sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O ESPINHO NA CARNE

Por José Fernandes
Minuto de Reflexão

“Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo”.(2Cor 12,9b)

Todo ser humano gostaria de ser perfeito e saudável. Muitos passam uma vida inteira sem que fiquem doentes. A doença nos enfraquece e quando não estamos nos sentindo bem fisicamente o nosso espírito também sente. Por isso sabemos que quando o corpo está bem, o espírito também está. Mas Sabemos que as nossas enfermidades nem se comparam com as de outras pessoas que sofrem e não conseguem a cura. O apóstolo Paulo fala de “um espinho na carne”. Não sabemos bem qual era a sua doença, mas ele fala que isto o incomodava e ele pediu três vezes a Deus que afastasse este espinho (2Cor 12,8) e a resposta de Deus foi: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

Paulo liga uma visão extraordinária com um espinho que irrita. Deus abençoa o apóstolo com uma visão, com uma inteligência fora do comum, mas ao mesmo tempo coloca um contraponto nesta relação para mantê-lo humilde. Isto acontece conosco também. Muitas vezes nos sentimos tão abençoados por Deus, tão animados, tão felizes, orgulhosos muitas vezes, pelas bênçãos e, de repente, Ele coloca um contraponto na nossa vida. Talvez porque muitas vezes pensamos que somos os tais, somos superiores por causa desta relação. Achamos-nos privilegiados por sermos filhos de Deus e Ele nos põe de novo em nosso lugar. É nas dificuldades, nos conflitos, nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, nos turbilhões da vida, no profundo desgosto que buscamos força para superar todos os problemas.

Precisamos ler os sinais de Deus em nossa vida. Sabemos que somos abençoados por Ele, mas é necessário que continuemos autênticos, sem este ar de superioridade que corremos o risco de apresentar. Se tivermos problemas, sabemos que estes não serão maiores do que a nossa capacidade de resolvê-los, porque temos em Cristo a força necessária para superar todas as nossas dificuldades.

Pense nisso. Tenha um ótimo final de semana e... Fique com Deus!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A PADROEIRA E OS DESAPADRONADOS

Eram aproximadamente seis horas da manhã quando fui acordado por estouros de foguete que partiram da casa de um de meus vizinhos que duvido veementemente que o infeliz já tenha ido a alguma missa nesse horário. Aliás, é bem possível que ele só compareça à igreja por ocasião de casamentos e funerais. Me pergunto, então: o que faz um sujeito se fazer tão “fervoroso” no dia da padroeira?

Como estudioso do assunto, reservo-me o direito de responder a essa indagação. A falta de conhecimento é o que leva as pessoas a essa fé estranha ao cristianismo autêntico.

Desconhecem o sentido da palavra ‘padroeiro’. Embora a igreja romana tenha atribuído seu significado aos santos escolhidos para intercessores de uma comunidade, classe operária, grupo étnico ou religioso, o sentido etimológico nada tem a ver com isso. Etimologicamente, a palavra ‘padroeiro’ (conjunção de padro(m) = padrão, mais eiro = fazedor) significa fazedor de padrão, assim como ‘padeiro’ significa fazedor de pão.

Conhecer a padroeira é fácil, mas onde estão os apadronados?

Teoricamente, Nossa Senhora Aparecida é uma das representações da Virgem Maria, mãe de Jesus. Isso faz de Maria o padrão, modelo de vida, para o Brasil. Honestamente, posso dizer que conheço muito bem Maria por tudo que li em livros sobre ela e a cultura judaica. Por isso eu disse que é fácil conhecer Maria, mas é impossível reconhecer o padrão dela no modo de vida dos brasileiros em geral. Tudo o que é possível ser identificado na fé mariana popular brasileira é uma Maria erroneamente idealizada, desassociada da cruz e de Cristo.

Maria foi modelo de mãe, filha, mulher, serva, exemplo de obediência, santidade, fidelidade a Deus, amor a Jesus, e seu desejo era que todos ouvissem e seguissem o Mestre. Entretanto, a fé mariana popular simplesmente ignora a verdadeira Maria e ofusca a imagem de Cristo. Basta assistir na TV, ou verificar na cidade onde você mora, as aberrações que se faz em nome da fé, para perceber que Maria jamais se encaixaria nesse padrão de religiosidade, quanto mais Jesus!

Desculpem, meus amigos, mas, na realidade, Maria jamais foi padroeira desse Brasil. Os fazedores de padrão do Brasil são o carnaval e o sincretismo religioso. O resultado disso é um povo de vida desregrada nos âmbitos social, sexual, religioso, político, sentimental, familiar, trabalhista, onde tudo que vale é se dar bem sem mudar de vida.

Nesse ínterim, Maria, a verdadeira santa, foi excluída da própria religiosidade que carrega seu nome, e substituída por outra maria, a "padroeira", muito mais rentável, sincrética e que não exige esforço moral algum para seguir seu padrão, basta lhe pagar as promessas e tudo fica certo. E a vida... continua como ela é: bebedeiras, traições, falcatruas, prostituição, carnaval e bundas à mostra. E vai me dizer que não é este o padrão brasileiro?

Se Maria é padroeira do Brasil, cabe-me dizer que a padroeira não tem apadronados. Pois a vida que se vive aqui está longe de se parecer com o modelo de Maria.

Enquanto isso, a Igreja Católica fecha os olhos e abraça os lucros. É o padrão... é o padrão.

Depois de refletir isso, lavei a alma e quero agradecer ao meu vizinho.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

GRATIDÃO E FIDELIDADE

Baseado em Rute 1.1-19 e Lucas 17.11-19

Quando Rute ficou viúva, foi rompido o elo que a prendia a sua sogra. Isso ficou claro, quando Noemi, a sogra, disse: Vai para junto de teu povo e volta para os teus deuses, pois já não tenho filhos, nem marido, e ainda que engravidasse hoje, você não poderia esperar para casar com ele. Minha outra nora já partiu, vá você também. Rute, por sua vez, respondeu: O teu Deus é meu Deus, e teu povo meu será, onde viveres viverei eu, e onde fores sepultada também eu repousarei.

Rute não deixou Noemi por duas razões simples. A primeira delas era a gratidão. Rute lhe era grata pelo filho que sua sogra havia gerado e, certamente, por toda a amizade que havia cultivado. A segunda razão era a fidelidade ao Deus Eterno a quem aprendeu a servir. Temos aqui dois princípios que deveriam ser muito mais evidentes em nossas vidas: gratidão e fidelidade, empenhadas a Deus e ao próximo.

Numa geração de “fiéis”, onde a maioria está preocupada tão somente consigo, fazendo do egocentrismo a razão de sua religiosidade, fica cada vez mais difícil encontrar quem esteja disposto a viver em fidelidade e gratidão. Trocar de religião ou de cônjuge já se tornou quase tão normal quanto trocar de roupa. É claro que o dever da igreja é acolher os prosélitos e também os que contraíram novas núpcias, mas, é melhor que as trocas permaneçam somente no campo do vestuário.

Lembro-me de quando era pequeno, e meu pai dizia que um homem pode fazer mil coisas certas, mas bastaria um erro para que os mil acertos fossem esquecidos. Na verdade, ao coração ingrato, não é necessário erro algum, pois os ingratos põem defeitos em cada um dos acertos. A maior prova disso é o próprio Senhor Jesus, que tendo cometido erro algum, ainda assim não escapou de alvo da maior ingratidão.

Mesmo tendo, Rute, perdido o elo que a ligava à Noemi, permaneceu com ela até o fim de sua vida. Todavia, hoje em dia, muita gente fica ao nosso lado somente o tempo em que precisam da gente; permanecem na igreja somente enquanto isso lhe parecer útil. A grande lição de Rute é que não devemos estar ao lado de alguém pelo que dela possamos nos beneficiar, mas sim pelo que possamos a ela ajudar; não devemos buscar a igreja pelo que dela possamos ganhar, mas sim pelo que a ela possamos ser úteis. Parece até antagônico, mas os que se aplicam no serviço a Deus e ao próximo são os mesmos que vivem em gratidão e fidelidade aos que lhe cercam. Os ingratos são sempre os que nunca se dispõem a servir.

Enquanto Rute nos traz o exemplo fidedigno de gratidão a Noemi, temos nos nove, dentre os dez, leprozos curados por Cristo, um enfático exemplo de ingratidão. Temos, nestes dois exemplos, mais uma prova de que aqueles que nada fazem pelo seu benfeitor serão, possivelmente, os mais ingratos, ao passo que aqueles que nada devem, pelo contrário, prestam serviço e socorro ao próximo e ao Reino, são os mesmos que sempre demonstrarão maior gratidão.

Infelizmente, essa nossa reflexão não mudará o pensamento dos outros. Mas podemos refletir melhor sobre: qual lado estamos? Quanto, de cada lado, cultivamos em nossa vida? Quantas vezes somos nós os ingratos?

No mais, só nos resta recebermos as ingratidões, tal como Cristo as recebeu. E de alguma forma, sob a graça de Deus, sermos gratos e pagarmos o mal com o bem.

Que Deus nos de força.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O TAMANHO DA FÉ

Baseado em Habacuque 2.1-4; II Timóteo 1.6-14; Lucas 17.5-10

“Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé”. Ao que parece não é de hoje que as pessoas disputam, diante de Cristo, serem os de maior fé, merecedores de possuir a graça divina. Embora os discípulos tivessem incorrido neste erro, certamente não surtaram ao ponto de precederem o que vemos nas igrejas de hoje. Os cristãos ao invés de aprenderem com este erro dos apóstolos, promoveram uma evolução deste erro, dando origem à concorrência da fé, onde se disputa “bênção à bênção” quem é o “filho” predileto de Deus. Querem estes ser a “casa favorita” do Pai, “subir mais alto” “até tocar o céu” para chamar a “atenção de Deus”, por fim “determinar os milagres” “reivindicando na Palavra”, obrigando Deus a fazer nada além do que esteja “na Palavra” e que, portanto, lhe é dever cumprir em benefício de “seus filhos”.

Tenho pena dessa gente que vive essa ilusão! Dizem ser servos, mas agem como senhores de um deus que dizem ser Senhor, mas lhes é como servo. Escravizaram Deus? De forma alguma! Pois o deus que pegaram pela Palavra e o botaram contra a parede, não é Deus, é apenas um falso deus, um ídolo.

A Palavra de Deus (me refiro aqui a algo segundo a Bíblia, que é muito mais amplo que a própria Bíblia) determina o nosso proceder, não o de Deus; diz até aonde vão os limites do mar, mas não limita o seu próprio agir; por ela tudo o que existe foi feito, mas Ele precede e excede toda existência.

Então, a primeira desilusão que Jesus provoca em seus discípulos remedia a ilusão de achar que as dádivas divinas são proporcionais ao tamanho da fé. Ai de nós se isso fosse verdade! Mas, graças a Deus, não é o tamanho de nossa fé o que importa, mas importa que nossa fé, pequena ou grande, esteja em Deus. Se disseres que tua fé é mil vezes maior que a minha, ficarei feliz por ti e por mim, porque se depositamos nossa fé no mesmo Deus, os benefícios serão os mesmos, pois a eficácia da fé não está em quem a deposita, mas em quem ela é depositada. E sendo Deus o depositário, ao contrário das instituições financeiras deste mundo, Ele a todos dá liberalmente, conforme sua própria determinação e graça. Portanto, se temos muita ou pouca fé, a tenhamos depositada em Cristo e isso nos basta. Considere, também, que depositar a fé em Cristo, confiar e esperar nEle é o maior exercício de fé que podemos realizar. E esta fé exercitada se tornará muito mais forte e eficaz.

A segunda desilusão que Jesus provoca remedia a ilusão de achar que a fé visa beneficiar o crente. Embora o crente, realmente, possa ser beneficiado por sua própria fé, os dons de Deus não visam o benefício particular, mas sim o bem comum. Jesus deixou claro que o sentido natural da fé é nos conduzir ao serviço pelo próximo sem que isso faça com que nos achemos merecedores de privilégios. É na caridade que nossa fé se aperfeiçoa, se fortalece e amadurece. Fora da caridade ela simplesmente é morta, pois perde totalmente o foco e a razão de sua existência.

A fé, portanto, deve ser depositada em Deus e vivida na luta por justiça e direitos humanos, na propagação dos valores cristãos, na preservação da vida e do meio ambiente, na aplicação do serviço pelo bem comum e paz no mundo.

Entendido isto, entendemos porque a vida do justo se dá pela fé.

domingo, 3 de outubro de 2010

O VALOR DA EUCARISTIA

Há muito tempo venho andando no caminho da racionalidade em meio à fé. No afã de desmistificar o mistificado, acabei dando conta de que quase nada havia sobrado sem abalos na crença que havia cultivado até então. Os conhecimentos parapsicológico, psicanalítico, teológico, histórico e cultural, adquiridos em seminários, pesquisas, leituras, cursos e debates com especialistas, sendo alguns renomados nestas áreas, não me deixaram dúvidas de que as experiências religiosas de modo geral e principalmente as manifestações pentecostais não são mais que um subproduto da mente humana.

Diante dessa perspectiva, vinha, há alguns anos, lutando contra mim mesmo. De um lado o “eu” crendo e levando as pessoas a crerem num Deus presente. De outro lado o “eu” acreditando que todo benfazejo que poderia contemplar o crente, adviria unicamente de sua própria fé, o que explicaria todas as manifestações de cura e transformação de conduta que também ocorrem entre aqueles que crêem e seguem princípios de espiritualidade estranhos ao cristianismo. Nessas horas de conflito, meu principal ponto de apoio era creditar a força da fé que opera a um prévio dom divino dado a todas as pessoas indiscriminadamente, de forma que todo poder de operar milagres já estaria potencialmente presente, na pessoa, à espreita da fé. Embora plausível, essa premissa nunca foi capaz de satisfazer minha busca, pois não me agradava a idéia de um Deus impessoal, que dispõe aos seus filhos um mecanismo (a fé) que deverão aprender a usar sozinhos, abandonados à própria sorte no curso da vida.

Nesse tempo, observei que as igrejas evangélicas, bem como o catolicismo popular, aprenderam o poder da simbologia e em função disso lançam mão de todo tipo de amuletos para certificar a fé do fiel. Assim, mistificam diversos elementos como água do rio Jordão, terra de Israel, sal ungido, fitinhas (com ou sem nós), medalhas, anéis, rosa ungida, cruz vazada e outras tantas formas de “feitiçaria gospel”. O fato é que não podemos negar o sucesso obtido por meio desses amuletos no que se refere ao estimulo da fé. Muitos têm sido, por esses meios, curados de forma inexplicável. Considerei então que se elementos mistificados pela fé humana podem produzir tal efeito, quanto mais eficaz deve ser o que é de fato místico! Mas o que é de fato místico?

Temos por místico a Deus e seu fazejo espiritual. É por isso que, nessa mesma perspectiva, Calvino defendeu que o Santo Batismo e a Santa Eucaristia deveriam ser chamados de sacramentos, já que estes foram instituídos pelo próprio Senhor Jesus, de forma que negar seu valor místico seria negar a divindade de Cristo e o valor de suas palavras. É por isso que não pode desvalorizar os Santos Sacramento quem valoriza a Santa Palavra daquele que os instituiu.

Minha luta interior tomou resolução ao tempo em que compreendi que, ao contrário dos “amuletos da fé”, os sacramentos não são produtos, nem subprodutos da mente humana, mas instituição do próprio Deus. Na eucaristia o pão que partimos, partiu das mãos do Senhor Jesus, e ainda hoje o partimos de forma muito semelhante a que se fazia no primeiro século, como se das mãos do próprio Cristo o recebêssemos. O Cristo que manifestou a presença de Deus conosco, apresenta-se entre nós pela Eucaristia, a Palavra e o Espírito, acercando-nos por estes meios eficazes, a fim de nutrir nossa frágil fé e dar-se de igual modo ao rico e ao pobre, ao letrado e o indouto, ao forte e ao fraco.

Eis um mistério: Deus se fez homem; o verbo virou gente; o Espírito se fez carne; o místico se fez físico. Então o verbo encarnado, Jesus, como Filho mostrou o Pai, como homem revelou Deus; da mesma forma que o pão e o vinho, pelo poder do Espírito e da Palavra Divina, revelam Cristo em nós; e o físico nos traz o místico. Por esta clara razão os discípulos que acompanhavam Cristo no caminho a Emaús O reconheceram somente quando se deu o ato de partir o pão. Naquele mesmo momento também compreenderam as palavras de Cristo que lhes ardia no coração. E é este o efeito que a Eucaristia nos proporciona: permite-nos identificar sua presença e compreendermos o poder de sua Palavra. A falta de discernimento do Corpo de Cristo tem provocado uma letargia espiritual e privado muitos fiéis da presença real de Cristo e da vida promulgada nas Escrituras Sagradas, razão pela qual, tendo passado o período da reforma da igreja, vivemos um período de deforma da mesma. Disso já advertia São Paulo: “Pois, a pessoa que comer do pão ou beber do cálice sem reconhecer que se trata do corpo do Senhor, estará sendo julgado ao comer e beber para o seu próprio castigo. É por isso que muitos de vocês estão doentes e fracos, e alguns já morreram” (I Cor.11:29-30 NTLH).

Quanto a mim, depois de tanto tempo peregrinando a rota da razão, rendi-me a fé no que é realmente místico e me faz compreender o que não explico, nem poderia explicar, pois se um milagre fosse explicável, não seria milagre. E novamente encontro em Calvino a melhor forma de expressar o que é sacramento: “Um Mistério”! E que melhor forma haveria de expressar Cristo no que tange seu nascimento, sua vida, sua morte, sua ressurreição, ascensão e gloriosa vinda? Crer neste mistério implica crer naquele, pois são unos. Foi este o mistério uno que Ele mesmo ordenou que proclamássemos ao comer de seu corpo e beber de seu sangue.

E assim, quando Deus me encontrou, também se deixou ser por mim encontrado.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O DESAFIO DE ORARMOS POR QUEM NOS PERSEGUE

Por José Fernandes
Minuto de Reflexão

“ Eu, porém, digo-vos: amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!” (Mt 5,44).

Desafio você a fazer o que pede Jesus no evangelho de Mateus 5,44-45 que servirá de base para esta meditação. Você pode pensar: hoje acordei cheio de raiva, de ódio pela forma como as pessoas se comportam neste mundo. Muitas vezes vemos tantos absurdos que sentimos vontade de fazer justiça pelas próprias mãos. De repente nos deparamos com um tal de Jesus nos falando em amar os nossos inimigos e orar pelos que nos perseguem, que querem nos ver no fundo do posso, que nos desejam todo tipo de maldição, que nos magoam e nos caluniam injuriosamente? Como posso eu desejar o bem a estas pessoas tão maldosas e ingratas? Mas acredito que este é o maior exercício de fé que Jesus pode exigir de nós. É um exercício de superação.

Amar as pessoas que convivem conosco, a nossa família, amar os filhos, esposa, esposo, pais, irmãos e amigos isto não é um exercício. Isso nós fazemos, porque gostamos de fazer. Mesmo quando Jesus fala em amar o próximo achamos fácil, porque escolhemos o nosso próximo, mas o próximo, não é somente aquele que está ao lado neste momento. Uma pessoa pode estar lendo esta reflexão num ônibus, aguardando sua vez para ser atendido no consultório, sentado no banco de uma praça, e tem um próximo ao seu lado. Sabe que é a ele que você deve estender a mão neste momento e olhar por suas necessidades? Então vamos reavaliar os nossos conceitos e exercitar o nosso amor com aquelas pessoas que já havíamos descartado do nosso grupo de convivência.

Eu sei que é complicado e, bote complicado nisso, mas é possível amá-las. Posso estar sendo paradoxal, mas posso juntar minhas mãos e pedir que Deus ajude aquele cidadão e o abençoe apesar dele tramar contra minha pessoa, lutar pela minha derrota. É um exercício de amor incondicional: "amar sem esperar nada em troca". Acredito que só um cristão pode realmente fazer isso. Você pode, por mais difícil que pareça. Podemos tentar, mas Jesus não pede para que as pessoas tentem fazer, mas façam. É imperativo, o que exige de cada um de nós uma ação radical, que muda completamente a nossa forma de pensar no mundo em que vivemos.

Pense nisso. Tenha uma ótima semana e... Fique com Deus!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

AMIGOS PRA QUÊ?

Por Julio Zamparetti

Jesus contou uma parábola de um homem rico que tinha um administrador desonesto. Quando o homem rico pediu contas ao administrador, este percebendo que seria despedido passou a prestar favores aos devedores de seu patrão, diminuindo-lhes a dívida, a fim de que, fazendo esses favores, os favorecidos se tornassem seus amigos e o ajudassem na hora da necessidade que lhe estava por vir, tão logo fosse demitido. Quando o patrão percebeu o feito, elogiou o administrador pela esperteza com que usou dos recursos materiais (mesmo que não lhes pertencesse) para fazer amigos.

Infelizmente, nossa sociedade está perdendo a noção de quanto vale um amigo, uma família, uma congregação de fé! Estamos nos globalizando e ao mesmo tempo nos ilhando, criando centenas e até milhares de amigos nos sites de relacionamentos, mas na hora em que precisamos, temos cada vez menos amigos a quem recorrer! Vivemos aos montes num mesmo condomínio sem sequer sabermos os nomes dos vizinhos de porta! Que ironia do destino, vivermos tão “perto dos olhos, mas longe do coração”, um do outro! Quem imaginaria que num mundo superpopuloso e globalizado, com nossos nomes tão conhecidos no mundo virtual, seríamos tão solitários na vida real?

O problema é que investimos muito em nossa solidão: novos televisores, TV a cabo, computadores e moderníssimos celulares em que temos a chance de desenvolvermos e confinarmos todos os tipos de relacionamentos. Relacionamentos que, no convívio pessoal, não sabemos nutrir. E assim, nós, seres humanos, preferimos investir todos os recursos em nosso mundo virtual e nossas fantasias, onde tudo é perfeito e as pessoas reais não poderão estragar essa “doce ilusão”.

Aquele administrador não foi desonesto pelo que fez, mas sim pelo momento em que fez. Pelo que fez, o patrão o elogiou. Lembre-se de que nada que temos em nossas mãos é nosso, nada levaremos daqui. Tudo é do Senhor e nós somos os administradores de seus bens. Sendo assim, devemos aprender deste texto bíblico que a melhor forma de administrarmos as riquezas desse mundo, que a Deus pertence, é investindo-as na graça de fazer amigos.

Também estão entre as riquezas que dispomos neste mundo, a fé, a religiosidade, a espiritualidade e a cultura de nosso povo. Não poucas vezes usamos as Escrituras Sagradas como argumento para discriminar, marginalizar e excluir, impondo fardos pesados em nome de Deus. O mesmo Deus que propôs trocarmos nosso fardo pesado por seu fardo que é mais leve, trocar o peso de 100 quilos pelo de oitenta ou cinqüenta, e ainda hoje nos propõe trocarmos a condenação da Lei pelo acolhimento do amor. O que Jesus quer dizer é que os filhos da luz deveriam ser mais espertos e apressarem-se a aliviar as cargas uns dos outros e valorizar mais os laços fraternos.

Invista nos relacionamentos. Venda sua TV de 42”, junte o 13º, e faça uma viagem com a família, com os amigos, conheça pessoas, faça novos amigos, ajude os necessitados, visite sua avó, abrace seus filhos, beije seus pais, faça serviços voluntários, colabore com sua igreja e entidades filantrópicas, presenteie quem você ama, diga que o ama.

Mas não seja desonesto como aquele administrador, deixando para fazer isso somente quando estiver para ser despedido dessa existência. Porque, geralmente, só nos damos conta disso e nos tornamos espertos quando já não é mais a vida quem nos apadrinha.

“Por isso eu digo a vocês: usem as riquezas deste mundo para conseguir amigos a fim de que, quando as riquezas faltarem, eles recebam vocês no lar eterno” (Lucas 16.9 NTLH).

Na eternidade não haverá relacionamentos virtuais. É bom cultivarmos bons relacionamentos reais desde já.