quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

CRISTO NÃO RELIGIOSO

Cristo não era religioso. Temos por dizer que ele era um sacerdote leigo. Jesus não fazia parte da tribo de Levita. Portanto, não era levita, mas sim descendente da tribo de Judá.

Talvez por isso não me espante o fato de tão poucas vezes os evangelhos relatarem ele no templo. Pelo contrário, Jesus encontrava-se quase sempre nas praias, nos montes, nas festas, nas ruas, nos poços, entre pescadores, marceneiros, lavradores, publicanos, pecadores, prostitutas, leprosos e excluídos em geral.

Tenho por certo que cristianismo não é religiosidade. Religiosidade é o conjunto de normas, rituais e compromissos exercidos dentro do templo. A religiosidade tem seu devido valor, mas cristianismo vai muito além disso. Cristianismo é o modo de vida baseado na vida de Cristo.

Uma vez que a vida de Cristo não se encerra numa conduta religiosa, também o cristianismo não pode confinar-se a religiosidade.

A Igreja precisa assumir sua função de cristianismo e sair das quatro paredes. Pois o mundo precisa da luz cristã sobre a política, os negócios, a música, teatro, TV, cinema e com a educação em todos os seus aspectos. A igreja precisa estar envolvida e comprometida com os pobres, os doentes, os excluídos, as minorias, amando-os, compreendendo-os, respeitando-os e valorizando-os ainda que suas ideologias e filosofias sejam antagônicas ao nosso parecer.

Podem, os cristãos, fazer diferente de Cristo?

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A CRUZ

Recebi um recado, no mínimo, estranho de certo amigo do orkut. Não sei ao certo a razão que o levou a isso (talvez tenha olhado minhas fotos e visto a capa de meu livro O Cristianismo que os Cristãos Rejeitam). O fato é que ele assim escreveu: “amado o senhor não sabe que a cruz é sinal de maldição, não? leia Gl 5:13”.

Sinceramente, não sei de onde essa gente encontra tantas bobagens pra falar! Se dizem evangélicas, mas não estão nem um pouco preocupadas com o que diz o evangelho. Vivem apenas um esdrúxulo anti-catolicismo!

Reflitamos:

“Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Marcos 8:34).

Se cruz fosse sinal de maldição, Jesus teria nos mandado carregar nossa própria maldição? Mas não foi o próprio Jesus quem a carregou? Teria, São Paulo, errado, quando afirmou: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (Gl.3:13)?

Ora, tendo Ele se feito maldição em meu lugar, a cruz deixou de simbolizar maldição para mim, fazendo-se sinal de graça. Por isso, quanto a mim, aproprio-me das palavras de São Paulo:

“Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gálatas 6:14).

“Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Filipenses 3:18).

NÃO SEJA, VOCÊ, MAIS UM DESTES.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

EU GOSTO DOS QUE ARDEM

Chamaram-me a atenção os versos da música Senhas de Adriana Calcanhoto. Os versos finais dizem:

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem


Confesso, tiro o chapéu pra essa garota! Também não gosto do bom gosto. Afinal, quem definiu qual gosto é bom? E se esse gosto eu não gostar? E se esse modo não me agradar? Terei que gostá-lo somente porque alguém ou a maioria falou que é bom? Onde fica o valor da diversidade? Cadê o respeito a particularidade? O que fazer da originalidade?

Eu também gosto dos que não escondem sua fome nem reprimem sua vontade, acreditam no que desejam e se consomem por seus ideais, ainda que isso represente um sentimento solitário ou minoritário.

Caminhamos cada vez mais em direção a uma sociedade de mente passiva, sem senso crítico, um bando de Maria vai com as outras, que anda segundo os ditames da moda fútil, da política maquiavélica e da hipocrisia religiosa.

Estes querem nos engessar, nos etiquetar, nos rotular, moldar nossa aparência sufocando nossa essência. Em contraponto, eu desejo liberdade, originalidade, espontaneidade e autenticidade. Porque bom é fazer o que arde. Foi isso que Cristo quis. Ele não nos impôs sua vontade, antes nos conquistou a fim de que em nós ardesse o que é bom! Assim disse o Mestre:

"Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder" (Lucas 12:49).

Não precisamos nos sujeitar ao bom gosto. Precisamos sim arder de desejo pelo que é bom, pelo que é justo, pelos direitos das minorias, pela liberdade de ir e vir, pela liberdade de expressão, pelo direito de crer e ser. Ser um indivíduo inserido (não excluído) no coletivo. Não podemos ser, nem querer que outros sejam, um coletivo infundido num indivíduo.

Não me etiquetem, não me rotulem. Desculpem-me os maus modos, mas só falo o que me arde!

sábado, 31 de janeiro de 2009

SAL E LUZ

Entre os cristãos há dois lados opostos, extremos e errados na maneira de ser sal.

Jesus disse: "vós sois sal da terra". Repito: DA TERRA! Não de si próprio! A igreja já está parecendo um charque, de tanto que se salga! Em sua inércia, os cristãos, parecem uma estátua de sal. Absorvem uma aparência, por vezes, muito bonita, mas não cumprem a razão de sua existência. Alienam-se do mundo, não vão mais festas (só vão se for "gospel"), não se envolvem na preservação ambiental, não se importam com os problemas sociais, não participam das reuniões de bairro ou da escola dos filhos, não se manifestam contra a corrupção (ou porque estão com o "rabo preso", ou porque acham que isso é pecado). Tudo isso porque agora são santos e não se misturam com o mundo.

Neste aspecto a igreja se tornou um sal inútil, pois só quer salgar o que já está pra lá de salgado!

Não adianta ser sal e não sair do saleiro. Lugar do sal da terra é a terra. Terra que anseia o sabor e o cheiro de cristo. Não adianta nada dizer que o mundo vai de mal a pior e se alienar dos problemas. A igreja não foi instituída como sal da terra para deixar a terra sem sabor, ou se estragar. Nem foi constituída luz do mundo para deixar o mundo perder-se em trevas.

Por outro lado há aqueles que se misturam à terra e ao mundo, porém quando saem do templo não levam consigo a mentalidade que, no templo, foi ensinada. São cristãos dentro da igreja, fora dela "não tem nada haver".

Neste aspecto, a igreja tornou-se um sal insípido, inútil também. A psique de cristo, adquirida nas missas, cultos, estudos bíblicos, leituras, palestras, convenções, retiros, seminários e outros deve ser exercida no mundo, isto é, na escola, nos negócios, na política, nas festas, no trabalho, na faculdade, em casa e em qualquer lugar, pra que todo lugar seja conservado com o sabor de Cristo.

"Vós sois sal da terra e luz do mundo"

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

VERDADEIROS AMIGOS

Ontem assisti a repetição do programa Nada Além da Verdade, no SBT. O programa havia sido transmitido em Julho passado. Encarando o polígrafo, mais conhecido como "a máquina da verdade" estava Preta Gil.

Duas respostas de Preta me chamaram a atenção: Quando questionada se alguma vez havia se sentido superior a suas amigas por ser filha de Gilberto Gil, ela respondeu que sim e por várias vezes. Quando questionada se se sentia mais bonita que suas amigas respondeu que não e ainda citou Ana Hickmann e Ivete Sangalo como suas amigas mais belas.

Surpreendentemente o polígrafo acusou mentira ao Preta Gil afirmar não se achar mais bonita que suas amigas. Embaraçada, Preta comentou que sua auto-estima devia estar muito boa.

Eu fiquei questinando: Estaria a auto-estima de Preta Gil tão boa a ponto de achar-se mais bonita que suas amigas, ou teria, Preta Gil, esquecido que suas verdadeiras amigas são aquelas sobre quem ela admitiu sentir-se superior?

Por que será que temos uma facilidade tão grande de magoar a quem de fato nos ama?

É por isso que amigos verdadeiros são cada vez mais raros!

Vale aqui lembrar um velho conselho: "Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão" (Provérbios 17:17).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Além das formas

"E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12:2).

A palavra chave deste versículo é forma. Primeiramente aparece acompanhada do prefixo con, equivalente a co, uma contração da preposição com. Assim estar conformado significa estar com a forma de. Isto é, não conformar-se com o mundo é não estar com as forma do mundo.

Enquanto estou escrevendo este artigo, tenho ao meu lado um copo cheio de refrigerante (se bem que já não está tão cheio e logo estará vazio, mas isso não importa). O refrigerante dentro do copo fica com a exata forma do copo. Ele se conforma com o copo.

Muitas pessoas se conformam com o mundo. Cansaram de lutar, cansaram de agir diferente e de tanto cansaço resolveram deixar a vida os levarem de qualquer jeito. Dançam conforme a música que o mundo toca, vão sempre pela maioria, deixam-se moldar pela exata forma que o mundo esculpe.

O problema é que o mundo está corrompido e quer nos corromper também e nos confinar ao seu sistema inescrupuloso. Para isso lança suas ideologias perversas, querendo nos fazer acreditar que "sem cola não se sai da escola", que "o mundo é dos espertos", que "ser honesto é coisa tola, por aqui todo mundo rouba", que "bonzinho só se ferra".

Estão querendo nos deixar com a forma de quem não tem vergonha na cara.

A segunda formação da palavra forma é transformai-vos. O prefixo trans significa movimento além de.

Ao invés de nos conformarmos com os padrões pré-estabelecidos do preconceito racial, cultural e religioso, ao invés de nos conformarmos com os princípios deturpados da sociedade que privilegia uns em detrimento de outros, ao invés de ficarmos com a forma de quem pensa que o que importa é se dar bem, não importa ferir quem, ao invés de nos conformar, precisamos nos transformar. Isto é, ir além desta forma mediocre de vida. Você não precisa ser uma "maria vai com as outras". Você não precisa ser o que os outros querem que você seja. Você pode ir além.

A transformação que o Apostolo Paulo se refere no texto sagrado se dá pela renovação da mente, ou seja, começa no interior, no seu pensamento. Comece acreditando. Não se deixe engessar pelo conformismo. Vá além da forma e experimente "a boa, agradável e perfeita vontade de Deus".

Abram alas...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Há alguns dias, conversava com um amigo programador, expert em IA (Inteligência artificial), que me explicava a complexidade e superioridade da inteligência biológica.

A IA é capaz de fazer cálculos e até resolver problemas complexos. Entretanto, isso sempre ocorrerá de forma objetiva, isto é, o computador resolverá os problemas com base nos objetos relacionados em seu banco de dados. É exatamente aí que começa a diferença.

A inteligência humana, ou inteligência biológica, é capaz de enfrentar problemas considerando não apenas os dados objetivos, mas também os fatores subjetivos, que são de número infinito e imperceptível a qualquer máquina.

Uma máquina pode calcular uma série de reações a partir de dados pré-estabelecidos, mas não pode considerar fatores subjetivos como o amor, a dignidade, a lealdade, a amizade e coisas semelhantes a essas que simplesmente podem mudar o rumo de qualquer resolução diante das circunstâncias da vida.

Assim, o fato de que a inteligência biológica é infinitamente superior à artificial não é nenhum problema. O problema é quando a inteligência biológica se reduz ao grau de IA, analisando somente as circunstâncias aparentes, perdendo a capacidade de considerar os fatores subjetivos como a ação do amor e a intervenção divina.

Quando alguém perde a fé e deixa de considerar o invisível, o divino, o transcendente e passa a confiar somente no que os olhos vêem, ele confina sua mente à condição de uma IA que é, diga-se de passagem, meramente burra.

A capacidade de considerar as subjetividades, de crer no invisível, é a diferença que nos faz confiar em Deus, acreditar no futuro, não perder a esperança, não desistir nunca e vencer o invencível. Pois não andamos por vista, mas por fé, seguros na bem-aventurança de crer sem ver.

Christus Victor! Semper Invictos!