terça-feira, 14 de abril de 2009

Foi o túmulo que ficou vazio, não a cruz!

Se o túmulo de Cristo ficou vazio, então, Deus aceitou Sua oferta pelo pecado, e estamos livres.

Mas se a Cruz estiver vazia, nosso velho homem escapou ileso, e portanto, ainda vivemos sob a égide do pecado.

A Cruz é eterna! E a prova disso é que as Escrituras nos informam que o Cordeiro foi morto desde antes da fundação do mundo.

Há uma cruz histórica ocorrida na plenitude dos tempos, e que nada mais é do que a manifestação de uma cruz meta-histórica, ocorrida fora do tempo e do espaço.

O que acontece na eternidade não tem começo nem fim. Nesse sentido, a cruz é coexistente com Deus.

Desde que há Deus, também há Cruz.

Por isso, quando o céu se descortina diante dos olhos de João, o trono que se vê é ocupado por um cordeiro "como que houvesse sido morto".

Ele ressuscitou! Porém, Seu sacrifício não durou apenas seis horas.

As mãos que criaram o Universo foram mãos crucificadas.

Aos olhos de Deus, tanto o trono, quanto a Cruz, estarão sempre ocupados por Jesus.

Enquanto esteve na cruz histórica, o trono não ficou vago. E enquanto ocupa Seu trono de glória, a Cruz não está vazia.

Nisso reside nossa salvação.

Se Jesus houvesse descido dessa Cruz meta-histórica, não haveria razão para que Paulo declarasse: "Estou crucificado com Cristo". Ele não disse que havia sido crucificado, no passado. Ele disse que estava, naquele momento, crucificado com Cristo. Portanto, Cristo continuava na Cruz, e Paulo com Ele. Se Ele desce da Cruz, nosso velho homem escapa.

O sepulcro, porém, está vazio. O sepultamente de Jesus é um fato histórico, porém, não meta-histórico. Sua ressurreição também é histórica. Mas Sua Cruz vem antes de todos os antes.


Texto de Hermes Fernandes

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Shortinho de colégio

Caminhava pela rua Conselheiro Mafra, em direção à Rádio Tuba, quarta-feira, para fazer meu comentário. À minha frente, uma adolescente, ou criança, com um shortinho que estava mais para biquíni do que para uniforme de colégio. Falei sobre isso na rádio, atraindo amores e ódios. Cabia no shortinho somente o pequeno símbolo da escola. As encostas das montanhas gêmeas inferiores estavam expostas como amostras, mesmo não sendo grátis. O desfile público daquela criança, com a roupa transformada em embalagem de bombom, promovia o que podemos chamar de incitação à “pedofilia visual”. Diante de amostras, os tarados geralmente pensam que sejam grátis. O shortinho-biquíni promove o crime. “Ele foi provocado!”, alegou o advogado do tarado. Não sou contra o sexo nem contra as manifestações eróticas do amor.

Sou contra a erotização, sobretudo, de crianças. Quem lucra com ela? Quem a promove como fenômeno de massa? A cultura da erotização exalta as nádegas em detrimento do cérebro e da alma. Penso que alguém deveria ajudar as menininhas a mudarem de prioridades, trocando o coxismo pelo investimento no cérebro e na alma. As formas do corpo feminino são belas, atraentes. A beleza do corpo foi criada por Deus. Não sou contra a busca da manutenção da beleza, o que é até um dever, desde que não vire obsessão. Sou contra a derrota do cérebro e da alma na concorrência publicitária desleal com coxas e seios. Trocamos o vício nojento do puritanismo pela bobagem sistemática da erotização.

A roupa revela nossas prioridades. Em minha opinião, a decência não deveria sair de moda. A sobriedade deveria caracterizar também o modo de vestir. Numa escola, uma menina, com pais que pensam nela - ao contrário de outras, que têm pais
fantasmas, omissos, covardes - ouviu o deboche de uma colega (de 10 anos!): “Veio de saia de crente?!”. A menina, em casa, conversou com a mãe e pediu para mudar de saia. Soube dissopor meio de uma amiga e também participei da conversa. Bem, os filhos devem ser educados a não ter medo nem vergonha de rejeitar as bobagens que pobres crianças trazem de casa, ou melhor, da não-casa que elas não têm. Discordo radicalmente do uso pejorativo da palavra crente, também em referência ao modo
de vestir de alguns amigos evangélicos.

Há “crentes” bonitas, com seus vestidos compridos, cabelos longos, bem cuidados e, sobretudo, com convicções fortes no coração. As convicções da alma embelezam o corpo. E a inteligência, além de bonita, é sexy. Muitos católicos perderam a decência no modo de vestir. Os crentes ainda a mantêm. Em Roma, na Basílica de São Pedro, não entram mulheres com as encostas das montanhas gêmeas expostas, inferiores ou superiores. Na minha viagem pelo estado de Israel, em templos católicos, muçulmanos e judeus, não era permitida a entrada com roupas inadequadas. Homem de bermuda também não entrava. Qual a razão disto? Não é desprestígio do sexo. Crentes e católicos gostam de sexo, dentro de casa, por amor, com a mesma mulher e o mesmo marido.

Não se trata de desvalorização do sexo, mas de manifestação de prioridades. Aquela cãibra gostosa e momentânea que chamam de sexo é importante, mas o cuidado da alma e a limpeza da mente valem mais. Ajudam até na qualidade do sexo. A decência em alguns ambientes (igrejas, templos, escolas, escritórios) indica nossas prioridades. Numa igreja, ou templo, queremos rezar, juntos. Ora, se a vizinha de banco vem com as partes apresentadas como balancete de fim de ano, o vizinho naturalmente se distrai, já que gosta de sexo, mesmo estando ali para orar. No trabalho, a mulher inteligente sabe manifestar suas prioridades também por meio da roupa. Seu cartão de visita é a
mente e a alma, e não a exposição de coxas e seios.

Nas escolas, alguém deveria conversar com as crianças sobre erotização (ruim) e erotização infantil (pior ainda). Mas o que esperar daqueles professores conformistas (maioria ou minoria?) que se renderam à cultura de massa, com seus Big Bostas, novelinhas e programinhas de auditórios abestalhados? A indecência da roupa manifesta a pobreza da mente: indica que tal pessoa ou é frustrada por não conseguir atrair alguém, a não ser apelando, ou tem somente as curvas para mostrar (e oferecer!). As curvas, com o tempo, viram retas; ou pêndulos. Em adultas,
até cabem pitadas de sensualidade, diferente de derramar o pote de sal, que provoca repulsa e não atração.

Texto de Fábio Régio Bento

terça-feira, 31 de março de 2009

A PELEIA

Toda árvore dá seu fruto conforme sua espécie. Segundo o apóstolo Paulo, há duas espécies de pessoas: as espirituais e as carnais. Cada uma produzindo segundo a natureza que impera sobre si. Aquela que é dominada pela carne, produzirá frutos carnais. Aquela que é regida pelo Espírito, produzirá frutos dignos de pessoas espirituais.

Assim, para começar apimentando esta reflexão, quero dizer que de fato não consigo crer em livre-arbítrio. No máximo, posso crer em um arbítrio sempre tendencioso. O fato é que dentro de mim sempre há duas forças distintas se gladiando: meu querer contra meu fazer, minha carne contra meu espírito. Meu espírito deseja santidade, minha carne deseja o pecado. Um deseja perdoar, o outro deseja aniquilar. Este deseja servir, aquele dominar.

Contudo não me abato por isso! Sei que a única razão de haver essa peleja é o fato de ter nascido de novo. Não houvesse eu nascido do espírito, não haveria esta briga! Certamente a carne reinaria sozinha e eu jamais veria qualquer pecado diante de mim. Mas porque nasci, eu vivo. E por viver no Espírito é que já não posso pecar em paz. Só os vivos vêem seu pecado diante de si. Só os vivos ouvem aquela voz impertinente da consciência. Só os vivos no Espírito tem espírito vivo para lutar contra a carne.

Em meio a essa luta, jamais uma decisão poderá ser livre e imparcial. Todo arbítrio seguirá a tendência da natureza mais forte em mim. Oxalá todos os dias eu pudesse acordar de igual humor (bom humor!), de igual boa vontade, com a mesma fé, com mesma disposição para amar e sorrir.

Mas se já não bastasse toda relação dos milhares de aspectos subjetivos de meu ser, que me faz ter tão diferentes pensamentos e atitudes em relação a situações tão semelhantes, ainda tem os complexos desígnios das situações tão diferentes que fogem completamente ao controle de meu mero querer.

Desta forma meus arbítrios não arbitram, mas sim são arbitrados, hora pela forma como vejo o mundo - e nem sempre o vejo como é -, hora pela forma como o mundo me vê – e geralmente não me vê como sou.

Que solução há para isso? A morte! Eu morrendo para o mundo, o mundo morrendo para mim. Eu nascendo para Deus e o mundo sendo restaurado em Seu amor. Todavia, isto é um processo que demora a vida toda.

Quanto a minha vida carnal, fui julgado, reprovado e condenado. Dia a dia sou executado... mortificado... Até que um dia, plenamente morto para o mundo e a carne, viva a plena vida no espírito, para o qual nasci e vivo desde já.

Só quem nasce do espírito pode vislumbrar um mundo melhor.

Só quem vislumbra um mundo melhor pode acreditar no futuro.

Só quem acredita no futuro pode caminhar no espírito.

quarta-feira, 25 de março de 2009

A QUARESMA DE CRISTO

Nos dias que antecediam a páscoa, os judeus costumavam jejuar e se cingir de pano de saco e cinza. Costume que adentrou ao cristianismo e é observado até hoje pelos seguimentos mais tradicionais.

Também eram dias que antecediam a páscoa quando Jesus alimentou uma multidão com cinco pães e dois peixinhos. Que ligação haveria entre estes fatos?

Defendo piamente que o milagre que Cristo fizera não se tratou de multiplicação e sim partilha, pois o texto em lugar algum faz referência à multiplicação. Muito pelo contrário, diz que Jesus "partiu" e "repartiu" os pães e os peixes.

Em Isaias 58, a partir do verso 5, lemos que Deus não estava interessado nos jejuns de passar fome, nem nas cinzas em que se cingiam. O jejum que Deus quer, segundo Isaias, é que, entre outras coisas, partilhem o pão com o faminto. Eis o que Jesus fez e ensinou a fazer. Num período em que todos estavam habituados a passar fome Jesus promoveu a partilha do pão. Muitos não tinham nada, mas os poucos que tinham, tinham o suficiente para todos e ainda sobrou.

Jesus veio para transformar a religiosidade em algo transformador. Passar fome voluntariamente, por mera religiosidade, não mudará a vida do faminto, mas partilhar o pão faz toda diferença. A partilha, a caridade, o favor ao próximo, esse é o jejum que Deus quer. Essa é cinza da qual Ele quer que nos cinjamos.

Hoje, a páscoa tornou-se um período de consumismo sem sentido. Tudo bem se você gosta de chocolates em forma de tabletes ou ovos e os queira degustar na páscoa ou qualquer outro tempo. Tudo bem se você se cinge de saco e cinza. Mas faça a diferença. Faça com que a pedagogia desta quaresma transforme-se numa verdadeira páscoa cristã. Dê a este tempo o sentido que Cristo o deu. Partilhe o seu alimento com quem passa fome, partilhe seu tempo com quem sofre, partilhe seu ombro com quem chora, partilhe seu ouvido com quem precisa desabafar e partilhe palavras boas com quem carece de fé.

Uma quaresma autenticamente cristã para todos. Uma feliz Páscoa será conseqüência.

sábado, 7 de março de 2009

Uma Igreja Voltada Para o Futuro

EVOLUÇÃO

acho que não é acreditar em evolucionismo ou criacionismo que vai me dar a salvação e nem influenciar nela

A frase acima me foi mandada, no orkut, por um amigo, qual prefiro guardar a identidade e, mesmo assim, agradecê-lo pelo comentário que me fez refletir o que exponho abaixo:

Tenho certeza que acreditar na evolução não está ligado diretamente à salvação. Assim como a matemática também não, nem língua portuguesa ou estrangeira. Mas não é por isso que negligenciarei no estudo dessas. Afinal, nada disso está ligado diretamente à salvação, mas indiretamente não posso dizer o mesmo.

A maioria dos crentes só está interessado em sua salvação (o melô é apropriado: "ainda bem que eu vou morar no céu"). No entanto, Cristo não instituiu a igreja para cuidar da própria salvação e sim para salvar o mundo.

A crentaiada só quer benefício pra sí e ainda quer um galardão não sei pelo quê!

É graças ao entendimento da evolução que muitos medicamentos e vacinas tem sido descobertos e elaborados. Em suma, a teoria da evolução tem proporcionado muito mais luz à humanidade do que esse evangelho medíocre, dos fundamentalistas, que de Cristo não tem nada. Não passa de religiosidade e fanatismo.

Então digam: "a evolução não vai me salvar" e ignorem ela e todos os avanços medicinais que por seu entendimento foram alcançados e que tem salvado um número incalculável de vidas. Digam também: "eu vou morar no céu" e então cantem, dancem e esqueçam do mundo e seus pobres condenados. Por fim, Digam: "não tenho aids, não tenho cancêr e nunca vou precisar dos avanços científicos... vou morar no ceú, mesmo!"

Muitas vezes após curar alguém Jesus dizia: a tua fé te salvou! Uma simples cura era conotada por Jesus como salvação. Estou certo de que Cristo diria o mesmo a respeito das curas que hoje são obtidas por meio do entendimento da evolução.

Jesus não apregoou uma salvação individual, mas a salvação a todos os homens, em todos os aspectos de salvação, isto é, social, intelectual, familiar, cultural, medicinal, religioso, político, ecológico, etc.

Se só o que vos interessa é sua própria salvação, abandonem os estudos, o trabalho e até a fé, porque não precisamos de seres individualistas numa sociedade tão carente de quem lhe estenda a mão.

Se tua fé é tão vulnerável a ponto de não subsistir à ciência, não tens fé em Deus, apenas tens fé em tua fé, a qual fizeste o teu deus.