sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A MAIOR OFERTA II

Por José Fernandes

Minuto de Reflexão

“Então Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Eu vos garanto: esta viúva pobre depositou mais do que todos os outros que deitaram moedas no Tesouro. (Mc 12,43)”.

Entre as inúmeras motivações que encontramos nos dias de hoje para o seguimento de Jesus, uma delas é a busca de privilégios. Isso não é uma coisa nova. Basta, para nós, a memória dos filhos de Zebedeu, que queriam sentar-se à direita e à esquerda de Jesus na sua glória. De fato, a religião pode tornar-se fonte de privilégios para muitas pessoas, principalmente numa sociedade religiosa e hierarquizada como a nossa. Não é essa a vontade de Jesus para os seus seguidores, pois Jesus não quis privilégios nem mesmo para si próprio. Ele quer de nós a disponibilidade e a entrega de vida, a exemplo da viúva que, com a única moeda que não seria valorizada por ninguém, deu o maior exemplo de total entrega.

É salutar prestar bem atenção a este episódio. Há tantos que não ousam fazer ou dar qualquer coisa, por medo da insignificância de sua contribuição, de seu dom. Deus, porém, não julga com aferição externa, mas olha o íntimo do doador. Jesus opõe-se vigorosamente à hipocrisia, ao cálculo, à injustiça, à vaidade, ao orgulho, e exalta a sinceridade, a generosidade, a justiça, a pobreza, o desinteresse, a humildade, o desprendimento. Uma pobre viúva, dá duas moedinhas, e dá mais do que todos, porque dá tudo o que tem, dá de si mesma. Custa muito dar mesmo pouco, quando esse pouco é tudo o que se tem, e o que custa tem valor. Dar o supérfluo, o que sobra, o que não faz falta, o que não tira nossas comodidades e prazeres, que valor verdadeiramente humano pode ter?

Pense nisso. Tenha um ótimo final de semana e... Fique com Deus!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

SANTA TRADIÇÃO E ESCRITURA SAGRADA

“Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” (2 Tessalonicenses 2:15).

A tensão criada em torno das Escrituras e a Tradição, embora descabida, é notória. De um lado aqueles que defendem que todo aprendizado teológico deve ser proveniente somente “da Palavra”. De outro lado aqueles que, firmados na tradição, não demonstram preocupação alguma em fundamentar sua fé nas Escrituras.

Mais uma vez, em busca da verdade, mencionamos o ditado latino: virtus in médio (a virtude está no meio).

No tempo do apóstolo Paulo, a igreja tinha três fontes de revelação: a Escritura (até então formada apenas pelo Antigo Testamento), as cartas (dentre as quais, mais tarde, veio a formar-se o Novo Testamento) e a tradição oral (conhecimento transmitido no convívio). Foi por meio da Santa Tradição Apostólica que, no concílio de Nicéia, no século IV, os livros do Novo Testamento foram definidos como os temos hoje.

Considerando isso, aqueles que ignoram o valor da tradição, colocam em dúvida a própria Escritura, pois se quem institui não tem valor, que valor terá o instituído? Em outras palavras, como podemos confiar que os livros bíblicos são inspirados pelo Espírito Santo se Deus não houvesse, pelo mesmo Espírito, inspirado aqueles que pela tradição definiram quais livros são inspirados? Logo, não se pode negar o valor da tradição que atestou a veracidade das Escrituras.

Por sua vez, a Tradição não pode contradizer as Escrituras, pois contradizê-la seria contradizer a si mesmo. A Tradição não pode dizer algo contra a Escritura a qual atestou ser inspirada por Deus. Assim, toda tradição que contradiz a Escritura, por mais bela que se demonstre, não é santa, nem é apostólica; é apenas tradição humana e pecaminosa. Esta sim, devemos combatê-la, tal qual o próprio Cristo Fez.

Portanto, negar a Santa Tradição Apostólica é contradizer a Escritura Sagrada, já que a própria Escritura atesta o valor da Tradição. Da mesma forma, negar a Escritura Sagrada é contradizer a Santa Tradição, uma vez que por esta o cânon sagrado foi definido.

A Escritura Sagrada é Revelação de Deus ao homem, mas não se pode negar que Deus é maior que a própria Escritura. Assim entendemos que a Bíblia não comportaria toda revelação de Deus, nem o relato de tudo o que Deus fez. Disso a própria Bíblia afirma que não haveria lugar no mundo que comportasse livros para relatar todos os seus feitos (vd. João 21.25). É, portanto, lícito crer que Deus nos fala e se faz ser conhecido de diversas outras maneiras. Um exemplo disso é dado pelo Apóstolo Paulo quando ele afirma que foi dada a todas as pessoas da terra a revelação total de Deus por meio da criação (vd. Romanos 12.20). Nesse ponto, também podemos nos valer de Calvino, quando disse que toda verdade procede de Deus, ainda que saia da boca de um ateu.

O critério para reconhecer uma tradição Santa e Apostólica se dá em primeiro lugar em não contradizer as Escrituras, por razões já mencionadas. Em segundo lugar, ter a centralidade em Cristo. Portanto, assim como a Escritura Sagrada, de Gênesis a Apocalipse, revela Cristo, também a Tradição, de forma didática, deve sempre revelar a pessoa do Senhor Jesus.

Não foi por acaso que São Paulo se preocupou com a guarda da Tradição. A verdade é que a Escritura pode ser aprendida com estudo e leitura particular. Já a Tradição Apostólica só é possível aprender no convívio com o povo de Deus. Pois ela trata, exatamente, da forma como colocamos a Escritura em prática.

A Escritura nos ensina que devemos cultuar unicamente ao único e verdadeiro Deus; pela Tradição aprendemos a nos organizar para cultuar da melhor forma. A Escritura nos ensina a amar o próximo; a Tradição nos dá diretrizes para manifestarmos esse amor como igreja de Cristo. A Escritura nos ensina a honrar pai, mãe e todos a quem devemos honra; a Tradição tem, nesse aspecto, a importante função de manter viva a memória e o serviço daqueles que nos precederam, a fim de que suas boas obras sejam, para nós, exemplos motivadores em nosso caminhada e alicerces na construção do Reino de Deus.

Toda religiosidade constitui uma tradição. Mesmo entre aqueles que a negam. Cabe-nos então, tão somente, escolhermos a tradição a ser seguida. Minha oração é que o Senhor nos aproxime da Santa Tradição Apostólica, e nos livre dos lobos em peles de ovelhas, com suas tradições humanas que visam alicerçar seus próprios impérios religiosos. Que cumpramos a ordem da Escritura Sagrada que assim diz: “Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes” (2 Ts 3:6).

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O EVANGELHO UMBIGOCÊNTRICO

Por Hermes C. Fernandes


Pior que um Evangelho sem Cruz, é um Evangelho onde a Cruz é reinterpretada e acomodada às demandas de uma espiritualidade umbigocêntrica.

O Evangelho da Auto-estima insiste em afirmar que a Cruz de Cristo revela nosso real valor. Se não tivéssemos valor, por que Cristo Se disporia a pagar tão caro por nós?

Pode até parecer fazer sentido tal argumentação, mas carece totalmente de embasamento bíblico.

Quando um Juiz estabelece uma fiança altíssima para soltar alguém, isso revela o valor do criminoso ou a gravidade do seu crime?

A Cruz revela o nosso absoluto estado de miséria espiritual. O Salmista diz que nossa redenção era caríssima, e todos os nossos recursos se esgotariam antes.

Não se trata de afirmar nosso valor, como se Cristo estivesse pagando por algo que Lhe fosse muito caro. Trata-se, antes, do pagamento pelos nossos pecados.

Se houvesse algum motivo em nós mesmos, algum valor intrínseco pelo qual Cristo Se dispusesse a pagar, então já não seria por Graça, mas por mérito. Ora, se valêssemos a pena, Deus não teria feito mais do que Sua obrigação.

A Graça só se explica pelo fato de não valermos absolutamente nada. Nas palavras de Paulo, tornamo-nos inúteis. Do ponto de vista humano, a graça seria um enorme desperdício.

Oh maravilhosa graça! Deus pagou pelos meus pecados, e com isso, em vez de estabelecer meu valor, estabeleceu Seu amor. Deus decidiu amar o que não merecia ser amado. Deus decidiu perdoar e salvar o que sequer merecia Sua atenção.

A graça só se justifica pelo fato de Deus ser amor, e estar disposto a amar gente miserável, pecadora, desprovida de qualquer mérito próprio.

Diante da realidade da Cruz em contraste com sua natureza pecaminosa, Paulo não bradou"Valioso homem que sou!", mas em vez disso, declarou "Miserável homem que sou!"

O Evangelho da Auto-estima desmerece a graça e enaltece o homem. Na verdade é um desevangelho, um ultraje ao espírito da graça, um escárnio ao sangue de Jesus.

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Fonte: http://www.hermesfernandes.com/

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A ALEGRIA DE DEUS

Por José Fernandes
Minuto de Reflexão

“Assim, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um pecador que se converte”.(2Tm 4,17a)

A alegria é um sentimento marcante em todos os seres. Entre os humanos contagia, vibra, faz viver, condiciona ao bem-estar, cria boas expectativas, faz bem à saúde. Deus, como grande doador dessa graça, se revela com este sentimento. É um Deus alegre. Sua alegria revelada quando um pecador se converte, se arrepende. Coração compungido e contrito não é desprezado por Ele. Tem sua aceitação e, com espontânea vibração, contagia os anjos do céu.

Infelizmente, muitos não querem colaborar e preferem ver um Deus triste. É claro que Ele não se alegra com as maldades, com as guerras, com a ignorância, com a ingratidão. Estas aberrações destroem a raça humana. Sua tristeza não é sinônima de apatia e afastamento do caso. Ele reage com sabedoria e investe pesado, oferecendo algo novo: a conversão. Através da sua Igreja e do seu Espírito, Deus se faz presente no mundo. Ele se revela, inspira, motiva, transforma, converte, ama e perdoa. O motor parado, enferrujado e imprestável agora está funcionando. Isto engrandece e faz vibrar de alegria.

Deus abre-se em graça e se revela um ser alegre e feliz. Nada é forçado com o fim de trazer de volta o pecador, porém, quando isso acontece, a alegria de Deus e dos anjos é proclamada com grande júbilo. Vemos, claramente, a alegria descrita na parábola do filho pródigo. O pai não foi à procura do filho, não foi atrás dele para trazê-lo de volta, porém quando isso aconteceu, quando o filho resolveu voltar a seu pai foi recebido com grande festividade. Deus não perdoa o pecado, mas está sempre pronto a perdoar o pecador arrependido. Sua bondade é tão infinita que não existe pecado, grande ou pequeno, não existe tipo de pecador que não seja digno de sua misericórdia.

Baseado nesta graça divina, podemos causar “festas contínuas” nos céus. Nossa atitude pode ser temperada com o amor, tolerância, dedicação. Fomos convertidos e, nesta nova direção, temos um novo Pai, um Deus alegre, um real motivo para viver nossa fé.

Pense nisso. Tenha uma ótima semana e... Fique com Deus!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

CRISTO versus CRISTO

Há uma disparidade notória entre o Cristo apresentado pelos modernos pregadores da TV (e também da maioria das igrejas evangélicas) e o Cristo que lemos nas Sagradas Escrituras.

Enquanto os pregadores da TV convidam os telespectadores a ficarem ricos por meio da fé, o Cristo relatado nas páginas Sagradas convida seus ouvintes ao total desapego dos bens materiais antes mesmo de segui-lo.

O Jesus apresentado na TV valoriza o rico, o bem-sucedido, e estabelece o valor de suas posses como métrica da fé. Isto é, quanto mais posses a pessoa tiver, significa que mais fé ela tem. Ao passo que a pobreza denota, igualmente, a falta de fé por parte do pobre.

Em contraponto, o Jesus que a Bíblia relata valorizava o pobre, a viúva, o órfão, e afirmou que destes é o Reino dos Céus. Esta não só era a premissa de Cristo, mas também de todo Espírito das Escrituras. Assim já dizia o profeta, quatrocentos anos antes de Cristo: “Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas” (Isaias 1.16,17).

A pobreza e a miséria não denotam a falta de fé dos pobres e miseráveis. Absolutamente! Denotam sim a falta de uma vida pautada no amor e os valores cristãos, por parte dos mais abastados.

Esse espírito modernista que invadiu as igrejas tem conduzido os fiéis a um caminho oposto ao proposto por Cristo. O caminho que Cristo propôs não foi outro senão Ele próprio, do qual não há maior exemplo de humildade simplicidade, desapego material, doação e abnegação. Que semelhança haveria deste com aquele que é meio de enriquecimento? Nenhuma, definitivamente, nenhuma!

Cabe-nos, então, perguntarmos a nós mesmos: Qual é o espírito que, de fato, tem nos influenciado? Eis uma questão que as palavras não podem responder, mas as atitudes falam por si. Podemos observar, do episódio em que Cristo se encontra com Zaqueu (Lucas 19), que a simples presença de Cristo na casa do pecador rico, fez com que Zaqueu decidisse, sem que Cristo lhe ordenasse qualquer coisa, doar metade de seus bens aos pobres e restituir quadruplicadamente a quem ele houvesse roubado. Esta é a ação que o Espírito de Cristo promove entre os que O recebem em sua morada.

Era este mesmo Espírito que norteava a vida dos cristão relatados no livro dos Atos dos Apóstolos. Todos tinham tudo em comum, viviam num espírito de partilha e solidariedade, e ninguém tinha falta de nada.

Por outro lado, vemos, hoje, um bando de gente mesquinha e avarenta, que por sua avareza cai nas mais astutas armadilhas de pregadores sem escrúpulos, que se aproveitam da avareza e ignorância alheia para construírem seus reinos e satisfazerem suas ambições pessoais. Longe do espírito de partilha e solidariedade dos cristãos do primeiro século, esses são motivados tão somente pelo desejo de adquirir riquezas e capitalizar bens, sem qualquer compromisso com a ética moral cristã. Quando alguém, ao seu lado, sofre apertos financeiros, o espírito que o dirige não é outro senão o de acusação, pelo qual afirma sem menor compaixão: se tivesse fé como eu, não estaria nessa situação.

O Cristo que essa gente prega, crê e adora, não é o mesmo Cristo das Escrituras; é outro Cristo, um falso Cristo, o anti-Cristo. Quem o adora é idólatra; não adora a Deus, adora a besta.

Contudo, numa coisa concordo com eles: Riqueza é dom de Deus. Mas logo vem a discordância, já que São Pedro, em sua primeira epístola, instrui os cristãos a servirem uns aos outros com os dons recebidos de Deus (veja I Pedro 4.10). Tal qual Jesus, que jamais usou seu poder para benefício próprio, também nós devemos ser despenseiros dos dons divinos, descobrindo, com efeito, que melhor é dar do que receber. Consideremos tudo isso sem jamais esquecermos que por tudo que nos é dado, também seremos cobrados.

“Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra”, assim disse Deus, por meio do profeta Isaias (1.19). Talvez nosso problema não seja o querer, nem o ouvir, mas sim o entender qual é a melhor comida desta terra. Só para lembrar: “Bem-aventurado os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mateus 5:6).

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O ENTUSIASMO DE EVANGELIZAR

Por José Fernandes
Minuto de Reflexão

“Mas o Senhor ficou comigo e encheu-me de força, a fim de que pudesse anunciar toda a mensagem, e ela chegasse aos ouvidos de todas as nações”.(2Tm 4,17a)

Gosto de pessoas entusiasmadas. São dispostas, interessantes, sempre prontas a buscar coisas novas, estão sempre de bom humor e são ótimas companheiras de trabalho, de recreação, de lazer. Não sei como foi o seu dia, como você acordou, se está bem de saúde ou está doente, se está com problemas financeiros, com raiva de alguém, se está precisando pedir perdão, se está precisando perdoar alguém. Mas, independente de tudo isso, precisamos encontrar forças diárias para continuar entusiasmados pela vida. Felizmente encontramos na Palavra de Deus, no Evangelho, forcas mais do que suficientes para viver uma vida com o coração transbordando de alegria.

O apóstolo Paulo é uma dessas pessoas entusiasmadas, cheia de otimismo ânimo de fazer a vontade de Deus. Deus sabe o que faz e sabia perfeitamente que ele era o cara certo, o cara ideal capaz de levar adiante a sua palavra, espalhando-a pelos países vizinhos e porque não dizer pelo mundo inteiro. Justamente ele que era o perseguidor de cristãos transformou-se no maior pregador da palavra de Deus, o maior seguidor de Jesus. É um exemplo claro de como a palavra de Deus transforma as pessoas e as entusiasma a continuar uma obra de tamanha importância. Não havia prisão, doença ou mesmo tempestades capazes de impedir Paulo de anunciar a mensagem. No versículo acima, ele mesmo diz ao jovem Timóteo de onde vem toda esta força: “O senhor ficou comigo e encheu-me de força, a fim de que pudesse anunciar toda mensagem.

Necessitamos de modelo maior do que este? São muitas as vezes que ao acordarmos pela manhã precisamos de forças pra viver mais um dia. E então nos damos conta de que a nossa força vem do Senhor. O nosso entusiasmo vem do evangelho, ou seja, da boa noticia de que Jesus nos liberta de todos os nossos pecados. Nossa vida é outra. É vida nova. Paulo fala disso quando diz “nova criatura’. As coisas se fizeram novas e todo cristão hoje pode desfrutar desta nova vida anunciada no Novo Testamento.

Precisamos, porém, entender que essa missão incumbida a Paulo não foi dada somente a ele, mas a todos os cristãos. Hoje mais do que nunca, temos o dever de levar este evangelho a outros, para que também eles sejam chamados e atraídos ao Cristo de Deus. Temos hoje as maravilhas da avançada tecnologia: internet, celular e tantos outros meios como os quais os apóstolos jamais sonharam e temos também o dever de fazer uso de tudo isto para o bem e para o anúncio da salvação.

Infelizmente muitos cristãos, convenientemente, querem deixar esta tarefa por conta de padres e pastores e se esquecem que Deus conferiu dons a todos os cristãos, para que todos pudessem colaborar no anúncio salvador do Evangelho. O que, de prático, podemos fazer no dia de hoje para anunciar o amor de Deus a alguém? Quem sabe um telefonema, enviar um e-mail, ouvir alguém desabafar, oferecer uma flor, dedicar uma prece, fazer uma leitura bíblica? Com certeza podemos e devemos anunciar Cristo hoje. Vamos fazê-lo?

Pense nisso. Tenha uma ótima semana e... Fique com Deus!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A MAIOR OFERTA

“Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes. Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento” (Marcos 12.43b,44).

Nossas contribuições financeiras, dízimos e ofertas, não são meras doações de dinheiro, mas doação de nossa vida. Pois o dinheiro que, nós trabalhadores, temos, advém da vida que dispensamos ao trabalho. Portanto, o salário é a forma como essa vida retorna para nós.

Jesus distinguiu, no versículo acima citado, dois grupos de pessoas: aqueles que dedicam a Deus o que sobra de suas vidas e aqueles que dedicam toda sua vida.

Os que dedicam a sobra de sua vida são aqueles que ocupam a centralidade de sua existência. Para esses o primeiro lugar é sempre ocupado pelo próprio ego. Vivem como se o mundo girasse em torno si. A razão dos outros existirem é para lhes servirem, e sua religiosidade tem o único intuito de constranger Deus a ser seu servo. Contudo, quando tudo está bem e nenhuma ambição lhes provoca o interesse religioso, ir à igreja passa a ser uma mera possibilidade para algum momento em que não se tenha mais nada a fazer. Para piorar a situação, essa gente sempre tem o que fazer: assistir TV, por exemplo. Afinal, “à igreja, posso ir no domingo que vem”.

Os que dedicam toda sua vida a Deus, não se restringem apenas ao tempo destinado para ir à igreja, mas todo seu tempo e todos os seus afazeres refletem ações de graças. Esses, seja no emprego, na escola, nas ruas, nas festas, no recôndito familiar ou na roda de amigos, em tudo o que fazem manifestam a graça de Deus. Pois se rezam, se oram, se comem, se cantam (mesmo músicas populares), se dançam, se trabalham, brincam ou descansam, tudo o fazem para a glória de Deus. Enquanto o primeiro grupo acha que o religari se restringe ao mísero tempo vivido (ou seria perdido?) dentro de um templo, o segundo grupo sabe que é impossível se separar dAquele que é onipresente, e por isso, na igreja, no trabalho, ou no laser, oram sem cessar.

Interessante é que aqueles que mais gozam da presença de Deus em todos os lugares, são, geralmente, os que mais valorizam o encontro com Ele na congregação dos justos, onde as Palavras sagradas e a santa Eucaristia são ministradas; pois assim encontraram, nos altares de Deus, moradia para si, e nestes altares dedicam sua vida.

Mas o que leva o ser humano a dedicar, integralmente, sua vida a Deus? Afinal, não adianta se forçar a ser religioso, nem se obrigar a ir à igreja. Se isso não ocorre espontaneamente, o sujeito estará se forçando, tão somente, a ser um hipócrita. O prazer de servir a Deus começa na compreensão, dada pelo próprio Espírito de Deus, a respeito de três verdades:

1- A centralidade de Cristo. Aquele que te conhece melhor que você mesmo, saberá, como ninguém, conduzir tua vida. Ter Cristo por centro é deixar de ter os interesses pessoais acima dos interesses coletivos; é deixar de pensar no que me favorece para desejar o favor comum a todos; é trocar o bem particular pelo bem comum. A verdade é que, em contra ponto à centralidade do eu, essa troca de pensamento e atitude, onde Cristo é o centro da vida, produz um bem estar inegavelmente amplo. Porque ninguém está bem de fato, quando ninguém está bem ao lado.

2- A consciência do poder transformador da presença de Cristo em sua Palavra e Sacramento. O pão que partimos, na Eucaristia, é o pão que de Cristo partiu e, tendo dado aos seus discípulos, chegou até nós. A Palavra que pregamos saiu dos próprios lábios de Jesus e, repassada por séculos, chegou até nossos ouvidos e coração. O mesmo Cristo que instituiu os sacramentos, o Mesmo Espírito que inspirou sua Palavra, está em nosso meio vivificando e atestando entre nós, o mesmo poder transformador operado no passado.

3- A consciência do nosso valor no Reino de Deus. Enquanto o mundo nos avalia pelo que podemos fazer, Cristo nos avalia pelo que Ele pode fazer em nós. Pois de nada vale a capacidade pessoal se o que dermos a Deus não passar de sobras. Quando compreendemos isso, deixamos de nos estribar em nossa própria força e passamos a nos entregar a Ele integralmente, deixando que Ele nos use, certos de que essa é a forma pelo qual os centavos de uma humilde viúva torna-se a oferta maior.

Quem compreende isso, encontra naturalmente o prazer de servir a Deus; descobre em Seus altares a motivação de servir ao próximo; percebe em Seu amor a razão de viver em comunhão; vê em Seu sacrifício o exemplo a ser seguido, entregando a Ele todo seu viver. Este, com toda certeza, seja rico ou pobre, culto ou inculto, terá dado a Deus a maior oferta.