sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson terminou de morrer

Vinte e cinco de Junho entra para a história como eo dia da morte de Michael Jackson. Mas a verdade é que Michael Jackson já havia morrido há muito tempo.

Michael Jackson morreu quando deixou de se aceitar como era. Não aceitou sua cor, não aceitou envelhecer, não aceitou seu nariz, desprezou-se.

O que podemos dizer de quem não se aceita, senão que morreu de/em si mesmo?

O Michael que teve obto declarado, já estava morto. O Jackson que assistimos nos últimos anos era apenas o produto de um sistema, uma vítima do preconceito humano e dos apelos da mídia que por fim o fizeram vítima de si mesmo, de seu próprio preconceito, tornando um morto-vivo tal qual prenunciava em seu maior sucesso, Thriller.

O Jackson tão amado, terminou sem saber se amar e sem saber amar.

Descanse em paz, pobre Jackson.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

LOUCOS E HEREGES

Por Julio Zamparetti

Ninguém quer ser chamado de louco. Também ninguém quer ser chamado de herege... à menos que seja louco! (rsrs). O problema é que temos, hoje, uma religiosidade que tem por sã doutrina uma doutrina absolutamente enferma, mas que é a doutrina da maioria e por ser da maioria é tida por certa. Qualquer pessoa que questiona, duvida ou nega esta doutrina será o herege da vez. Diante disso, muitos se acovardam e traem a própria consciência pregando o que não crêem, crendo no que não pregam e fazem de tudo, cometem as maiores contradições a fim de não serem contraditos pela maioria.

A verdade é que precisamos de loucos e hereges que sejam capazes de deixar suas sementes subversivas contra esse mundo doente de sãos e santos com sua religiosidade perfeita e morta, incapaz de acolher os loucos e hereges com os quais Cristo andou e se identificou.

Não foi a toa que Jesus foi chamado de herege (ou devo dizer blasfemo, que era o termo usado na época). Ele não andava, nem pensava, nem falava como a maioria. Muito pelo contrário, andava com os excluídos, dizia que não havia vindo para os sãos e ainda se identificou com os loucos deste mundo. Certamente isso causou grande impacto e por isso, sua vida, fez tanta diferença.

O grande impacto da vida de Cristo sobre a humanidade não se deu por causa de seus milagres, pois Deus os poderia realizar como sempre os realizara desde o princípio. Afinal, os milagres mais extraordinários estão relatados no Antigo Testamento. Também não se deu por causa de seus discursos, pois muitos grandes oradores houve antes e depois de Cristo, sem que proporcionassem tamanha repercussão. O grande impacto da vida de Cristo sobre a humanidade se deu, exatamente, por ocasião da humanidade de Jesus, na sua identificação com o fraco, o pobre, o necessitado e pecador. Um líder com tal estilo de vida contrariava – e ainda hoje contraria – todos os anseios da religiosidade, sempre estática.

Grandes homens como Galileu Galilei, Copérnico, Colombo e Einstein foram chamados de loucos. Graças as suas loucuras os sãos podem desfrutar, até hoje, dos benefícios do avanço científico oriundo de suas descobertas. Não fossem eles loucos, anormais e desmedidos o mundo ainda estaria mergulhado na idade média, também chamada de idade das trevas. Mas a iluminação só foi possível porque esses loucos desafiaram o bom senso e todo conhecimento vigente, bem como as normas e a moral de seu tempo.

Grandes homens como Pedro Abelardo, Jerônimo Savonarola, Martinho Lutero, Zwingli, João Calvino, Marthin Luther King, Dom Elder Câmera, foram chamados de hereges por que contrariaram a religiosidade de seu tempo. Não temeram as represálias nem a morte por que pior lhes seria a morte da consciência. Sabiam que alguém lhes poderia matar o corpo, mas também sabiam que suas consciências estariam eternizadas nas sementes que deixariam em seus ensinamentos e seus testemunhos de vida.

Ademais, qual o problema em ser chamado de herege por aqueles que usam os púlpitos para angariar os votos que venderam em vergonhosos conchavos? Ou por aqueles que em nome do poder religioso mandam matar colegas de ministério? O que significa ser chamado de herege por aqueles que adotam uma teologia alienante que anula o fiel e lhe impõe um jugo pesado a fim de controlar cada um de seus passos? Qual o demérito em ser conotado como herege por aqueles se acham donos da verdade e não respeitam a multiformidade da Graça de Deus expressa na diversidade religiosa e cultural? Que vergonha há em ser chamado de louco por aqueles que usam máscaras de santarrão e títulos religiosos para esconder suas taras e vícios sexuais?

Brennan Manning, em 'O Evangelho Maltrapilho', afirma que “o espírito de Caifás é mantido vivo em todos os séculos nos burocratas religiosos que condenam sem hesitação gente boa que quebrou leis religiosas ruins. (...) O espírito embotador da hipocrisia vive nos clérigos que desejam ter uma boa imagem sem serem de fato bons.”

A religião se tornou patética, motivo de escárnio, tem sido ridicularizada nas novelas, programas de humor e rodas sociais. A razão disso não é perseguição, mas a própria realidade. A realidade do que a igreja se tornou. Seus líderes querem que o povo os aceite incondicionalmente e inquestionavelmente, enquanto eles mesmos são incapazes de olhar para si e perceber o quanto precisam mudar. Fecharam seu sistema e quem dele não faz parte é tido por louco e herege. Mas se ser são e santo é fazer parte dessa maioria, terrível coisa me seria seus elogios. Enquanto Deus me conceder sanidade mental, dessa trupe não quero parte.

Isso me lembra uma nobre frase de Darcy Ribeiro: “Na Verdade somei mais fracassos do que vitórias em minhas lutas. Mas isso não importa. Horrível seria estar do lado daqueles que venceram nessas batalhas”.

Sonho com uma igreja dinâmica, capaz de constatar e contestar os problemas sociais, ambientais, familiares, religiosos e não se omitir diante deles. Uma igreja que mesmo sendo minoria é capaz de denunciar o mal, lutar pelo bem e dar sua própria vida pela Vida sem temer o que vá pensar a maioria, sem nem mesmo temer a morte.

Precisamos de novos loucos e hereges que incendeiem o mundo com fogo do qual Cristo desejou estar queimando já em seu tempo: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder” (Lucas 12:49).

ACUDA-NOS, Ó DEUS!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Corpus Christi e corpos tristes

Hoje a Igreja Católica celebra o Cristo Eucarístico, relembrando a última Ceia de Cristo com os seus discípulos.

Embora eu não seja um participante das celebrações liturgicas católicas, não posso deixar de pensar na proposta de tal celebração, que é encontrar Cristo. Neste aspecto, certamente comungo do mesmo desejo junto aos irmãos católicos.

Considero benéfica toda manifestação religiosa que induza os fiéis a uma espiritualidade dinâmica, que não se confine ao ato religioso, mas o leve a agir junto a quem sofre. Em outras palavras, uma religiosidade que não leve a pessoa a estender a mão a quem precisa, não tem valor algum.

Cristo disse que seria encontrado no que passa fome e frio, no que se encontra preso e nú. Logo, se engana quem pensa encontrá-lo tão somente por participar de uma procissão. Encontrará, sim, se tal religiosidade o inquiete até que procure Cristo no necessitado.

Um ponto negativo. Não me agrada ver tapetes sobre as estradas, feitos de pó de café, arroz e trigo para ser pisoteado pela multidão enquanto muitos tem fome e a mesma multidão não extende a mão para lhes dar ao menos um pão. Estes excluiram Cristo.

Um ponto positivo. Em muitas cidades os tapetes foram confeccionados com cobertores que posteriormente foram doados a pessoas carentes. Estes encontraram Cristo.

Nossa paróquia, REINA-SC, não celebra Corpus Christi, mas comunga desta solidariedade, aquecendo corpos tristes com calor humano e caridade. Hoje foram distribuidos aproximadamente 500 peças de agasalhos para os índios Tekoa-Marangatú. Lá encontramos Cristo.

Ianderum dere tomai

quarta-feira, 20 de maio de 2009

TÔ PENSANDO EM ME TRAIR

Tô pensando em me trair
Falar só o que ela quer ouvir
E quando eu for escrever
Dizer somente o que ela quer ler

Tô pensando em me trair
Aderir ao gosto popular
Me desconscientizar
Deixar a onda me levar

Tô pensando em me emburrar
Pensando nela acompanhar
Afinal pra que todo ideal
Se no final tudo vira carnaval
Tudo pede pra esperar
Tudo impede realizar
Tudo perde o sonhar

Tô pensando em me dispor
Ir pra onde ela for
Sei pra mim o que preciso
Que ela siga o seu caminho
Não a vou mais impedir
E nem vou ficar sozinho
Pois tô pensando em me trair
Onde ela for eu vou seguir

Tô pensando em me anular
Em mudar o meu destino
Porém isso é impossível
Posso até mesmo pensar
Mas me trair eu não consigo

Já disse alguém que ela é burra
Seu presente é um desastre
Que seu futuro é uma farsa
Mas se dela até Cristo se fez parte
Não poderei deixar de orar
Salve, oh Deus, a grande massa

Julio Zamparetti
20/05/09

quinta-feira, 14 de maio de 2009

SONAMBULISMO ESPIRITUAL

O sonambulismo é um transtorno do sono durante o qual a pessoa pode apresentar habilidades motoras simples ou complexas. O sonâmbulo é capaz de andar, urinar, comer, realizar tarefas comuns e mesmo sair de casa, enquanto permanece inconsciente e sem possibilidade de comunicação. Embora seja difícil acordar um solâmbulo, não é perigoso fazê-lo. É mais comum em crianças e adolescentes. Recentemente houve um caso no qual um homem escalou uma montanha durante o sono, e acordou apenas lá em cima. O incrivel é que bombeiros cheios de equipamentos e outros levaram horas para escalar a montanha para o resgate, já que a montanha era muito íngreme.

Podemos verificar que há um paralelo entre o sonambulismo e o estado em que se encontra a igreja contemporânea.

Fala-se de "moveres", "movimentos", "avivamentos", que revelam uma igreja adolescente, susceptível a qualquer vento de doutrina. Porém, falta a consciência renovada. É como se o corpo estivesse agindo por reflexo, e não por ordem enviada do cérebro.

Tal qual o sonâmbulo, a igreja perdeu a lucidez, e por conta disso, alienou-se da realidade. Daí a dificuldade que tem de interagir com o mundo.

Mesmo que, aparentemente, de olhos abertos, está adormecida. Os crentes perderam o senso crítico, e estão como que hiptonizados por líderes com mentes igualmente cauterizadas.

Confunde-se avivamento com gritos, histeria coletiva, pulos, e até gargalhadas. Mas não sobra lugar para o quebrantamento e o arrependimento.

Em Efésios 5:14, encontramos a seguinte exortação: "Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará".

Há muita gente se levantando em nossos dias, porém, sem antes se despertar. É justamente isso que faz o sonâmbulo. Ele se move, se veste, e se deixar, sai de casa, expondo-se ao perigo iminente.

Um genuíno levante provocado pelo Espírito Santo deve ser precedido de um autêntico despertamento. A consciência tem que ser renovada! A realidade à nossa volta não pode ser ignorada.

O sono tem cinco estágios durante os quais as ondas cerebrais diminuem de intensidade até atingir um profundo estado de relaxamento. A baixa atividade se mantém no hipotálamo, ligado à consciência, e no córtex cerebral, que controla os movimentos do corpo. No caso dos sonâmbulos, essas ondas, vindas de uma área do cérebro chamada ponte, são irregulares. Por isso não cumprem a contento a função de inibir a região motora. Como as áreas motoras permanecem ativas, o sonâmbulo é capaz de se sentar, andar e trocar a roupa.

Já a área relacionada à consciência, no hipotálamo, se mantém quase inativa. E isso explica porque quem sofre desse distúrbio não percebe o que faz nem se lembra de nada no dia seguinte.

Daí o fato da igreja contemporânea exibir uma memória tão curta. É como se houvesse um lapso no tempo entre o livo de Atos dos Apóstolos e os nossos dias. Onde estivemos durante esses quase dois mil anos? A maioria dos crentes sequer tem noção das realizações dos crentes da geração anterior. Cada novo "mover", faz desaparecer da memória tudo o que aconteceu anteriormente. E interessante que cada novo movimento se autoproclama o último, o que precede a volta de Cristo. Porém todos estão fadados ao esquecimento, pois são resultantes de uma igreja sonâmbula.

Paulo diz que devemos estar ligados à Cabeça que é Cristo, agindo de acordo com as órdens que dela recebermos. Não agimos por reflexo, mas sob o comando do Espírito de Cristo que habita em nós.

O que precisamos não é de mais uma revelação poderosa, nem uma nova unção, mas tão-somente de um despertamento, que nada mais é do que acordar para a realidade, interagir com ela, trabalhando pela sua transformação.

Está na hora da igreja despir-se deste pijama com a qual tem estado vestida por pelo menos duzentos anos. Quem vai à guerra de pijamas?

Vale aqui a recomendação de Paulo:

"E fazei isto, conhecendo o tempo. Já é hora de despertarmos do sono... A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz" (Rm.13:11a,12)

Infelizmente, a maioria imagina que está anoitecendo, e que as coisas tendem a piorar, preparando o cenário para a volta de Jesus. Porém, as Escrituras afirmam outra coisa. O dia está clareando. A partir da Cruz, surge um novo dia, que gradativamente vai rasgando as trevas, e preparando o cenário para o surgimento do Sol da Justiça.

Por isso Jesus é apresentado em Apocalipse como a Estrela da Manhã. Ele é que anuncia a chegada do novo dia. De Adão a Jesus, as trevas predominaram, e alcançaram seu apogeu na Cruz. Mas a partir daí, as trevas cedem lugar à Luz, e em breve será Dia Perfeito.

Estamos vivendo no aurora do novo dia. Hora de aposentar os pijamas.

“Mas a vereda do justo é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18).

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O FIM DO FIM DO MUNDO

Comumente algumas pessoas me perguntam se eu acho que o fim do mundo realmente está próximo. Prontamente respondo que acredito piamente que estamos, a cada dia que passa, mais longe do fim do mundo.

Em primeiro lugar, estamos mais longe do fim do mundo porque a cada dia chegamos mais perto de nossa morte, o que ocorrerá muito antes que o mundo possa se acabar. Sabedor de que a morte não é o fim, não verei fim algum.

Em segundo lugar, porque, como diz a Bíblia, nosso trabalho, no Senhor não é em vão (I Coríntios 15:58). Portanto, só crê e vive na expectativa do fim do mundo aqueles que trabalham para isso. Eu, no entanto, creio e trabalho para que o mundo seja restaurado.

Não há sentido em escrever livros, educar as crianças, trabalhar por um futuro melhor ou ter qualquer tipo de esperança, e crer que tudo está prestes a se acabar.

Alguma coisa está muito errada! Creio que os homens estão sendo vítimas de uma grande conspiração, oriunda de sua própria concupiscência.

É no mínimo intrigante ver líderes religiosos usarem do discurso de que o fim do mundo está próximo, sensacionalizando qualquer acontecimento cataclísmico para “comprovar” o iminente fim, com intuito de sensibilizar seus ouvintes a se “converterem” logo, já que amanhã pode ser tarde. Depois, esses mesmos líderes usam outro argumento para induzirem seus ouvintes a realizarem doações expressivas a fim de se construir um maravilhoso templo, um “palácio para Deus”. Ora, se o fim está próximo, porque gastar dinheiro construindo palácios? Para quem eles trabalham?

A verdade é que esses disparates têm proporcionado uma geração de homens e mulheres que caminham sob a bandeira do cristianismo, mas na direção contrária de Cristo. Tornaram-se egocêntricos, mesquinhos e amantes de si mesmo. Vêem Cristo como um serviçal sempre disposto a servir aos seus mais fúteis prazeres. Idealizaram um Cristo conforme seus anseios, que longe está de ser o Cristo real, Mestre, Senhor e Rei.

A mesquinhez daqueles que buscam um Cristo ideal é claramente delineada na forma de relacionamento que estes têm com o seu Cristo, o Cristo que idealizaram. Estes ao invés de terem tido um encontro com o Mestre que apregoou e viveu uma vida simples, abnegada e altruísta, encontraram um falso Cristo, que mais se parece com o gênio da lâmpada, que está disposto a realizar-lhes todos os seus desejos.

Nesse tipo de relacionamento o sentido de vida abundante prometida pelo Mestre tem um único direcionamento, o EU. Ninguém, dentre estes, pede a Deus a descoberta da cura para o câncer, da aids, a restauração da camada de ozônio, pois tudo o que deseja é apenas ver a si mesmo curado.

Neste tipo de fé, ser luz para o mundo é tão somente ser iluminado. Pois pra mente medíocre, o mundo gira em torno dela e a pessoa fecha-se como se fosse o mundo em si.

Pra quem crê no seu próprio Cristo idealizado, ao invés de crer no verdadeiro Filho de Deus, uma vida melhor se resume em viver isolado das mazelas sociais, sem que essa o incomode, nem influencie seu bem estar. Para este, cair mil a sua direita e dez mil a esquerda é o que há de mais glorioso, conquanto ele não seja atingido. Estes são incapazes de se alegrarem na alegria alheia, bem como impossibilitados de chorarem com os que choram.

Isso tudo é fruto da pregação de líderes religiosos sem escrúpulos, que fizeram de Cristo um negócio, incitando seus ouvintes a mesma ganância pela qual são dominados.

Se algum fim está próximo, o fim é este. Este é o fim do qual Cristo veio anunciar: O fim de um mundo perverso e pervertido, a fim de que seja transformado em um novo mundo, nova criatura, segundo os princípios daquele que o criou.

Aqueles que vivem a expectativa de um cataclismo universal fatal, não só propagam o fim do mundo, mas também promovem o fim da espiritualidade dinâmica, da esperança, do amor ao próximo, do altruismo, da compaixão. Pois nada disso tem razão de ser, quando tudo o que se espera é o pior.

Então porque aqueles que não crêem no futuro buscam a Deus? Simples, eles crêem que nada pode ser feito em benefício da humanidade, mas que pode ser feito em benefício particular. Eles têm certeza de que não há tempo para melhorar o mundo, mas a convicção de que não há mais tempo muda quando se trata dos interesses particulares. Mas o terrível engano se dá no fato de que na busca desenfreada por seus interesses pessoais, acabam promovendo seu próprio fim. Afinal, assim disse o Mestre: “Quem quiser preservar a sua vida perdê-la-á; e quem a perder de fato a salvará” (Lucas 17:33).

Não é difícil perceber que o mesmo espírito que move a ganância dos homens de negócio, também move e rege os ditames e o proceder dos homens que lideram o mercado da fé, bem como aqueles que os seguem. Vê-se aí um mundo em que nada é de graça, um mundo em que toda ação tem um fundo de interesse pessoal, um mundo em que o capetalismo (sic) impera. Embora as circunstâncias indiciem que esse mundo se fortalece a cada dia, tenho fé e esperança de que esse mundo terá um fim.

Foi para destruir este mundo de sistemas corruptos que Cristo se fez homem e elegeu homens para serem cristos nessa batalha. É contra esse mundo que os homens devem proferir o fim e não contra a criação de Deus. Pois “a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Romanos 8:21).

Estou certo de que a transformação deste mundo começa em nosso interior, através de uma reeducação espiritual, da consciência e do cuidado ambiental, da retomada dos valores cristãos, da morte do egocentrismo e da ressurreição para uma nova vida em Cristo.

Eu sei que esse é um caminho árduo, que mais fácil seria dizer que o mundo está se acabando e cada um que tome cuidado de sua própria salvação. Anunciar destruição é muito mais fácil e chega a ser covardia, pois destruir é fácil, difícil é construir, organizar, coordenar. Entretanto, Jesus não nos confiou tarefa fácil, mas sim nos enviou como ovelhas entre lobos (Lucas 10:3). Não nos chamou para trilhar o caminho largo, mas sim o caminho estreito que leva à porta estreita (Mateus 7:13). Ele não nos chamou para anunciar a destruição, mas sim as boas novas da redenção e nos confiou o ministério da reconciliação entre Deus e o mundo. A única destruição a qual Cristo veio realizar é destruição do destruidor (I João 3:8). Ou seja, somos chamados a proclamar o fim do fim do mundo.

“ Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” (2 Coríntios 5:19).



Julio Zamparetti Fernandes
Texto extraído do texto original (não revisado) de meu novo livro, Espiritualidade Dinâmica, que será lançado em breve.

sábado, 18 de abril de 2009

CRISTO MALTRAPILHO

Muitas são as canções e poesias em que o autor afirma ver Deus na linda flor, nos pássaros a cantar, na criança a sorrir, no sol a nascer...

Mas você pode ver Deus nas imgens abaixo?


Miseráveis, os que passam fome.


Infelizes, os que padecem em chagas.


Desventurados, os cativos.


Vergonhosos, os pobres e nus.


Maldito, quem for pregado no madeiro.

Se você não vê Cristo em cada uma destas imagens, você não pode fazer nada para Deus.

"Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer" (Mateus 25:42-45).