domingo, 3 de outubro de 2010

O VALOR DA EUCARISTIA

Há muito tempo venho andando no caminho da racionalidade em meio à fé. No afã de desmistificar o mistificado, acabei dando conta de que quase nada havia sobrado sem abalos na crença que havia cultivado até então. Os conhecimentos parapsicológico, psicanalítico, teológico, histórico e cultural, adquiridos em seminários, pesquisas, leituras, cursos e debates com especialistas, sendo alguns renomados nestas áreas, não me deixaram dúvidas de que as experiências religiosas de modo geral e principalmente as manifestações pentecostais não são mais que um subproduto da mente humana.

Diante dessa perspectiva, vinha, há alguns anos, lutando contra mim mesmo. De um lado o “eu” crendo e levando as pessoas a crerem num Deus presente. De outro lado o “eu” acreditando que todo benfazejo que poderia contemplar o crente, adviria unicamente de sua própria fé, o que explicaria todas as manifestações de cura e transformação de conduta que também ocorrem entre aqueles que crêem e seguem princípios de espiritualidade estranhos ao cristianismo. Nessas horas de conflito, meu principal ponto de apoio era creditar a força da fé que opera a um prévio dom divino dado a todas as pessoas indiscriminadamente, de forma que todo poder de operar milagres já estaria potencialmente presente, na pessoa, à espreita da fé. Embora plausível, essa premissa nunca foi capaz de satisfazer minha busca, pois não me agradava a idéia de um Deus impessoal, que dispõe aos seus filhos um mecanismo (a fé) que deverão aprender a usar sozinhos, abandonados à própria sorte no curso da vida.

Nesse tempo, observei que as igrejas evangélicas, bem como o catolicismo popular, aprenderam o poder da simbologia e em função disso lançam mão de todo tipo de amuletos para certificar a fé do fiel. Assim, mistificam diversos elementos como água do rio Jordão, terra de Israel, sal ungido, fitinhas (com ou sem nós), medalhas, anéis, rosa ungida, cruz vazada e outras tantas formas de “feitiçaria gospel”. O fato é que não podemos negar o sucesso obtido por meio desses amuletos no que se refere ao estimulo da fé. Muitos têm sido, por esses meios, curados de forma inexplicável. Considerei então que se elementos mistificados pela fé humana podem produzir tal efeito, quanto mais eficaz deve ser o que é de fato místico! Mas o que é de fato místico?

Temos por místico a Deus e seu fazejo espiritual. É por isso que, nessa mesma perspectiva, Calvino defendeu que o Santo Batismo e a Santa Eucaristia deveriam ser chamados de sacramentos, já que estes foram instituídos pelo próprio Senhor Jesus, de forma que negar seu valor místico seria negar a divindade de Cristo e o valor de suas palavras. É por isso que não pode desvalorizar os Santos Sacramento quem valoriza a Santa Palavra daquele que os instituiu.

Minha luta interior tomou resolução ao tempo em que compreendi que, ao contrário dos “amuletos da fé”, os sacramentos não são produtos, nem subprodutos da mente humana, mas instituição do próprio Deus. Na eucaristia o pão que partimos, partiu das mãos do Senhor Jesus, e ainda hoje o partimos de forma muito semelhante a que se fazia no primeiro século, como se das mãos do próprio Cristo o recebêssemos. O Cristo que manifestou a presença de Deus conosco, apresenta-se entre nós pela Eucaristia, a Palavra e o Espírito, acercando-nos por estes meios eficazes, a fim de nutrir nossa frágil fé e dar-se de igual modo ao rico e ao pobre, ao letrado e o indouto, ao forte e ao fraco.

Eis um mistério: Deus se fez homem; o verbo virou gente; o Espírito se fez carne; o místico se fez físico. Então o verbo encarnado, Jesus, como Filho mostrou o Pai, como homem revelou Deus; da mesma forma que o pão e o vinho, pelo poder do Espírito e da Palavra Divina, revelam Cristo em nós; e o físico nos traz o místico. Por esta clara razão os discípulos que acompanhavam Cristo no caminho a Emaús O reconheceram somente quando se deu o ato de partir o pão. Naquele mesmo momento também compreenderam as palavras de Cristo que lhes ardia no coração. E é este o efeito que a Eucaristia nos proporciona: permite-nos identificar sua presença e compreendermos o poder de sua Palavra. A falta de discernimento do Corpo de Cristo tem provocado uma letargia espiritual e privado muitos fiéis da presença real de Cristo e da vida promulgada nas Escrituras Sagradas, razão pela qual, tendo passado o período da reforma da igreja, vivemos um período de deforma da mesma. Disso já advertia São Paulo: “Pois, a pessoa que comer do pão ou beber do cálice sem reconhecer que se trata do corpo do Senhor, estará sendo julgado ao comer e beber para o seu próprio castigo. É por isso que muitos de vocês estão doentes e fracos, e alguns já morreram” (I Cor.11:29-30 NTLH).

Quanto a mim, depois de tanto tempo peregrinando a rota da razão, rendi-me a fé no que é realmente místico e me faz compreender o que não explico, nem poderia explicar, pois se um milagre fosse explicável, não seria milagre. E novamente encontro em Calvino a melhor forma de expressar o que é sacramento: “Um Mistério”! E que melhor forma haveria de expressar Cristo no que tange seu nascimento, sua vida, sua morte, sua ressurreição, ascensão e gloriosa vinda? Crer neste mistério implica crer naquele, pois são unos. Foi este o mistério uno que Ele mesmo ordenou que proclamássemos ao comer de seu corpo e beber de seu sangue.

E assim, quando Deus me encontrou, também se deixou ser por mim encontrado.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O DESAFIO DE ORARMOS POR QUEM NOS PERSEGUE

Por José Fernandes
Minuto de Reflexão

“ Eu, porém, digo-vos: amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!” (Mt 5,44).

Desafio você a fazer o que pede Jesus no evangelho de Mateus 5,44-45 que servirá de base para esta meditação. Você pode pensar: hoje acordei cheio de raiva, de ódio pela forma como as pessoas se comportam neste mundo. Muitas vezes vemos tantos absurdos que sentimos vontade de fazer justiça pelas próprias mãos. De repente nos deparamos com um tal de Jesus nos falando em amar os nossos inimigos e orar pelos que nos perseguem, que querem nos ver no fundo do posso, que nos desejam todo tipo de maldição, que nos magoam e nos caluniam injuriosamente? Como posso eu desejar o bem a estas pessoas tão maldosas e ingratas? Mas acredito que este é o maior exercício de fé que Jesus pode exigir de nós. É um exercício de superação.

Amar as pessoas que convivem conosco, a nossa família, amar os filhos, esposa, esposo, pais, irmãos e amigos isto não é um exercício. Isso nós fazemos, porque gostamos de fazer. Mesmo quando Jesus fala em amar o próximo achamos fácil, porque escolhemos o nosso próximo, mas o próximo, não é somente aquele que está ao lado neste momento. Uma pessoa pode estar lendo esta reflexão num ônibus, aguardando sua vez para ser atendido no consultório, sentado no banco de uma praça, e tem um próximo ao seu lado. Sabe que é a ele que você deve estender a mão neste momento e olhar por suas necessidades? Então vamos reavaliar os nossos conceitos e exercitar o nosso amor com aquelas pessoas que já havíamos descartado do nosso grupo de convivência.

Eu sei que é complicado e, bote complicado nisso, mas é possível amá-las. Posso estar sendo paradoxal, mas posso juntar minhas mãos e pedir que Deus ajude aquele cidadão e o abençoe apesar dele tramar contra minha pessoa, lutar pela minha derrota. É um exercício de amor incondicional: "amar sem esperar nada em troca". Acredito que só um cristão pode realmente fazer isso. Você pode, por mais difícil que pareça. Podemos tentar, mas Jesus não pede para que as pessoas tentem fazer, mas façam. É imperativo, o que exige de cada um de nós uma ação radical, que muda completamente a nossa forma de pensar no mundo em que vivemos.

Pense nisso. Tenha uma ótima semana e... Fique com Deus!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

AMIGOS PRA QUÊ?

Por Julio Zamparetti

Jesus contou uma parábola de um homem rico que tinha um administrador desonesto. Quando o homem rico pediu contas ao administrador, este percebendo que seria despedido passou a prestar favores aos devedores de seu patrão, diminuindo-lhes a dívida, a fim de que, fazendo esses favores, os favorecidos se tornassem seus amigos e o ajudassem na hora da necessidade que lhe estava por vir, tão logo fosse demitido. Quando o patrão percebeu o feito, elogiou o administrador pela esperteza com que usou dos recursos materiais (mesmo que não lhes pertencesse) para fazer amigos.

Infelizmente, nossa sociedade está perdendo a noção de quanto vale um amigo, uma família, uma congregação de fé! Estamos nos globalizando e ao mesmo tempo nos ilhando, criando centenas e até milhares de amigos nos sites de relacionamentos, mas na hora em que precisamos, temos cada vez menos amigos a quem recorrer! Vivemos aos montes num mesmo condomínio sem sequer sabermos os nomes dos vizinhos de porta! Que ironia do destino, vivermos tão “perto dos olhos, mas longe do coração”, um do outro! Quem imaginaria que num mundo superpopuloso e globalizado, com nossos nomes tão conhecidos no mundo virtual, seríamos tão solitários na vida real?

O problema é que investimos muito em nossa solidão: novos televisores, TV a cabo, computadores e moderníssimos celulares em que temos a chance de desenvolvermos e confinarmos todos os tipos de relacionamentos. Relacionamentos que, no convívio pessoal, não sabemos nutrir. E assim, nós, seres humanos, preferimos investir todos os recursos em nosso mundo virtual e nossas fantasias, onde tudo é perfeito e as pessoas reais não poderão estragar essa “doce ilusão”.

Aquele administrador não foi desonesto pelo que fez, mas sim pelo momento em que fez. Pelo que fez, o patrão o elogiou. Lembre-se de que nada que temos em nossas mãos é nosso, nada levaremos daqui. Tudo é do Senhor e nós somos os administradores de seus bens. Sendo assim, devemos aprender deste texto bíblico que a melhor forma de administrarmos as riquezas desse mundo, que a Deus pertence, é investindo-as na graça de fazer amigos.

Também estão entre as riquezas que dispomos neste mundo, a fé, a religiosidade, a espiritualidade e a cultura de nosso povo. Não poucas vezes usamos as Escrituras Sagradas como argumento para discriminar, marginalizar e excluir, impondo fardos pesados em nome de Deus. O mesmo Deus que propôs trocarmos nosso fardo pesado por seu fardo que é mais leve, trocar o peso de 100 quilos pelo de oitenta ou cinqüenta, e ainda hoje nos propõe trocarmos a condenação da Lei pelo acolhimento do amor. O que Jesus quer dizer é que os filhos da luz deveriam ser mais espertos e apressarem-se a aliviar as cargas uns dos outros e valorizar mais os laços fraternos.

Invista nos relacionamentos. Venda sua TV de 42”, junte o 13º, e faça uma viagem com a família, com os amigos, conheça pessoas, faça novos amigos, ajude os necessitados, visite sua avó, abrace seus filhos, beije seus pais, faça serviços voluntários, colabore com sua igreja e entidades filantrópicas, presenteie quem você ama, diga que o ama.

Mas não seja desonesto como aquele administrador, deixando para fazer isso somente quando estiver para ser despedido dessa existência. Porque, geralmente, só nos damos conta disso e nos tornamos espertos quando já não é mais a vida quem nos apadrinha.

“Por isso eu digo a vocês: usem as riquezas deste mundo para conseguir amigos a fim de que, quando as riquezas faltarem, eles recebam vocês no lar eterno” (Lucas 16.9 NTLH).

Na eternidade não haverá relacionamentos virtuais. É bom cultivarmos bons relacionamentos reais desde já.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

ESCÂNDALOS

Por José Fernandes
Minuto de Reflexão

“A ninguém damos qualquer motivo de escândalo, para nosso ministério não ser criticado” (2Cor 6,3).

Escândalos acontecem todos os dias. Aliás, a imprensa escrita, falada, televisiva, tem noticiado escândalos diariamente, tanto de segmentos públicos quanto de escândalos privados. A ética parece estar esquecida no vocabulário de muita gente. Vivemos uma crise sem precedentes. A Igreja tem um papel fundamental nesta questão no momento em que trabalha com princípios, com valores bem definidos. Notamos que pessoas com valores religiosos têm uma preocupação muito grande em denunciar e combater atitudes contrárias.

O apóstolo Paulo tem um cuidado todo especial em tratar do assunto. Ele não quer pregar moral de calças curtas. Tem a plena convicção que não pode exigir que “as pessoas façam o que ele diz, mas não façam o que ele faz”. Portanto alerta aos ministros para que não dêem motivo algum de escândalo, pois poderão ser alvos de críticas. Paulo sabia que precisava ser coerente com a sua fé, com a sua pregação. O ministro precisa ser exemplo se quiser realmente atingir os seus objetivos.

Mas podemos aqui falar não só de ministros da palavra, mas de cristãos que vivem o evangelho. Nós, leigos, seguidores de Cristo, precisamos também ser coerentes com aquilo que acreditamos. Vejo que muitos cristãos não estão nem um pouco preocupados com o modo como vivem. Pensam que são livres para fazer o que bem entendem. Não quero ser um falso moralista, mas sei que as pessoas nos reconhecem pelo que somos e como nos comportamos. Se não somos coerentes com o discurso, perdemos completamente a nossa força. Se nós chamarmos a atenção dos outros pelos escândalos que cometemos, n ão chamaremos a atenção falando do amor de Deus. É um cuidado que precisamos ter. Cumprir os mandamentos e olhar pelo bem comum são desafios constantes para cada um de nós.

Pense nisso. Tenha uma ótima semana e... Fique com Deus!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

RELIGIOSIDADE E SERVIÇO

Baseado em Amós 8:4-7; I Timóteo 2:1-8; Lucas 16:19-31

Deus está interessado em nossa qualidade de vida, na condição de trabalho a que é submetido o trabalhador, também no seu descanso, férias e convívio com sua família, seus amigos e irmãos de fé.

Na leitura de Amós 8, o profeta denuncia a motivação errada de quem guardava os sábados desejando que logo viesse o outro dia para poder fazer seus negócios, acumular bens, aumentar os lucros alterando as balanças e explorar os necessitados.

Quem pensa que Deus instituiu o descanso por motivos arbitrários a fim de satisfazer “seu ego divino” e de quebra provar quais, dentre os homens, são Seus verdadeiros filhos, engana-se redondamente. O que Deus quis foi proporcionar nosso próprio bem. Afinal, o que damos a Deus, para nosso benefício o damos. A oração, que a Ele dirigimos, beneficia com paz e serenidade, em primeiro lugar, a nós que oramos; a adoração que rendemos àquele que era, que é e que há de vir, nos é revertida com a graça de sermos, na adoração, transformados a sua imagem. Assim também, o descanso que lhe dedicamos é exatamente o que precisamos para recebermos dEle a força necessária a fim de continuar a labuta diária.

Quando a igreja primitiva passou a se reunir no primeiro dia da semana, conforme relatado em Atos, demonstrou num simples gesto o que o Apóstolo Paulo expressou perfeitamente nas seguintes palavras que escreveu a Timóteo: “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvado” (I Timóteo 2:1-3). Assim disse ele: antes de tudo, orações e ações de graças. Ao começar a semana, o primeiro dia é dia do Senhor (Dominus = Domingo), antes de começar o dia, antes de começar o trabalho, antes de tudo, reconhecermos que dEle precisamos, para também reconhecermos que precisamos dos amigos, dos irmãos, da família, dos pobres e dos necessitados, a fim de que, com todos, aprendamos a amar indistintamente, promovendo mansidão, tranquilidade, piedade e respeito mútuo.

Essa graça não é proveniente da religiosidade ritualista e farisaica, mas da pureza de coração, que é fruto do arrependimento. Numa analogia à Eucaristia, na parábola do Rico e o Lázaro (que significa leproso – análogo a pecador), Jesus mostra que Deus se agradou mais de quem comia das migalhas que sobejavam, do que daquele que se assentava à mesa. Não é errado se assentar à mesa do Senhor, pois para isso fomos convidados, tendo Deus nos feito seus filhos por meio de Jesus Cristo. Errado é excluir dessa mesa os lázaros (pecadores, publicanos, excluídos, marginalizados, prostitutas, homossexuais, divorciados, recasados...), renegando-os, quando muito, às migalhas. Não por acaso disse Jesus: “Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus”. Da mesma forma não é errado ser rico, mas errado é enriquecer às custas da exploração do pobre, da sonegação, da pirataria, etc.

Minha oração é que nosso serviço à mesa do altar, nossas súplicas, nossas orações e ações de graças, tenham primazia em nossas vidas, e sejam em favor de todos os homens, todas as mulheres, todos os Lázaros, seja inclusiva, para que agrade a Deus, que deseja que todos sejam salvos.

sábado, 18 de setembro de 2010

A NOVA VIDA

Por José Fernandes
Minuto de Reflexão

“Portanto, se alguém está em Cristo, é criatura nova. O que era antigo passou, agora tudo é novo” (2Cor 5,17).

Acredito que a maioria dos cristãos busca todas as manhãs coisas novas. Sempre acordamos com a esperança de que o dia seja bom, que nossos planos funcionem e que possamos viver com tranqüilidade e sob a proteção de Deus. No texto acima referido o apóstolo Paulo fala em criatura nova, em um mundo novo. E este, sem sombra de dúvidas, parece ser o desejo de muitos, que de um momento para outro haja uma verdadeira transformação. Cabe aqui lembrar as inocentes histórias infantis quando num piscar de olhos a mágica toma conta da nossa imaginação e a abóbora transforma-se em carruagem.

É claro que não existe mágica. Mas existe transformação, existe vida nova. Paulo mostra um caminho que pode transformar nossos sonhos em realidade. A transformação aconteceu no momento em que Jesus morreu por nós, deu sua vida em nosso favor, lá no calvário. Tudo o que era velho, antigo, se transformou naquele momento. Deixamos para trás as velhas leis e passamos a viver uma nova realidade. O ato de Cristo transformou a minha, a sua, as nossas vidas, fazendo com que sejamos hoje criaturas novas. Deixamos tudo o que nos atormentava e passamos a viver uma vida conduzida pelo santo evangelho, pela boa-nova da salvação.

Alguns até podem perguntar: mas como acontece isso se eu não vejo nada? E eu respondo, sem medo de errar: “acontece pela fé nesta obra maravilhosa de Jesus”. O simples fato de não precisarmos mais pagar por nossos erros e saber que Deus já nos perdoou é um verdadeiro milagre. Podemos nos sentir aliviados, tranqüilos, sem o pavor do castigo eterno. Podemos olhar para o alto e, arrependidos, agradecer ao Pai do céu por esta verdadeira transformação. Isso nos leva a viver um dia cheio de alegria, de vontade, de entusiasmo e principalmente de certezas. Agora estou cheio de vigor, de forças, de coragem para continuar o meu dia com o coração contrito, sentindo a presença e a força de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pense nisso. Tenha uma ótima semana e... Fique com Deus!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

SERVIR OU SER SERVIDO? EIS A QUESTÃO

Baseado em: Êxodo 32.1-14; I Tim.1:12-17 e Lc.15:1-10

Enquanto Moisés se demorava no Monte Sinai, o povo se corrompia na adoração aos deuses. Então, Deus propõe exterminar aquele povo e fazer uma nova e grande nação a partir de Moisés. Uau! Que proposta irrecusável! O próprio Deus sugerindo uma nova geração em Moisés, um novo e autêntico patriarcado! Quantos desejaram isso! Quantos ainda desejam!

A cada dia surgem novas e novas igrejas, homens se auto-intitulam pastores, bispos, apóstolos ou patriarcas. Sob a voz do latente desejo de poder e domínio, formam novas instituições religiosas, criam suas próprias doutrinas, e como aqueles que construíram a torre de Babel, também esses constituem seus reinos a fim tornar célebres os seus nomes, engordando o rol dos seres luciféricos* que desejam fazer sua morada além dos céus.

Diante da maior oportunidade de fazer seu nome, Moisés, sem titubear, lembra que o patriarca já existia e que a promessa que estava diante de si já havia sido feita a Abraão e, portanto, sua missão não era fazer grande o seu próprio nome, mas trabalhar para que a descendência de Abraão fosse feita uma grande nação. Então, Moisés intercede por aquele povo ao ponto que “o Senhor Deus mudou de idéia e não fez cair sobre o seu povo a desgraça que havia prometido”.

Moisés, por seus atos, deixou claro sua satisfação em ser servo quando podia fazer-se maioral; ser escravo quando podia ser rei. Postura semelhante tem o apóstolo Paulo quando se intitula o pior dentre os pecadores a quem Cristo veio salvar. Certamente esta humildade foi a razão pelo qual esses dois homens tornaram-se ícones tão excelentes da fé autêntica. Afinal, “os que se humilham serão exaltados”.

Esta fé é capaz de nos fazer compreender que quanto mais percebemos nossa pequenez, mais aprendemos o sentido da grandeza da graça e misericórdia de Deus. E quanto mais entendemos a grandeza de Deus, mais nos damos conta de nossa pequenez.

Enquanto para os homens-luciféricos a preocupação se volta para o “capetalismo”, a fama, o sucesso, as multidões, os grandes patrocinadores, associados e dizimistas, os cristificados, tal qual Cristo, valorizam o pobre, o indivíduo, o ser humano, o sofredor, aqueles a quem o menor serviço faz a maior diferença. Só quem entende isso compreende o que faz uma ovelha perdida ter mais valor que as noventa e nove do aprisco; o que faz o ato de servir valer mais que ser servido.

“Quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir” (Marcos 10:43b-45a)



* Aqueles que, como o rei da Babilônia (Isaias 14:12), querem pôr-se como a “estrela da Manhã” (traduzido por lúcifer na versão King James), o planeta Vênus, que era tido como a estrela mais brilhante.