas” (Isaias 1.16,17).

A pobreza e a miséria não denotam a falta de fé dos pobres e miseráveis. Absolutamente! Denotam sim a falta de uma vida pautada no amor e os valores cristãos, por parte dos mais abastados.

Esse espírito modernista que invadiu as igrejas tem conduzido os fiéis a um caminho oposto ao proposto por Cristo. O caminho que Cristo propôs não foi outro senão Ele próprio, do qual não há maior exemplo de humildade simplicidade, desapego material, doação e abnegação. Que semelhança haveria deste com aquele que é meio de enriquecimento? Nenhuma, definitivamente, nenhuma!

Cabe-nos, então, perguntarmos a nós mesmos: Qual é o espírito que, de fato, tem nos influenciado? Eis uma questão que as palavras não podem responder, mas as atitudes falam por si. Podemos observar, do episódio em que Cristo se encontra com Zaqueu (Lucas 19), que a simples presença de Cristo na casa do pecador rico, fez com que Zaqueu decidisse, sem que Cristo lhe ordenasse qualquer coisa, doar metade de seus bens aos pobres e restituir quadruplicadamente a quem ele houvesse roubado. Esta é a ação que o Espírito de Cristo promove entre os que O recebem em sua morada.

Era este mesmo Espírito que norteava a vida dos cristão relatados no livro dos Atos dos Apóstolos. Todos tinham tudo em comum, viviam num espírito de partilha e solidariedade, e ninguém tinha falta de nada.

Por outro lado, vemos, hoje, um bando de gente mesquinha e avarenta, que por sua avareza cai nas mais astutas armadilhas de pregadores sem escrúpulos, que se aproveitam da avareza e ignorância alheia para construírem seus reinos e satisfazerem suas ambições pessoais. Longe do espírito de partilha e solidariedade dos cristãos do primeiro século, esses são motivados tão somente pelo desejo de adquirir riquezas e capitalizar bens, sem qualquer compromisso com a ética moral cristã. Quando alguém, ao seu lado, sofre apertos financeiros, o espírito que o dirige não é outro senão o de acusação, pelo qual afirma sem menor compaixão: se tivesse fé como eu, não estaria nessa situação.

O Cristo que essa gente prega, crê e adora, não é o mesmo Cristo das Escrituras; é outro Cristo, um falso Cristo, o anti-Cristo. Quem o adora é idólatra; não adora a Deus, adora a besta.

Contudo, numa coisa concordo com eles: Riqueza é dom de Deus. Mas logo vem a discordância, já que São Pedro, em sua primeira epístola, instrui os cristãos a servirem uns aos outros com os dons recebidos de Deus (veja I Pedro 4.10). Tal qual Jesus, que jamais usou seu poder para benefício próprio, também nós devemos ser despenseiros dos dons divinos, descobrindo, com efeito, que melhor é dar do que receber. Consideremos tudo isso sem jamais esquecermos que por tudo que nos é dado, também seremos cobrados.

“Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra”, assim disse Deus, por meio do profeta Isaias (1.19). Talvez nosso problema não seja o querer, nem o ouvir, mas sim o entender qual é a melhor comida desta terra. Só para lembrar: “Bem-aventurado os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mateus 5:6).