sábado, 10 de abril de 2010

EVANGÉLICOS IDÓLATRAS

Evangélicos são, muitas vezes, idolatras... eu diria até arcólatras, oleólatras, fitólatras, gedozólatras, salólatras, corredorólatras, campanhólatras e até bibliólatras. Muitas igrejas não admitem o uso da imagem do crucifixo que é um ícone da nova aliança, mas usam e abusam de qualquer réplica mal feita da arca, que é ícone da antiga aliança. Isso sem contar com a devoção que o povo evangélico, não raras vezes, emprega à arca; enfrentam filas para tocá-la e o fazem muitas vezes chorando e confiando que ao simples toque serão abençoados. Que diferença tem isso da devoção empregada no santuário de Aparecida? Na verdade, a maioria dos crentes apenas mudou de idolatria (se é que a imagem dos santos constitui idolatria).

Os santos são ícones do cristianismo; são exemplos a serem seguidos; gente que andou com Cristo e viveu Sua cruz e ressurreição, portanto, apontam para Cristo. Mas quem são os ídolos evangélicos? Arca, castiçal de sete velas (sem velas! rsrs), óleo ungido (e você não vê católicos com vidrinho de óleo lambuzando tudo o que possui), lencinho, fitinha, toalhinha, sal e rosa ungidos e por aí vai. Acaso alguma dessas coisas pode ser ícone perfeito de cristo? Apontam para Cristo? Seguiram Cristo? Viveram a morte e ressurreição de Cristo? NÃO. Alguns são ícones da velha aliança, outros apontam somente para a avareza de seus líderes sem escrúpulo. Logo, a cultura invangélica (assim mesmo, pois de evangélica não tem nada) está mais impregnada de idolatria do que aquela que os invangélicos acusam e condenam.

Todavia não se pode negar a desvirtuação da iconologia católica, que contraria as Escrituras e o próprio catecismo católico e a ICAR simplesmente fecha os olhos para isso.

Santos são ícones, não mediadores. A idolatria evangélica nem para ícone serve.

terça-feira, 6 de abril de 2010

UMA IGREJA AO GOSTO DO FREGUÊS

Para quem quer fazer-se líder espiritual “bem $ucedido”, quero dar algumas instruções baseadas na experiência própria de uma década de pastoreio “mal $ucedido”.

Em primeiro lugar é preciso saber que toda forma de princípios deverá ser deixada de lado, pois os princípios, fatalmente, o levarão à resoluções que certamente não agradará a todos. Logo, o melhor é viver sem ideologias, a fim de que possas concordar com todos e por ninguém ser discordado.

Em segundo lugar, faço saber que é requerido do líder poderes sobrenaturais. O tal deve curar a todos, declarar prosperidade, pregar mensagens positivas e objetivas. Nada de pensamentos subjetivos, que tratem da alma, do pecado, muito menos de sofrer por amor a Cristo.

As orações deverão ser “fortes”, e embora diga-se ser espontânea e inspiradas, não deve passar de jargões batidos e baratos sem qualquer fundamento teológico. É disso que eles gostam e quanto mais você berrar, mais darão “aleluias” e você será aclamado como homem ungido e cheio de poder.

Se queres ser pastor, ou padre de $uce$$o, deverás ser uma espécie de super-man. Não poderás demonstrar fraqueza, nem tristeza, muito menos depressão, mesmo quando aqueles a quem mais confiavas, acabam revelando, por força das circunstâncias, que preferiam as coisas tal como eram no Egito.

Não esqueça de que o culto deve ser um show, afinal temos que compensar a falta que sentimos dos "embalos de sábado a noite". E nesse show todos devem levar suas Bíblias, embora a leitura deva se resumir a apenas um ou dois versículos, porque, na verdade, ninguém está interessado em ler a Bíblia; argumentarão que podem muito bem lê-la em casa – embora nunca o façam. E depois, o que importa é a técnica da homilética e não seu conteúdo. Também não se interessam por orações comunitárias, afinal “cada um que busque sua bênção”. Não querem mais refletir, muito menos aquietar-se para ouvir Deus no silêncio. Só o que importa é que a oração os faça chorar de emoção, que a pregação os encha de ilusão, que a música seja agitada, os arranjos bem elaborados, e se a melodia emociona, nem importa o que diz a letra.

Não se esqueça de pregar o que prega a maioria dos pregadores; porque ninguém quer estar fora da moda, nem fora da norma da maioria. O seu amor abnegado e sua dedicação em ensinar as Escrituras, jamais serão suficientes, ou mesmo não terão qualquer relevância, quando a questão é quebrar os paradigmas, preconceitos e dogmas que mesmo infundados, estão arragaidos em alguma tradição, seja ela qual for.

Por final, fale somente o que eles querem ouvir, sem se preocupar com o que eles precisam ouvir. Mesmo sabendo que quem só fala o que os outros querem ouvir, tolhe de si a liberdade de pensar e agir, propriedades fundamentais para que algo possa mudar. Mas você não está preocupado com isso, está?

Se fizeres assim, certamente amanhã olharás para mim zombando por ter tido muito mais $uce$$o e glória do que eu. Mas com certeza, não terei inveja. Sentirei apenas pena de ti, nada mais.

terça-feira, 30 de março de 2010

A VIRGEM MARIA, JERUSALÉM, E O TESOURO

À virgem foi anunciada a concepção do Filho de Deus. Mesmo sem compreender como isso se daria e arriscando sua reputação, ela se dispôs como verdadeira serva de Deus e aceitou todas as conseqüências que tal decisão acarretou sobre si. Assim, se alegrou no nascimento do salvador, se orgulhou no menino que crescia em sabedoria e graça, confiou no futuro promissor do jovem galileu, sonhou com o Reino anunciado nas palavras do Mestre. Mas como a vida não é só bonança, sofreu pelo sofrimento de seu filho, sem o deixar só em momento algum de sua via sacra; chorou aos pés da cruz, sem desacreditar que o crucificado era o Rei e a cruz seu trono. E para quem viveu tão ardorosa via, quão mais prazeroso é o jubilo da ressurreição!

Dias antes daquele suplício, entrava Cristo em Jerusalém. Em brados de alegria, gritava aquela gente: “Bendito o que vem em Nome do Senhor”. Concebiam também, eles, o mesmo Cristo que Maria havia concebido. Todavia, Cristo... ah, esse não teria deles a mesma fidelidade recebida dela. Alguns dias depois, as mesmas vozes que cantavam “hosana ao Rei”, gritariam “crucifiquem-no”.

Hoje, uma geração que nega sua cruz, sua história e seus mártires; que pensa que cristianismo é conquista material, riquezas e poderes; que não se dispõe a reinar com Cristo na cruz, que não sabe o valor da cruz, nem o poder do crucificado, não pode, de forma alguma, entender o valor da ressurreição, nem se regozijar de verdade em sua glória.

Diante de tão grande degradação espiritual, não é de se admirar que até os que se dizem cristãos não percebam quão precioso tesouro é a páscoa e todas as demais graças cristãs entesouradas em nossa liturgia. Muitos realizam em suas igrejas todo tipo de festas, algumas de conotações judaicas, outras oriundas de mero apelo comercial, enquanto o tesouro cristão é renegado ao esquecimento, a ponto que, em algumas igrejas, falar de quaresma, páscoa ou advento, é coisa do capeta! Pobres criaturas... Estão trocando Cristo por Barrabás!

A Igreja de Cristo é como uma arca do tesouro. Tal qual Jerusalém e Maria que com alegria conceberam o filho de Deus em seu interior. Entretanto, tal qual Jerusalém, essa mesma igreja, não poucas vezes, rejeita seu tesouro trocando-o pelos barrabases dos modismos, oba-obas, barganhas e evangelhos em liquidações. Até quando?!

Tal qual Maria, sejamos nós a arca que contém o mais precioso tesouro e o revela ao mundo sem dele se envergonhar, anunciando-o a tempo e fora de tempo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na cruz e na ressurreição. Pois só quem participa de sua morte, se alegrará em sua vida.

“Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição” (Romanos 6.5).

Que a páscoa nos seja muito feliz.

sexta-feira, 26 de março de 2010

ALGUÉM PARA AMAR

Por MADRE TERESA DE CALCUTÁ

Senhor,

Quando eu tiver fome,
dai-me alguém que necessite de comida.

Quando tiver sede,
dai-me alguém que precise de água.

Quando sentir frio,
dai-me alguém que necessite de calor.

Quando tiver um aborrecimento,
dai-me alguém que necessite de consolo.

Quando minha cruz parecer pesada,
deixe-me compartilhar a cruz do outro.

Quando me achar pobre,
ponde a meu lado alguém necessitado.

Quanto não tiver tempo,
dai-me alguém que precise de alguns dos meus minutos.

Quando sofrer humilhação,
dai-me ocasião para elogiar alguém.

Quando estiver desanimada,
dai-me alguém para lhe dar novo ânimo.

Quando sentir a necessidade da compreensão dos outros,
dai-me alguém que necessite da minha.

Quando sentir necessidade de que cuidem de mim,
dai-me alguém que eu tenha de atender.

Quando pensar em mim mesma,
voltai minha atenção para outra pessoa.

Tornai-nos dignos, Senhor, de servir nossos irmãos
que vivem e morrem pobres e com fome, no mundo de hoje.

Dai-lhes, através das nossas mãos, o pão de cada dia
e dai-lhes, graças ao nosso amor compassivo, a paz e a alegria.

sábado, 13 de março de 2010

AS RELIGIÕES E SEUS CONFLITOS

Inegavelmente, a religião exerce influência fundamental na construção das relações entre indivíduos e povos. Esse fato pode ser constatado em todas as épocas da história da humanidade. Ela que foi constituída para unir os indivíduos em torno da paz e comunhão, tem sido corriqueiramente alvo de grandes e pequenos conflitos. Em meio a este conturbado cenário urge a necessidade de nos dispormos a suplantar os obstáculos das diferenças dogmáticas em prol daquilo que é o teor de uma verdadeira mensagem religiosa, desafiando-nos a comungar o que de mais valioso pode haver na religião, constrangendo-nos a pregar e viver a paz e o amor.

Altruísmo, alguém sabe o que quer dizer? A resposta seria mais fácil se a pergunta fosse a respeito de metas pessoais, prazer, satisfação, realização, sonhos, projeto de vida. Mas, altruísmo... altruísmo, realmente está em desuso e, conforme os princípios de Darwin, enfadada a extinção. Tudo porque, quando crianças, os homens acreditam que o universo gira em torno deles. Os pais são seus, a casa, as ruas, a terra e as estrelas são todos seus e feitos para si. Crescem, amadurecem, envelhecem, mas não aprendem. Não aprendem que a vida não tem um fim em si mesma; que o sentido de viver é servir.

Muitos são, hoje, os seguimentos religiosos existentes no Brasil e no mundo. Tão grande quanto o número de religiões são os seus conflitos, frutos da intolerância, da falta de caridade, do fundamentalismo e de interesse econômicos.


INTOLERÂNCIA


Indivíduos não foram feitos para as religiões, as religiões é que foram feitas para os indivíduos, para ampará-los, conforta-los e acolhe-los sem discriminação. Para a verdadeira religião, não importa amar apenas os sãos, mas principalmente os enfermos, excluídos e discriminados que a ela venham ou mesmo deixem de vir.


FALTA DE CARIDADE

A grande contradição deste tema se dá, justamente, ao tratarmos da falta de caridade entre aqueles que subsistem através da propagação da caridade. Ou seja, dependem do discurso da caridade para a sua subsistência, porém efetivamente não a buscam na convivência. A caridade é o amor que leva alguém a realizar boas obras sem esperar absolutamente nada em troca. Quando tratamos de caridade estamos falando de um amor verdadeiro, ativo ainda que não correspondido. Todas as religiões subsistem-se dessa mensagem. Vive-la, não seria a solução para todos os conflitos?


FUNDAMENTALISMO


O Fundamentalismo religioso está presente em todas as religiões. Seus dogmas estão, para seus adeptos, acima de qualquer ciência, lógica, bom censo e até mesmo acima da própria vida humana. Apesar de que quando nos referimos ao fundamentalismo logo pensamos em grupos extremistas, o fundamentalismo não se restringe a esses. Muitas seitas religiosas ou mesmo indivíduos, cada qual em sua devida dimensão, também vivem o fundamentalismo quando discriminam outro indivíduo ou grupo por não crerem ou pensarem conforme seus fundamentos.


INTERESSES ECONÔMICOS


Outro fator de conflito em que a religião está ataviada é a questão econômica. Existe muita coisa em jogo quando o assunto é a economia religiosa. Nele está envolvido toda uma questão de força política e poderio econômico do qual ninguém se dispõe a abrir mão. Assuntos de cunho relativo à fé são discutidos e dirigidos sob o prisma político-monetário, maquiavelicamente, onde o que realmente interessa é a manutenção do poder. É em nome desse poder que alianças são feitas ou desfeitas e o amigo de hoje torna-se inimigo, amanhã.


CONCLUSÃO


O caminho da construção da paz se dá na comunhão do fundamento essencial de uma religião que realmente religa, o amor. Isso compreende o respeito à individualidade, às diferenças religiosas e culturais e à liberdade de expressão. Compreende também em se ter a vida e o ser humano acima dos dogmas fundamentalistas. Compreende a disposição de fazer o bem sem olhar a quem, nem olhar o quanto isso possa gerar ônus ou bônus para si, de forma altruísta. E por falar nisso, altruísmo, alguém sabe o que quer dizer? Quando aprendermos, teremos sempre uma feliz páscoa.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O ESPÍRITO QUARESMAL

Está lançada a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010. Esperamos dela que se possa gerar uma consciência ecumênica aproximando os cristãos de diferentes confissões. Mas acima de tudo esperamos que essa consciência ecumênica possa gerar uma campanha pela vida que vá além do período da quaresma.

O tema desta campanha, Economia e Vida, nos chama a promoção de uma economia a serviço da vida, onde a dignidade do ser humano e a preservação dos recursos naturais sejam mais valorizados que os lucros.

Nessa perspectiva, somos chamados a denunciar toda perversidade desse capetalismo (sic) selvagem e insano que cega os homens na busca do domínio e poder.

Somos chamados a promover a educação para a vida, em que o ser valha mais que o ter, em que a partilha valha mais que o acúmulo, pois a felicidade só é plena quando aquilo que a fez faz todos felizes. Ninguém pode ser feliz à custa da tristeza alheia. E esta é uma lição que se aprende em casa. Transmiti-la cabe a cada um de nós. Pequenos exemplos domésticos são fundamentais na educação e formação de uma consciência ambiental e solidária.

Há quem diga que as campanhas não geram resultado, ou que seu resultado é mínimo. O problema é que as pessoas esperam que as campanhas gerem soluções, ao passo que seu intuito é gerar solucionadores. E solucionadores só são gerados quando cada cidadão assume sua responsabilidade como um gerador, propagador e executor das soluções. Por isso, não espere da campanha o que se espera de você.

Cabe a cada cidadão fazer sua parte. A história nos mostra que exemplos de solidariedade partem, na maioria das vezes, daqueles que menos dispõem de recursos para ajudar. Um desses exemplos consta na Escritura Sagrada, quando o Apóstolo Paulo recorre aos fieis da Macedônia que, segundo ele, viviam em profunda pobreza e mesmo assim souberam ser generosos para ajudar aos que passavam fome na Judéia. Se todos nós fizermos nossa parte, por mínima que seja, juntos faremos proezas.

Cabe ao setor empresarial valorizar mais seus cooperadores do que a cooperação deles advinda. Os empregados precisam ter tempo com sua família e recursos para melhor aproveitar esse tempo familiar. Hoje em dia, marido e mulher quase não têm tempo de ficarem juntos, passear com os filhos, pois quando um está chegando em casa o outro está saindo para iniciar seu turno. Nem mesmo os domingos têm sido respeitados para o repouso e encontro familiar. Quem pagará o ônus que esse ativismo está gerando? Que legado deixaremos para as gerações futuras?

Cabe aos líderes religiosos e políticos deixarem seus interesses e rixas de lado e se unirem em prol do meio ambiente, dos pobres, doentes, miseráveis, dos menos favorecidos e excluídos. Essa foi a vontade manifestada pelo próprio Cristo.

Cabe a todos acreditar que é possível transformar o sonho em realidade, que o mundo tem jeito, que tudo pode melhorar e nessa perspectiva trabalharmos a fim de que de fato (como costumamos rezar) venha sobre nós o reino do Deus que, segundo São Paulo, é justiça, paz e alegria de espírito.

Se queremos desejar feliz páscoa a todos, antes tenhamos uma quaresma de profunda reflexão.