Por MADRE TERESA DE CALCUTÁ
Senhor,
Quando eu tiver fome,
dai-me alguém que necessite de comida.
Quando tiver sede,
dai-me alguém que precise de água.
Quando sentir frio,
dai-me alguém que necessite de calor.
Quando tiver um aborrecimento,
dai-me alguém que necessite de consolo.
Quando minha cruz parecer pesada,
deixe-me compartilhar a cruz do outro.
Quando me achar pobre,
ponde a meu lado alguém necessitado.
Quanto não tiver tempo,
dai-me alguém que precise de alguns dos meus minutos.
Quando sofrer humilhação,
dai-me ocasião para elogiar alguém.
Quando estiver desanimada,
dai-me alguém para lhe dar novo ânimo.
Quando sentir a necessidade da compreensão dos outros,
dai-me alguém que necessite da minha.
Quando sentir necessidade de que cuidem de mim,
dai-me alguém que eu tenha de atender.
Quando pensar em mim mesma,
voltai minha atenção para outra pessoa.
Tornai-nos dignos, Senhor, de servir nossos irmãos
que vivem e morrem pobres e com fome, no mundo de hoje.
Dai-lhes, através das nossas mãos, o pão de cada dia
e dai-lhes, graças ao nosso amor compassivo, a paz e a alegria.
"...quero que meus textos sejam comidos. Mais do que isso: quero que eles sejam comidos com prazer. Um texto que dá prazer é degustado vagarosamente. São esses os textos que se transformam em carne e sangue, como na eucaristia." (Rubem Alves)
sexta-feira, 26 de março de 2010
sábado, 13 de março de 2010
AS RELIGIÕES E SEUS CONFLITOS
Inegavelmente, a religião exerce influência fundamental na construção das relações entre indivíduos e povos. Esse fato pode ser constatado em todas as épocas da história da humanidade. Ela que foi constituída para unir os indivíduos em torno da paz e comunhão, tem sido corriqueiramente alvo de grandes e pequenos conflitos. Em meio a este conturbado cenário urge a necessidade de nos dispormos a suplantar os obstáculos das diferenças dogmáticas em prol daquilo que é o teor de uma verdadeira mensagem religiosa, desafiando-nos a comungar o que de mais valioso pode haver na religião, constrangendo-nos a pregar e viver a paz e o amor.Altruísmo, alguém sabe o que quer dizer? A resposta seria mais fácil se a pergunta fosse a respeito de metas pessoais, prazer, satisfação, realização, sonhos, projeto de vida. Mas, altruísmo... altruísmo, realmente está em desuso e, conforme os princípios de Darwin, enfadada a extinção. Tudo porque, quando crianças, os homens acreditam que o universo gira em torno deles. Os pais são seus, a casa, as ruas, a terra e as estrelas são todos seus e feitos para si. Crescem, amadurecem, envelhecem, mas não aprendem. Não aprendem que a vida não tem um fim em si mesma; que o sentido de viver é servir.
Muitos são, hoje, os seguimentos religiosos existentes no Brasil e no mundo. Tão grande quanto o número de religiões são os seus conflitos, frutos da intolerância, da falta de caridade, do fundamentalismo e de interesse econômicos.
INTOLERÂNCIA
Indivíduos não foram feitos para as religiões, as religiões é que foram feitas para os indivíduos, para ampará-los, conforta-los e acolhe-los sem discriminação. Para a verdadeira religião, não importa amar apenas os sãos, mas principalmente os enfermos, excluídos e discriminados que a ela venham ou mesmo deixem de vir.
FALTA DE CARIDADE
A grande contradição deste tema se dá, justamente, ao tratarmos da falta de caridade entre aqueles que subsistem através da propagação da caridade. Ou seja, dependem do discurso da caridade para a sua subsistência, porém efetivamente não a buscam na convivência. A caridade é o amor que leva alguém a realizar boas obras sem esperar absolutamente nada em troca. Quando tratamos de caridade estamos falando de um amor verdadeiro, ativo ainda que não correspondido. Todas as religiões subsistem-se dessa mensagem. Vive-la, não seria a solução para todos os conflitos?
FUNDAMENTALISMO
O Fundamentalismo religioso está presente em todas as religiões. Seus dogmas estão, para seus adeptos, acima de qualquer ciência, lógica, bom censo e até mesmo acima da própria vida humana. Apesar de que quando nos referimos ao fundamentalismo logo pensamos em grupos extremistas, o fundamentalismo não se restringe a esses. Muitas seitas religiosas ou mesmo indivíduos, cada qual em sua devida dimensão, também vivem o fundamentalismo quando discriminam outro indivíduo ou grupo por não crerem ou pensarem conforme seus fundamentos.
INTERESSES ECONÔMICOS
Outro fator de conflito em que a religião está ataviada é a questão econômica. Existe muita coisa em jogo quando o assunto é a economia religiosa. Nele está envolvido toda uma questão de força política e poderio econômico do qual ninguém se dispõe a abrir mão. Assuntos de cunho relativo à fé são discutidos e dirigidos sob o prisma político-monetário, maquiavelicamente, onde o que realmente interessa é a manutenção do poder. É em nome desse poder que alianças são feitas ou desfeitas e o amigo de hoje torna-se inimigo, amanhã.
CONCLUSÃO
O caminho da construção da paz se dá na comunhão do fundamento essencial de uma religião que realmente religa, o amor. Isso compreende o respeito à individualidade, às diferenças religiosas e culturais e à liberdade de expressão. Compreende também em se ter a vida e o ser humano acima dos dogmas fundamentalistas. Compreende a disposição de fazer o bem sem olhar a quem, nem olhar o quanto isso possa gerar ônus ou bônus para si, de forma altruísta. E por falar nisso, altruísmo, alguém sabe o que quer dizer? Quando aprendermos, teremos sempre uma feliz páscoa.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
O ESPÍRITO QUARESMAL
Está lançada a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010. Esperamos dela que se possa gerar uma consciência ecumênica aproximando os cristãos de diferentes confissões. Mas acima de tudo esperamos que essa consciência ecumênica possa gerar uma campanha pela vida que vá além do período da quaresma.O tema desta campanha, Economia e Vida, nos chama a promoção de uma economia a serviço da vida, onde a dignidade do ser humano e a preservação dos recursos naturais sejam mais valorizados que os lucros.
Nessa perspectiva, somos chamados a denunciar toda perversidade desse capetalismo (sic) selvagem e insano que cega os homens na busca do domínio e poder.
Somos chamados a promover a educação para a vida, em que o ser valha mais que o ter, em que a partilha valha mais que o acúmulo, pois a felicidade só é plena quando aquilo que a fez faz todos felizes. Ninguém pode ser feliz à custa da tristeza alheia. E esta é uma lição que se aprende em casa. Transmiti-la cabe a cada um de nós. Pequenos exemplos domésticos são fundamentais na educação e formação de uma consciência ambiental e solidária.
Há quem diga que as campanhas não geram resultado, ou que seu resultado é mínimo. O problema é que as pessoas esperam que as campanhas gerem soluções, ao passo que seu intuito é gerar solucionadores. E solucionadores só são gerados quando cada cidadão assume sua responsabilidade como um gerador, propagador e executor das soluções. Por isso, não espere da campanha o que se espera de você.
Cabe a cada cidadão fazer sua parte. A história nos mostra que exemplos de solidariedade partem, na maioria das vezes, daqueles que menos dispõem de recursos para ajudar. Um desses exemplos consta na Escritura Sagrada, quando o Apóstolo Paulo recorre aos fieis da Macedônia que, segundo ele, viviam em profunda pobreza e mesmo assim souberam ser generosos para ajudar aos que passavam fome na Judéia. Se todos nós fizermos nossa parte, por mínima que seja, juntos faremos proezas.
Cabe ao setor empresarial valorizar mais seus cooperadores do que a cooperação deles advinda. Os empregados precisam ter tempo com sua família e recursos para melhor aproveitar esse tempo familiar. Hoje em dia, marido e mulher quase não têm tempo de ficarem juntos, passear com os filhos, pois quando um está chegando em casa o outro está saindo para iniciar seu turno. Nem mesmo os domingos têm sido respeitados para o repouso e encontro familiar. Quem pagará o ônus que esse ativismo está gerando? Que legado deixaremos para as gerações futuras?
Cabe aos líderes religiosos e políticos deixarem seus interesses e rixas de lado e se unirem em prol do meio ambiente, dos pobres, doentes, miseráveis, dos menos favorecidos e excluídos. Essa foi a vontade manifestada pelo próprio Cristo.
Cabe a todos acreditar que é possível transformar o sonho em realidade, que o mundo tem jeito, que tudo pode melhorar e nessa perspectiva trabalharmos a fim de que de fato (como costumamos rezar) venha sobre nós o reino do Deus que, segundo São Paulo, é justiça, paz e alegria de espírito.
Se queremos desejar feliz páscoa a todos, antes tenhamos uma quaresma de profunda reflexão.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
ATO PROFÉTICO ou FEITIÇARIA GOSPEL???
Mais uma moda “gospel”. Chama-se “ato profético”. Consiste, basicamente, em se fazer um ato simbólico do qual Deus se obriga a torná-lo realidade, já que quem promove tais atos o faz declarando fazê-lo em nome de Jesus.Povos aborígines já faziam a mesma coisa desde a idade da pedra: tentavam controlar a ação dos deuses por meio de simbologias e representações acompanhadas de muitas orações e sacrifícios.
Mas isso é coisa do passado. Hoje somos muito mais evoluídos, esclarecidos e sábios. O que se fazia na idade da pedra eram rituais de feitiçaria, fruto de mentes ignorantes e supersticiosas. Hoje tudo mudou! O que se faz nas igrejas dos tempos atuais são tentativas (ops! Tentativa não, porque foi declarado, já está decretado e consumado pela fé... suriandas) de mover as mãos de Deus por meio de atos proféticos e representações acompanhadas de muita oração e jejum. Viu como ficou mais chique?
Além da chiqueza, que outra diferença há?
Alguém replicará dizendo que os profetas do Antigo Testamento também realizavam atos simbólicos. E eu pergunto: quem eles simbolizavam? Nada mais do que Cristo. Mesmo vivendo numa aliança enferma eles não manifestavam a patologia patética da igreja hodierna, que mesmo vivendo no tempo de uma nova e eterna aliança vive a generalizada enfermidade do relacionamento baseado em atos proféticos em lugar daquele a quem os atos dos profetas de verdade prefiguravam.
Enquanto os profetas anunciavam Jesus para que o mundo o reconhecesse quando Ele viesse, os “atos proféticos” das igrejas nebulam a imagem de quem Cristo realmente foi, para que ninguém o conheça como Ele é, mas somente como esses falsos profetas desejam que Ele seja. Os verdadeiros atos dos verdadeiros profetas bíblicos apontaram para o sofrimento e dor que Cristo passaria por amor aos seus escolhidos. Os atos, ou feitiçaria, dos falsos profetas de hoje apontam para as regalia$, mordomia$ e conquista$ materiai$ que a ambição incita por amor a deus (Mamom).
Os profetas bíblicos falavam o que Deus mandava dizer. Os profetas de hoje dizem pra Deus o que fazer. Fazem de Deus seu escravo. Mas como Deus não é escravo, nem escravo pode ser Deus, tais profetas nem Deus tem, não é em Deus que eles crêem.
Enquanto isso as igrejas vão canonizando feiticeiros por profetas e superstições por cristianismo.
Onde isso vai parar?
sábado, 23 de janeiro de 2010
RECONSTRUÇÃO OU APARTHEID?
Por trás de toda preocupação na reconstrução do Haiti começa a aparecer o que talvez seja a verdadeira razão que motiva toda essa movimentação.Afinal, por que investir tanto na reconstrução de um país que está sobre uma área geológica condenada? Não seria mais sensato evacuar o país e acolher seus habitantes em outras nações dando-lhes uma condição de vida melhor?
Parece que é isso que pensam muitos haitianos que tentam com muito empenho fugir para os países vizinhos. Entretanto, não é isso que pensam os países vizinhos. Os E.U.A, por exemplo, já reforçaram a guarda de suas fronteiras para evitar que haitianos migrem para a terra do Tio Sam.
Diante disso, fica a pergunta: Qual a motivação de tanto investimento no Haiti? Querem reconstruí-lo, ou livrar-se de acolher os haitianos?
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
TROPEÇO ou FUNDAMENTO
“E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (Mateus 11:6).Encontramos muitos motivos para tropeçar em nossa caminhada: o amigo que trai, a perda da pessoa amada, o patrão que demite, o líder que decepciona, entre tantas outras coisas nas quais dificilmente alguém nunca tenha encontrado razão para cair.
Na verdade, não é nem um pouco difícil encontrarmos tais motivos de tropeço quando confrontamos o mundo em que vivemos e as pessoas que nele vivem, e se formos bem honestos nos incluiremos entre essas pessoas.
Nosso estilo de vida competitivo, ambicioso, capetalista (sic) e egoísta nos conduz ao instinto animalesco de preservação do domínio conquistado, ou que pensamos ter conquistado. A partir de então, para manter o status, o cargo, a imagem, o primeiro lugar, vale tudo: desde uma simples mentirinha, a uma ação desleal; da compra ou venda de um produto pirata, a uma fraude fiscal milionária; de um comportamento anti-ético, ao ato de contratar um pistoleiro para executar o semelhante que está próximo demais. Por mais pequeno que seja o crime praticado, um grande problema será originado: a ideologia permissiva de que tudo está certo, desde que ninguém fique sabendo de nada.
Diante disso, difícil é não encontrar motivos de tropeço entre os homens! Mas porque encontraríamos motivo para tropeçar em Cristo? Por qual de seus atos de amor cairíamos em desgraça? Por qual de suas palavras de vida deixaríamos de ser bem-aventurados? Como poderia, Jesus, ter causado tropeço a alguém?
Creio que a resposta está no nosso senso de direção relacionado ao efeito do mal que praticamos. Praticamos o mal pensando que assim nos daremos bem; que os outros é que tropeçarão nas ciladas que armamos; que nossas mentiras nos protegerão; que nossas atitudes fraudulentas nos proporcionarão o sucesso desejado. Quanto engano!
Jesus jamais praticou coisa má para qualquer homem ou mulher. Mas quem fez mal a Ele, nEle tropeçou. Os líderes judeus pensaram ter feito Jesus tropeçar. Entregaram-no às autoridades romanas forjando um julgamento absolutamente injusto, compraram falsas testemunhas, manipularam o povo e traíram sua própria fé, pois tudo o que Cristo fez foi trazer vida e verdade a fé que aqueles mesmos homens diziam defender. Eles não imaginavam que enquanto intentavam matar Jesus, matavam primeiro a si mesmos. A esse respeito já havia profetizado Isaias (Is 8.14): “Ele vos será santuário; mas será pedra de tropeço e rocha de ofensa às duas casas de Israel, laço e armadilha aos moradores de Jerusalém”.
O verdadeiro efeito de nossa maldade não se dá em direção a quem queremos mal. Ele se dá em nossa própria direção. Nossa maldade poderá lesar física, mental, espiritual ou financeiramente alguém. Mas seremos nós os verdadeiros lesados, pois quem recebe o mal, com grande ou pequeno esforço se livrará naturalmente dele, todavia quem o pratica é seu escravo.
Ainda hoje, encontramos motivos de tropeço em Cristo quando dizemos “não” à vida, “não” ao próximo, “não” à terra. Quando a importância que damos aos lucros esta acima da ética e do valor da vida. Foi o próprio Mestre quem disse ser a vida. Não só vida espiritual, não vida religiosa, mas toda vida. Vida pela qual tudo que existe se fez. Vida da qual o ateu, mesmo vivendo, diz não haver.
Não se pode amar a Vida sem amar a Cristo, nem se pode amar a Cristo sem amar a Vida, pois são intrínsecos e inseparáveis, uma só essência.
Bem-aventurados seremos ao nos doarmos em favor da justiça, da paz e do amor.
Encontraremos a vida ao perdê-la em seu favor.
Encontraremos a felicidade ao sentirmos sua dor.
Quando assim for, a mesma pedra em que temos tropeçado nos será por fundamento sólido de toda bem-aventurança.
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