sexta-feira, 25 de junho de 2010

DUPLICAÇÃO DA BR 101 X SEGURANÇA

A cada dia fica mais evidente a falta de segurança com que a comunidade do Bairro São Cristóvão tem que conviver. O ritmo das obras de duplicação da BR 101 é tão lento que parece uma forma de desaforo e afronta à paciência e boa fé dos moradores que são obrigados a arriscarem suas vidas pelo simples direito de ir e vir. É um total desrespeito o que se faz neste bairro!

Atualmente, à altura do Km 343, enquanto a pista principal está em plenas condições de uso, o trânsito está, há semanas, sendo desviado por uma pista paralela inadequada, sem acostamento, com curva e declínio que a torna totalmente insegura. E se isso não bastasse a sinalização é absolutamente precária.

Na última quarta-feira, um garoto de apenas quatorze anos foi atingido por um caminhão, na beirada do asfalto, enquanto voltava da escola. O caminhão evadiu do local sem prestar socorro e o garoto foi para UTI do Hospital com traumatismo craniano. Queira Deus que o rapaz se recupere! Os moradores de São Cristóvão estão revoltados e perplexos. Até quando teremos que viver nessa tensão? A segurança dos moradores das margens da BR deve ser prioridade. A morosidade nas obras e a falta de uma passarela (que deveria ser uma das primeiras coisas a serem feitas) denunciam o descaso à população. Será que dentre as autoridades tubaroneses, temos alguém por nós?

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O FATO, O ESPÍRITO E O SACRAMENTO

Os sacramentos deveriam selar a união dos cristãos; deveria ser um sinal visível da unidade do corpo místico de Cristo. Ao invés disso, temos neles motivos de divergências e facções. Isso é um sintoma claríssimo de uma enfermidade muito séria, pois nenhum corpo é capaz de ter um bom funcionamento com seus membros dispersos, ou lutando entre si.

O problema é que fizeram do sacramento um fato em si, enquanto o fato não é outro senão a obra de Cristo.

Cristo deu sua vida em nosso favor; este é o fato. Nossa participação no corpo e sangue de Cristo se dá sacramentalmente pelo pão e o vinho e espiritualmente pela fé em Cristo e obediência aos seus mandamentos.

Nem o que é sacramental, nem o que é espiritual devem ser compreendidos como factuais. Se o sacramento fosse o fato, não haveria sentido em Paulo afirmar que se Cristo não houvesse ressuscitado, vã seria nossa fé (I Cor 15.14,17). Desta afirmativa, entendemos que a validade dos sacramentos não está em si, mas no fato de Cristo ter morrido e ressuscitado. A Eucaristia é, então, o ato sacramental que alude e infunde a fé de que somos participantes espirituais da morte e ressurreição factual de Cristo.

É importante observarmos que a Ceia do Senhor não foi instituída como a temos hoje. Nos primórdios tratava-se de um verdadeiro banquete. Entretanto, hoje, todos concordam que seu cumprimento é satisfeito na participação de uma pequena partícula de pão molhada ao vinho. Seria ela absolutamente insignificante, diante do fato que representa, se não fosse o valor sacramental que lhe é atribuído pelo Espírito. Sendo Cristo Aquele que sacia nossa alma, seria uma discrepância servir, na Eucaristia, algo menor que um farto banquete. Mas como sacramento não é mais que um sinal visível de uma graça invisível e um meio de graça que nos une ao fato, basta-nos uma partícula para que participemos da plenitude do que Ele nos serve à sua mesa.

Quanto ao batismo não é diferente. Logo, aqueles que exigem tamanha quantidade de água para que seja válido o batismo, cometem o delito de fazerem do sacramento o fato. Pois não é o batismo que nos regenera, nem é no batismo que somos sepultados. Na verdade, pelo sacramento do batismo somos sepultados espiritualmente na morte de Cristo, fato consumado na cruz, onde o sangue que nos redime e nos purifica foi, de fato, derramado. Conforme disse o Apóstolo São Paulo em Romanos 6.4, pelo sacramento do batismo somos sepultados espiritualmente na morte factual de Cristo. Não somos sepultados em água, nem em terra, nem mesmo na gruta em que o próprio Cristo foi, de fato, sepultado. Somos sepultados na sua morte. Logo, o termo sepultado ganha aqui o sentido figurado de escondidos (na morte de Cristo), submersos (na morte de Cristo), esquecidos (na morte de Cristo), ocultados (na morte de Cristo), recolhidos (na morte de Cristo), ou separados do mundo (na morte de Cristo). Mas nada disso tem outro lugar de execução senão na cruz. Não é o sacramento que torna isso um fato, mas o fato (a morte de Cristo) é que faz o sinal sacramental suficiente para a efusão desta graça espiritual em nossa vida.

Não é a água que tem poder de apagar os pecados, mas sim o sangue de Cristo. Nem é o pão e o vinho que saciam nossa alma, mas sim Cristo em sua Palavra e Espírito. Logo, não será a quantidade dos elementos usados nos sacramentos que os validarão, mas sim a ação do Espírito que por eles opera. “Se esta ação do Espírito de Deus faltar, os sacramentos não poderão oferecer ao nosso espírito mais que aquilo que a luz do sol pode oferecer aos cegos, nem mais que o que uma voz altissonante pode dar a ouvidos surdos” (João Calvino). A quantidade de água num batismo pode ser importante para os hindus que conotam o fato da purificação ao poder das águas do Rio Ganges. Para eles o poder espiritual deriva do rio, para nós é derivado da cruz; para eles é o banho que os purifica, mas para nós o poder da regeneração não vem das águas... vem do alto.

Quanto ao fato, tudo foi consumado na cruz e nada mais há para se fazer, pois o sacrifício de Cristo é absolutamente suficiente. Quanto ao Espírito, é por Ele que, em Cristo, somos sepultados, submersos e esquecidos, para que pelo mesmo Espírito possamos ressurgir para uma nova vida em Cristo. Quanto aos sacramentos, não cabe ser, nem mesmo complementar o fato, mas sim proporcionar sinal visível e efusão da graça espiritual realizada por Jesus, dando-nos a certeza de que o próprio Cristo “marca com um sinal a testa dos homens que suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se cometem” (Ezequiel 9.4) e guarda da morte os que têm “o selo de Deus sobre a fronte” (Apocalipse 9.4).

Com base nisso, não temos dúvida alguma que na aspersão ou efusão das águas batismais, nosso espírito é imerso em Cristo, da mesma forma que na ministração de um pequeno pedaço de pão, nossa alma é contemplada com o farto banquete divino.

Por fim, a presença de Cristo que nos é infundida pelos sacramentos (não que a presença de Cristo dependa dos sacramentos, mas por eles ela é selada) só é eficaz quando se manifesta na obediência aos seus mandamentos, que por sua vez se resumem no amor. Portanto, para que o sacramento seja de fato válido, deverá impreterivelmente ser uma expressão do amor de Cristo. Este amor gera compreensão, unidade, humildade, inclusividade e respeito à diversidade e a multiforme graça de Deus. Então os sacramentos propiciarão à nossa alma algo ainda mais resplandecente do que as cores que a luz do sol irradia aos olhos de quem enxerga; algo mais harmonioso do que o som das notas musicais aos ouvidos de quem ouve.

“Quem tem ouvidos ouça”.

sábado, 29 de maio de 2010

QUEM SOU

Se te disser que sou calvinista
Não penses que me saberás lendo as institutas
Se te disser que sou Wesleyano
Não espere ver-me no Clube dos Santos
Se te disser que sou de esquerda
Não te surpreendas em ver-me junto à direita
Não me busque por rótulos, pois já os deixei
Hoje cultivo conteúdo
Agora sei que sei de tudo
Tanto quanto tudo de mim não sei
E me orgulho de não saber nada
Tanto quanto nada de mim eu sei
Quem fui? Quem sou? Quem serei?
Quem haverá de saber?
Só meu Rei... Só meu Rei

terça-feira, 11 de maio de 2010

O SERMÃO DE CRISTO

O Sermão das Bem-aventuranças constitui um texto universalista, estudado por todos os grandes mestres que surgiram depois de Cristo. A razão disso é muito lógica: todos aqueles que se propõem a viver e propagar a vida de amor, paz de espírito, alegria e justiça encontram nos preceitos e na própria vida de Cristo o mais justo modelo de tal vida.

As Palavras de Cristo são a exata expressão de seu próprio ser. Por isso conhecê-las é conhecê-Lo; tê-las na mente e coração é tê-Lo interiorizado; tê-la em seu modus vivendi é revelá-Lo ao mundo.

Informações e Pedidos: Juliozamparetti@hotmail.com

quarta-feira, 5 de maio de 2010

TESTEMUNHAS DO QUÊ?

De 16 à 23 deste mês (Maio/2010) teremos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, uma campanha internacional, encabeçada no Brasil pelo CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs). Este ano, o tema, que ficou a cargo das igrejas da Escócia, é VÓS SOIS TESTEMUNHAS DESSAS COISAS. A respeito disso, faço uma pequena reflexão que se segue:

O evangelho não é um conto do passado, mas, sim, a Palavra viva e eterna que se renova e se contextualiza ao tempo em que se vive. Se queremos testemunhar de Cristo, precisamos constatar nossa própria realidade encontrando-o, primeiramente, em nosso íntimo, hora por sermos seus embaixadores, hora por sermos os pecadores miseráveis a quem Ele se fez semelhante e por quem Ele se deu. Depois disso, haveremos de encontrá-lo no próximo, que como nós é tão santo e pecador.

Ao nos fazer seus nobres embaixadores, Cristo nos deu a incumbência de, tal qual seu exemplo, fazermo-nos servos de todos. O Cristo que cura, que salva, que reina, que tem todo poder sobre os céus e terra é o mesmo Cristo que sente fome, sede e frio; que está doente, nu, maltrapilho, preso atrás das grades ou encarcerado pela exclusão social, dormindo em baixo dos viadutos, nas ruas, sub-vivendo num sub-mundo, que fingimos não existir, ou não ser problema nosso.

Que insensatez a nossa! Buscar o Cristo num céu inalcançável e rejeita-lo e excluí-lo quando está ao nosso lado! Seria possível alcança-lo lá, rejeitando-o aqui? Não. Todavia, quando estendemos as mãos ao miserável sofredor, tão próximo e semelhante a nós, fazemos mui próximo o céu tão distante. Nisso consiste a vinda do Reino do Pai a nós.

Eis o paradoxo da Graça: o Reino que pedimos vir a nós é o mesmo Reino do qual somos enviados a semear; a paz que Cristo prometeu a nós é a mesma paz da qual Ele nos fez construtores; o amor que pedimos a Deus é o mesmo que devemos dispensar aos homens; o Cristo que desejamos testemunhar é o mesmo que precisamos manifestar. Portanto, de nada seremos testemunhas se não arregaçarmos as mangas e nos dispormos à diaconia para a qual Cristo nos comissionou.

domingo, 25 de abril de 2010

A CRUZ (parte II)

Há alguém na Cruz

“Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo;” (Gálatas 2:19).

Muitos cristãos aceitam a cruz como símbolo do cristianismo, contudo, não a aceitam senão vazia. Argumentam que Cristo já ressuscitou, e que assim o uso de tal símbolo com alguém crucificado seria a negação da doutrina da ressurreição.
Muito embora sejamos participantes da ressurreição de Cristo, para uma nova vida, tanto quanto somos participantes de sua cruz, não podemos negar que vivemos sob a tensão de duas naturezas. A saber: a carnal e a espiritual. Uma nascida da natureza humana, outra nascida da natureza de Cristo; uma tendendo para satisfação do ego, outra tendendo para o bem do próximo e equilíbrio do cosmos. Isso faz parte de nossa evolução. Estamos aprendendo a ser como Cristo e neste processo precisamos crucificar constantemente nossas tendências carnais e egocêntricas. Quando vejo a figura do Cristo crucificado, não vejo apenas o Filho de Deus na cruz, vejo também o corpo de Cristo. Corpo do qual eu faço parte e, portanto, estou vendo minha carne e sua concupiscência ali e assim desejo vê-la até o dia de minha morte, quando completarei todo processo de transformação e minha carne jamais me tentará ao mal novamente.

A cruz jamais deve estar vazia. Isso seria um desastre! Ela é o lugar onde a maldade é vencida, o pecado é exposto, a natureza egocêntrica é aniquilada, o véu é rasgado e a graça é revelada. Quantas desgraças nós já presenciamos pela carência destes atributos da cruz! O que será do mundo se a cruz estiver vazia?

Há hino, de autor e origem desconhecidos, muito bonito que expressa muito bem esse assunto. O hino diz assim:

Senhor, por eu te amar
Eu quero ver tua vontade em mim

Me leva pra cruz, Senhor
Eu quero reinar
Como Cristo reinou

Eu quero ver o mundo
Meus pecados e minhas vontades
Sujeitas lá na cruz


Esse é o elo entre a cruz e toda posteridade. Uma cruz não só contada e cantada em versos e prosas, mas vivida na vida de cada pessoa que, a exemplo do apóstolo Paulo, se sujeita às dores que as perdas provocam, quando se busca mudanças para transformar o mundo em favor do próximo. Assim dizia São Paulo: “Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja” (Colossenses 1:24).

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Extraído do livro 'O Cristianismo que os Cristãos Rejeitam' de Julio Zamparetti Fernandes

sábado, 24 de abril de 2010

A CRUZ

“Mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios;” (1 Coríntios 1:23).

A cruz tem sido negada por muitos cristãos e isso ocorre de várias formas. Primeiramente, a cruz é negada por pessoas que afirmam que ela não é símbolo do cristianismo e jamais foi usada pelos cristãos da igreja primitiva. Dizem que seu uso está relacionado a Constantino (Imperador de Roma que se converteu ao cristianismo, tornando-o a religião oficial do império), figura abominável aos olhos deles.

Não tenho intenção de julgar os méritos ou deméritos de Constantino ou de quem o abomina. Entretanto, creio que independentemente do uso ou desuso de Constantino, a cruz, sob vários aspectos, tem uma importância singular à fé de todo o que crê em Cristo.

Foi o próprio Jesus quem advertiu que se alguém quisesse segui-lo deveria tomar a sua própria Cruz. É no mínimo contraditório alguém se denominar cristão e negar a cruz.

Para ser cristão é necessário estar incluso na cruz de Cristo, ser parte de seu corpo. É preciso morrer a sua morte e viver a sua vida. Quando se morre na carne, não restam desejos, apetites, nem libidos pecaminosos. Aqui quero lembrar algo muito importante: a igreja é o corpo de Cristo. Portanto, em Cristo, já provou da morte na carne. Esse é o significado de estar morto em Cristo. Muitos desejam participar da vida de Cristo, mas pouquíssimos se dispõe a participar de sua morte. O problema é que a vida de Cristo começa na sua morte, não há outro caminho, não há atalho. Na morte carnal de Cristo está a morte para o pecado de todo aquele que crê e está incluído em sua morte, em sua cruz. A partir daí é que se pode viver a vida que Ele prometeu, não só no porvir, mas também aqui, afinal, a eternidade começa agora. Portanto, negar a cruz é negar o meio pelo qual Deus escolheu para executar o processo salvífico do homem.

A Bíblia é repleta de exemplos de que o caminho cristão é um caminho de cruz. A porta é estreita, o caminho apertado, há pedras no caminho e Jesus não as transformou em pães. Se você tem recebido a proposta de que Cristo te fará rico por meio de uma “singela” oferta, ou tem ouvido falar de um evangelho que é só vitória e sucesso, tome cuidado. Você está sendo enganado!

Muitos dos que buscam uma religião, hoje em dia, buscam uma fórmula mágica para o sucesso. Para vergonha do cristianismo essas fórmulas têm sido supostamente encontradas aos montes nas seitas que se denominam cristãs. Iludidas, pessoas carentes e ansiosas por solução, seguem todos os passos ordenados por líderes mercenários que só estão interessados em encher seus templos e cortar até a última lã que as pobres ovelhas podem dar.

Há uma cruz no caminho, no caminho há uma cruz. Não há cristianismo sem cruz. Ao menos não um cristianismo que pretenda transformar o mundo. Pois, como diz meu amigo, pastor Maicon Blues: “não há transformação sem mudança, nem mudança sem perda, nem perda sem dor”. Essa é a cruz da qual não pode fugir quem deseja um mundo melhor. Precisamos estar dispostos a mudarmos nossa velha maneira de ser, abandonarmos o egoísmo, deixarmos de pensar como indivíduos e pensarmos como família, irmãos, cidade, país, planeta terra. Enfim, pensarmos como parte integrante do cosmos que caminha para a destruição, caso continuemos agindo irresponsavelmente de maneira individualista e egocêntrica.

Mudar isso, de fato, requer perdas: requer perda do lucro ilícito; requer perda de “favores” políticos; requer perda das facilidades que dificultam a vida dos outros. Requer perda de bajulações, quando o falar a verdade não interessa os bajuladores de plantão; requer perda do apoio de amigos quando os interesses desses amigos não correspondem aos ideais de mudança; requer perda, até mesmo, dos próprios amigos, quando esses não eram mais do que amigos de seus próprios interesses. Quanto a isso, disse Jesus: “Se alguém vier a mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:26).

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Extraído do livro ‘O Cristianismo que os Cristãos Rejeitam’ de Julio Zamparetti Fernandes.